Fábio Ávila: ‘200 anos de Imigração suíça para o Brasil’ – Parte 21

11/10/2021 19:17

Fábio Ávila

200 anos de Imigração suíça para o Brasil – Parte 21

OUTRAS COLÔNIAS SUÍÇAS EM SÃO PAULO
Von Tschudi anotou que além das propriedades do Senador Vergueiro havia suíços também em outras localidades paulistas como Campinas, Mogi Mirim,
Ubatuba e Taubaté. Em Jundiaí e nos municípios de Limeira, Rio Claro e Piracicaba, se concentravam colônias formadas também no sistema de parceria, que deram certo num primeiro momento, caso explícito da Fazenda Sítio Grande, propriedade de Antônio de Queiroz Telles, o Barão de Jundiaí, nas proximidades de Campinas.

COLÔNIA HELVETIA EM INDAIATUBA
Em 1854, sob contrato da Companhia Vergueiro, um grupo de 26 famílias suíças católicas vindas de Obwalden chegou ao Sítio Grande no município
de Jundiaí (atual Itupeva-SP), propriedade de Antonio de Queiroz Telles (o Barão de Jundiaí). Como resultado das interrupções das imigrações após as denúncias de Thomas Davatz e Tschudi, por 27 anos, eles viveram isolados. Eles não conviviam nem com os imigrantes protestantes da Fazenda Ibicaba, mesmo estando próximos. A situação só se alterou em 1881, quando finalmente chegaram outros suíços. Os colonos de Sítio Grande mantinham excelente relação de parceria com os Queiroz Telles.
Esse laço se fortaleceu em 1881, com a vinda do Capelão (Kaplan) Nikolaus Amstalden, que, além dos ofícios religiosos, também liderou a alfabetização de crianças por meio da catequese. Com isso, plantou a semente de uma escola, logo depois instalada pelos fazendeiros. O sacerdote se notabilizou como mediador entre os colonos e patrões, além de ser um notório defensor de escravos. A colônia consolidou-se em termos esportivos com a fundação do Clube de Tiro, em 1885.A dissolução da colônia suíça de Sítio Grande iniciou-se em 1887, acelerada pelos impactos econômicos e agrários da iminente libertação dos escravos.
Felizmente, após décadas de trabalho árduo e o bom relacionamento com os donos da terra, conseguiram um modesto, mas significativo, progresso econômico. A desvalorização das terras na região, resultante das tensões políticas e econômicas, foram-lhes favoráveis. Nesse contexto, muitas famílias puderam adquirir terras nas vizinhanças ou a elas agregarem-se, caso de von Zuben, Sigrist, Amstalden (Remígio), Fanger, Ifanger, Degelo, Zumstein, von Ah (Joseph), Jakober, Britschgi, Hofstetter, Burch, Schali, Langensand, dentre outras. Algumas, ainda, deslocaram-se para as fronteiras agrícolas do interior paulista, como a família Wolf. Em 1887, chegaram grupos organizados pelos irmãos Sigrist que também seguiram para a Colônia. Em março de 1888, as famílias Benedikt Amstalden, Joseph Anton Ambiel, Franz Joseph Bannwart e Peter Wolf decidiram-se pela compra do Sítio Capivari Mirim, uma propriedade de 468 alqueires entrecortada pelo ribeirão de mesmo nome, limítrofe às cidades de Indaiatuba e Campinas. Helvetia foi, então, oficialmente fundada no dia 14 de abril de 1888.

Antonio de Queiroz Telles, o Barão de Jundiaí. Fonte: Google Arts & Culture

Jardim do Solar do Barão de Jundiaí. Fonte: https://cultura.jundiai.sp.gov.br/espacos-culturais/museu-historico-e-cultural-de-jundiai/

Ubatuba, Século XIX. Fonte: https://blogdoubatubense.wordpress.com/2016/04/18/ubatuba-o-inicio-de-uma-cidade/

Obwalden, Suíça, Século XIX. Fonte: pixels.com

Indaiatuba, 1908. Fonte: Wikipédia

Reportagem do dia 13 de maio de 1888 sobre o Decreto que aboliu a Escravidão. Fonte: Museu AfroBrasil.

Colônia Helvetia, Século XIX. Fonte: suíçosdobrasil.com

 

 

 

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