Fabio Ávila: ‘Caminhando Contra o Vento’

26/11/2018 14:32

Fabio Ávila: ‘Caminhando Contra o Vento

– Saio sem lenço nem documento, num sol de quase dezembro…

– Caminhando contra o vento?

– A chuva se anuncia e esta avenida … ahhh, a Avenida Paulista… , a outrora bela Paulista…, perdeu seus casarões emblemáticos que representavam o poder da burguesia emergente no Ciclo do Café e que se divertia em edificar casarões e mansões com traços europeus ou do Oriente Médio, regiões de origem dos magnatas de nosso país ocupado ,originalmente, pelos ibéricos portugueses.

– São poucos os vestígios do fausto de outrora nesta larga via ,originalmente concebida pelo engenheiro Joaquim Eugenio de Lima.

– Em um curto período de tempo ( menos de doze décadas) , construiu-se, destruiu-se, desfigurou-se a bela Avenida  Paulista e a capital, São Paulo, teve seu  efêmero momento de elegância e de glória que não retornará jamais.

– Fico entediado, triste e desorientado, ao buscar vestígios da antiga e  civilizada cidade. Percebo uma ou outra fachada cá  ou acolá, alguns tímidos roseirais, uma capela esquecida …

–  Um belvedere desapareceu e em seu local  foi erigido um caixote de cimento, o Museu de Artes de São Paulo, por um arquiteto oriundo, a inimiga  de passados, Lina Bo Bardi.

– Após destruirem a elegante edificação do belíssimo Mirante Trianon, São Paulo continuou sendo vítima da desenfreada Pauliceia Desvairada que não tem nenhum compromisso com a  estética e  que nutre uma sórdida aversão ao histórico da capital .

– A outrora introspectiva e elegante Terra da Garoa não existe mais…