Fábio Ávila: ‘200 anos de Imigração suíça para o Brasil’ – Parte 24

29/11/2021 21:31

Fábio Ávila

200 anos de Imigração suíça para o Brasil – Parte 24

SUÍÇOS EM SANTA CATARINA E NO RIO GRANDE DO SUL

Tendo como atrativos o clima e a paisagem muito semelhantes aos encontrados na Europa, o sul do Brasil também atraiu muitos colonos do Velho Mundo. Na região norte de Santa Catarina, em maio de 1850, chegava Abraham Louis Duvoisin, o suíço oficialmente considerado o primeiro morador da Colônia Dona Francisca. Foram ao todo 118 imigrantes (sendo 80 suíços acompanhados de alemães e noruegueses) que saíram do porto de Hamburgo a bordo da barca Colon e, após dois meses de viagem, em 9 de março de 1851, chegaram ao porto de São Francisco do Sul, no litoral de Santa Catarina. Assim, em 1851, era fundada a Colônia Dona Francisca, homenagem à princesa Francisca de Bragança, que recebeu imigrantes até o ano de 1856, em sua maior parte lavradores. A população local foi reforçada com a chegada de 114 colonos vindos posteriormente na barca Emma & Louise. A colônia cresceu e deu origem ao município de Joinville, nome que homenageava a Comuna Francesa, da qual o nobre François Ferdinand P. L. Marie era príncipe (filho do Rei Luís Filipe I da França). Segundo o relato de Carlos Henrique Oberacker Júnior na fundação da Colônia Dona Francisca, em 1851, havia um número importante de famílias suíças e norueguesas: “… em Dona Francisca estabeleceram-se (…) ao lado dos camponeses, muitos integrantes das classes mais instruídas do povo alemão: burgueses liberais e progressistas, oficiais, fidalgos e acadêmicos que abandonaram a pátria por motivos políticos”.

Cidades Irmãs

Um importante legado da colonização foi a amizade e a parceria de Joinville com Schaffhausen, cidade suíça na fronteira com a Alemanha. Schaffhausen é uma cidade, com ares de povoado medieval, que mais enviou colonos a Santa Catarina. Para se ter uma ideia, um dos seus povoados, Siblingen, tinha 1.300 habitantes no século XIX, portanto, muita gente e poucos recursos quando recebeu representantes de uma empresa de imigração. Em 20 anos, mais da metade dos moradores deixou o povoado rumo ao exterior. Hoje, Joinville e Schaffhausen são cidades-irmãs. Ainda em Santa Catarina os suíços fundaram Nova Helvetia (1897), hoje município de Ibirama, e também as colônias de Presidente Getúlio (1904) e Bom Retiro (1922), ambas em municípios de mesmo nome.

COLÔNIAS NO RIO GRANDE DO SUL

No Rio Grande do Sul, imigrantes europeus ajudaram a formar localidades como Santa Luzia e Santa Clara no século XIX. Ambas abrigaram italianos, alemães, franceses, poloneses, portugueses, espanhóis e suíços, a maior parte deles provenientes de Vouvry, Cantão de Valais. Esses núcleos iniciais deram origem ao atual município de Carlos Barbosa, nome escolhido para homenagear um ex-governador da Província do Rio Grande do Sul. Em maio de 1881, outros imigrantes europeus fundaram o povoado “Conventos Vermelhos”, na margem esquerda do Rio Taquari. O núcleo colonial era ocupado por imigrantes europeus, tais como alemães, italianos e suíços. Em 1900, o nome foi alterado para Roca Sales como homenagem ao presidente da Argentina, Julio Argentino Roca, e ao presidente brasileiro, Manuel Ferraz de Campos Sales. Desmembrado de Estrela, o município foi instalado em 28 de fevereiro de 1955.

Abraham Louis Duvoisin e sua esposa Elisa Duvoisin. Fonte: https://ndmais.com.br/noticias/a-preparacao-da-futura-colonia-dona-francisca/

Monumento em homenagem à Barca Colon, Joinville – SC. Fonte: http://nucleodeeventosjoinville.blogspot.com/p/conheca-joinville.html

Porto de Hamburgo, Alemanha, Século XIX. Fonte: https://hinsching.wordpress.com/2018/02/07/porto-de-hamburgo-alemanha/

 

Dona Francisca de Bragança, a Princesa de Joinville. Fonte: Wikipédia.

 

Casa do Snr. O. Dörffel, caxeiro da direção e consul de Hamburgo, 1866. Joinvilee, Santa Catarina / Acervo FBN

 

François Ferdinand P. L. Marie, Século XIX. Fonte: National Portrait Gallery

 

Joinville, França. Fonte: https://www.annuaire-mairie.fr/ville-joinville.html

 

Gravura da vista da Vila do Desterro, em Santa Catarina. Autor: Gaspar Duche de Vancy

 

Cantão de Valais, Suíça, século XIX. Fonte: Wikipédia.

 

Fábio Ávila

fabioavilaartes@gmail.com

 

 

 

 

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