Fábio Ávila: ‘200 anos de Imigração suíça para o Brasil’ – Parte 23

15/11/2021 19:43

Fábio Ávila

200 anos de Imigração suíça para o Brasil  –  Parte 23

SUÍÇOS NO NORTE DE MINAS GERAIS
NASCE A CIDADE DE TEÓFILO OTONI NO VALE DO MUCURI

Em 1856, a Cia. do Mucuri fez um anúncio nos jornais da Alemanha convidando europeus para tentar uma nova vida no Brasil,  na região norte de Minas Gerais.

Essa empresa brasileira de colonização (dirigida pelo influente político e empresário Teófilo Otoni), queria colonos como sócios da empreitada e não apenas empregados, por isso chegou a adiantar o capital necessário para a viagem e arcou com as primeiras despesas dos imigrantes. Muita gente se interessou: pessoas de diferentes classes sociais, honestos e desonestos, homens livres e outros nem tanto. Em 1856, o povoado de Filadélfia, atual Teófilo Otoni, recebeu os primeiros colonos suíços e outros imigrantes alemães que, antes mesmo de trabalhar na lavoura, deveriam ajudar a construir a estrada que ligava Filadélfia e Santa Clara, povoado vizinho.

Instalados, os colonos gozavam da prerrogativa de poder comprar escravos. Havia colonos satisfeitos e muitos insatisfeitos, reforçando um clima de incerteza e descontentamento.

Em 1858, o Governo Imperial criou em Paris a Associação Central de Colonização (dirigida pelo francês Beaucourt e sua empresa) que tentou estimular o fluxo migratório para o Brasil, mas que, trabalhando por comissão, fazia promessas fantasiosas, muitas jamais cumpridas.

Desta forma, as terras da Companhia do Mucuri viveram uma situação dramática com a presença de colonos insatisfeitos e revoltados com as condições de trabalho e de povoamento.

Esse ambiente foi bem captado pelo médico e viajante alemão Robert Avé-Lallemant, que lá esteve em 1859 e fez um relato já no ano seguinte. Tendo apenas alguns colonos como fonte, fez sérias acusações denunciando a insalubridade da colônia e a má alimentação. Alguns colonos, segundo Avé-Lallemant, diziam que a comida local era muito pior do que a da Fazenda Ibicaba, em São Paulo, onde haviam residido anteriormente. Avé-Lallemant também encontrou gente satisfeita, caso da família suíça Boeschenstein-Elmiger. Eram bravos lutadores e se diziam, através de um colono chamado Huber, satisfeitos no Brasil, mas ainda assim com vontade de retornar à Suíça.

O livro do alemão Avé-Lallemant, publicado em 1860 na cidade de Leipzig, acabou sendo altamente prejudicial ao Brasil, da mesma forma que o livro de Thomas Davatz, este último publicado em 1858 na cidade de Chur, Suíça. Doente e morando no Rio de Janeiro, Teófilo Otoni se defendia das acusações, criticando a atuação do francês Beaucourt na Europa dizendo:“… a colonização honesta e conscienciosa teve de ser perturbada, em sua marcha progressiva, por esse aluvião do restolho da sociedade europeia arrojado às nossas praias pela mais imoral das especulações”.

 

Chur, Suíça. Fonte: wikiwand.com

 

Teófilo Otoni. Fonte: Wikipédia

 

Robert Avé-Lallemant. Fonte: Wikipédia

 

Teófilo Otoni. Fonte: Retalhos de Minas

 

Leipzig, Alemanha, Século XIX. Fonte: wikipedia

 

Ilustração de Paris, França, Século XIX. Fonte: sandersofoxford.com

 

Praça Germânica em Teófilo Otoni. Fonte: http://www.kiaunoticias.com/

 

Teófilo Otoni, MG, Século XIX. Fonte: http://www.kiaunoticias.com/

 

Fábio Ávila

joão.fabioavilaartes@gmail.com

 

 

 

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