Fábio Ávila: ‘200 anos de Imigração suíça para o Brasil’ – Parte 25

23/12/2021 23:01

Fábio Ávila

200 anos de Imigração suíça para o Brasil  – Parte 25

SUÍÇOS NO PARANÁ
A PRÓSPERA COLÔNIA DE SUPERAGUI

Situada no litoral paranaense, a Colônia de Superagui foi fundada em 1852 quando a região litorânea de Guaraqueçaba pertencia à Província de São Paulo, já que a Província do Paraná só existiria oficialmente no ano seguinte. As terras na península e na Ilha de Superagui, exatos 35 mil hectares, pertenciam ao cônsul suíço em São Paulo, Charles Perret-Gentil, e ao vice-cônsul, Arthur Guigner. Em 1851, chegaram 13 famílias europeias, incluindo dez mulheres, sete crianças e 13 homens. Eram as primeiras oito famílias de colonos suíços, com despesas pagas pelos próprios fundadores da colônia e desta vez sem a ajuda do Governo do Império. A ideia inicial era adotar o mesmo sistema de parceria instituído em Ibicaba, São Paulo, mas o que ocorreu na Colônia de Superagui foi a venda de lotes a imigrantes ou a permissão do uso da terra mediante o pagamento anual do chamado foro. As famílias de colonos ficavam com o lucro da venda da produção agrícola excedente que era exportada (farinha de mandioca, café, uva para produção de vinho e pescados). No caso do café e do arroz, como estipulava o contrato, deveriam dar preferência de venda à própria empresa colonizadora de Charles Perret-Gentil.

Quando ocorria o casamento de suíços com brasileiros, os filhos eram chamados de “mestiços de Guaraqueçaba”. Na colônia, os imigrantes construíram boas casas, havia posto do Correio e recebeu até mesmo o primeiro cartório do Estado do Paraná. Conforme descreve o escritor paranaense Leônidas Boutin: “… os morros atrás das casas de residência estavam, em grande parte, cultivados, alguns deles com parreiras, que forneciam uvas excelentes para a fabricação de vinhos de boa qualidade, vendidos até fora da Colônia”.

Logo após a Proclamação da República, o sul do Brasil foi tomado pelo clima de guerra civil. Mesmo longe dos centros políticos, a Vila de Superagui, durante a Revolução Federalista (1893 e 1894), foi invadida por soldados governistas (republicanos) e as casas dos colonos foram saqueadas. Num primeiro momento, a colônia havia prosperado e em 1879, possuía uma população entre 600 e 800 pessoas em um total de 150 casas. No começo do século XX, o êxodo era grande e, diferentemente de outras colônias pelo Brasil, o povoado praticamente desapareceu em um curto espaço de tempo. Um censo feito em 1920 registrou apenas 125 moradores.

O historiador paranaense Leônidas Boutin afirmou: “… os descendentes daqueles audaciosos imigrantes (…) que realizaram notável progresso, construíram e mostraram-se tão laboriosos, não continuaram a obra dos seus antepassados; (…) ao contrário da grande maioria das colônias de imigrantes que progredindo formam hoje notável contingente de nova elite emergente, que participa do desenvolvimento econômico, político e cultural da nação (…) se retraíram, se isolaram, se acaboclaram, se acomodaram”.

 

Colônia do Superagui, década de 1870. Fonte: invinoviajas.blogspot.com

 

Panorama de São Paulo, século XIX. Fonte: brasilianaiconografica.art.br

 

Ilustração de William Michaud da Ilha do Superagui, século XIX. Fonte: Portal Guaraqueçaba.

 

Ilha do Superagüi, Paraná, atualmente. Fonte: Viaje Paraná.

 

Livro “Histórias Paranaenses” de Leônidas Boutin.

 

Brasão de Guaraqueçaba. Fonte: Prefeitura de Guaraqueçaba

 

Fábio Ávila

fabioavilaartes@gmail.com

 

 

 

 

 

 

 

 

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