Fábio Ávila: ‘200 anos de Imigração suíça para o Brasil’ – Parte 18

12/08/2021 19:35

Fábio Ávila

200 anos de Imigração suíça para o Brasil – Parte 18

TRABALHO E COMPETÊNCIA DE UM SUÍÇO VISIONÁRIO

Hugo Kauffmann

Hugo Kaufmann nasceu em Derindingem, no Cantão de Solothurn, e chegou à Bahia em 1903, quando ocupou a gerência da filial de Ilhéus da Wildberger & Cia. Na sequência, tornou- se sócio minoritário da empresa. A sociedade acabou em 1917, quando ele abriu a sua própria empresa, a Hugo Kaufmann & Cia. Assim, passou a ser um concorrente na compra e venda (exportação) do cacau baiano. A Hugo Kaufmann e Cia. também alcançou uma notável projeção. A empresa foi o primeiro agente do Banco do Brasil em Itabuna e em Ilhéus. A partir de 1926, conseguiu que os carregamentos de cacau ocorressem em navios estrangeiros que passaram a ter a permissão de carregar em Ilhéus. Kaufmann foi um dos principais participantes dos movimentos em favor da zona do cacau; ele convenceu o empresário carioca Henrique Lage a ordenar aos navios de sua empresa, a Cia. Nacional de Navegação Costeira, a fazer escala em Ilhéus. Kaufmann tornou-se então o agente local da empresa na região. Em 1938, foi o primeiro fabricante de manteiga de cacau do continente. Kaufmann faleceu em 30 de agosto de 1942 e seus filhos criaram a empresa Kaufmann, Importação, Exportação e Lavoura Saktel, com sede em Salvador. Hoje, a empresa criada por Kaufmann atua no setor imobiliário. Waldir Freitas Oliveira em seu livro “A Saga dos Suíços no Brasil (1557 – 1945)” assinala: “Desde que, ao realçar a importância que possuíram, tanto quanto o seu desempenho na vida econômica do Estado da Bahia, Emil e Hugo Kaufmann, julgamos haver cumprido nosso maior objetivo – o de demonstrar, ao destacá-los, o quanto deve a Bahia, não somente a eles mas a todos os imigrantes suíços que nela se radicaram, dando-lhe o melhor de suas vidas e, de modo especial, seu grande afeto pelas terras que, voluntariamente, escolheram como segunda pátria”.

O BOTÂNICO LEO ZEHNTNER

Para que o cacau prosperasse no Brasil, a ciência botânica deu uma contribuição decisiva. Na Indonésia, o Secretário de Agricultura da Bahia, Miguel Calmon du Pin e Almeida, conheceu o botânico suíço Leo Zehntner e o convidou para dirigir o Instituto Agrícola da Bahia (primeira grande escola de agronomia do país, erguida em 1859) no município de São Bento das Lajes. Em 1907, Leo Zehntner, já como diretor, importou as primeiras mudas de cacau criollo provenientes do Ceilão, que foram plantadas no pomar do Instituto. Em 1914, publicou na Alemanha um livro sobre o cacau baiano, “Le cacaoyer dans l’État de Bahia”, obra que despertou o interesse dos empresários das colônias francesa e inglesa na área tropical da África Ocidental. Tais plantações africanas prosperaram e passaram a concorrer no mercado mundial com o cacau brasileiro. Depois de passar mais de 20 anos na Bahia, Leo Zehntner regressou à sua aldeia natal de Reigoldswil, no Cantão de Basiléia, onde faleceu. Waldir Freitas de Oliveira, no livro “A Saga dos Suíços no Brasil (1557 – 1945)” explica: “Acrescentou, então, que, após vivido mais de 20 anos na Bahia, regressou Leo Zehntner à Suíça, onde morreu com mais de 90 anos, em sua aldeia natal de Reigoldswil, no Cantão de Basiléia, ali havendo sido visitado, várias vezes, por Emil Wildberger, quando de suas viagens à Suíça”.

Hugo Kauffmann. Fonte: bancodavitoria.wordpress.com

 

 

Moeda do Cantão de Solothurn, 1813. Fonte: Heritage Auctions

 

Capa do Livro “A saga dos Suíços no Brasil (1557 – 1945)”. Fonte: http://ssbb.ch/index.php/a-saga-dos-suicos-no-brasil-4/

 

Cantão de Solothurn, Suíça. Fonte: https://stutenzeehistoryblog.blogspot.com/2013/11/solothurn-switzerlands-baroque-jewel.html

 

Vista da cidade de Salvador, Bahia, 1860. Fonte: https://www.brasilianaiconografica.art.br/obras/19810/vista-da-cidade-de-salvador

 

Leo Zehntner. Fonte:
http://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/

 

Cantão de Basileia, Suíça, Século XIX. Fonte: Switzerland, Basel, View of the city 19th century, Bibliotheque des Arts Decoratifs (Library).

 

Miguel Calmon Du Pin e Almeida. Fonte: Wikipédia

 

Fábio Ávila

fabioavilaartes@gmail.com

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