Fábio de Brito Ávila: ‘200 anos de Imigração suíça para o Brasil’ – Parte 8

28/03/2021 14:35

Fábio Ávila

200 anos de Imigração suíça para o Brasil – Parte 8

IMIGRAÇÃO SUÍÇA OFICIAL NO RIO DE JANEIRO. Capítulo 8

  • APOIO E ASSISTÊNCIA HUMANITÁRIA NO RIO DE JANEIRO

As condições gerais precárias na Vila de Nova Friburgo têm grande repercussão até mesmo no exterior. Peter Schmidt Meyer criou em maio de 1821 a Sociedade Filantrópica Suíça do Rio de Janeiro, após ter ficado horrorizado com o sofrimento que presenciara. Em Londres, ele dirigia nessa época uma entidade que arrecadava donativos para ajudar os imigrantes desamparados na Colônia de Nova Friburgo, contando inclusive com doações de fazendeiros suíços.  

Houve também uma campanha de subscrição que ocorreu em várias cidades europeias, e sobretudo nos cantões suíços, envolvendo cidadãos de Friburgo e de Lucerna. Até mesmo o Vaticano colaborou com doações para os sofridos imigrantes em terras brasileiras.

Peter S. Meyer, no relatório “Colonie Suisse au Brésil”, dizia que havia quatro grupos de pessoas na vila: o primeiro era formado por homens “corajosos e resolutos”, bons agricultores que enfrentavam as dificuldades. O segundo, era composto por imigrantes que teriam vindo com a esperança de tornar-se ricos como pequenos comerciantes e artesãos. O terceiro, composto por militares, médicos e notários que sonhavam ser proprietários de terras no Brasil e gostariam de contar com a ajuda de escravos. O último grupo era composto por crianças órfãs e viúvas.

As liberdades eram restritas. Nos primeiros meses, confinados, os colonos sequer tinham autorização para deixar a vila. Caso precisassem ir ao Rio de Janeiro ou a outra localidade, mesmo bem próxima, tinham que pedir autorização oficial ao administrador.  

A VOLTA DE D. JOÃO VI

No início de 1820, D. João VI decidiu voltar para a Europa com toda a Família Real e ficou como mandatário da Colônia o seu filho, D. Pedro. A volta de D. João VI a Portugal, além do afastamento do Inspetor de Colonização Estrangeira, Monsenhor Miranda, repercutiu de forma muito negativa na colônia. Os subsídios oficiais do governo brasileiro aos colonos foram temporariamente suspensos.

  • INCENTIVOS AOS COLONOS SUÍÇOS E A LIBERDADE RELIGIOSA

Após muitas reclamações, D. Pedro na condição de príncipe-regente do Brasil, buscou facilitar a situação dos colonos e, entre outras medidas, ordenou a retomada do pagamento dos subsídios que haviam sido interrompidos quando a Corte voltou a Portugal.

Algumas melhorias foram notadas. Em março de 1822, o suíço Riedy, da Sociedade Filantrópica do Rio de Janeiro, informou que a ultima colheita de milho e de feijão permitiu alimentar os colonos de Nova Friburgo e que algumas edificações sólidas já tinham sido construídas. Com isso, os imigrantes se livraram da fome e da miséria, sendo que alguns deles também começaram a criar gado e a fabricar queijos.

Entre 1823 e 1824 houve uma forte retomada do Protestantismo na Vila. Nesse ano, chegou a Nova Friburgo o primeiro pastor luterano do Brasil e da América Latina, o alemão Friedrich Oswald Sauerbronn, que logo ergueu um templo, ou seja, antes mesmo dos católicos terem sua igreja oficial na vila.

Irritado, em 1837, o pároco Jacob Joye transferiu as cerimônias religiosas para as dependências da Câmara. Além de religioso, Joye também participou da fundação da primeira loja maçônica da vila, vindo a mudar-se para a sua fazenda em São José do Ribeirão em 1841.

Sociedade Filantrópica Suíça. Fonte: Casa da Suíça Restaurante

Lucerna na Suíça, Século XIX. Fonte: www.knarf.english.upenn.edu.com

Cartaz sobre a ida de D. João VI para Portugal, 1821. Fonte: Biblioteca Nacional Digital

D. Pedro I. Fonte: Wikipédia

Primeiro Pastor Luterano no Brasil, Friedrich Oswald Sauerbronn. Fonte: Memória Rondonense

Pe. Jacob Joye. Fonte: Suíços no Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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