Fábio Ávila: ‘200 anos de Imigração suíça para o Brasil’ – Parte 17

02/08/2021 13:21

Fábio Ávila

200 anos de Imigração suíça para o Brasil – Parte 17

WILDBERGER & CIA. EM UM BRASIL EFERVESCENTE
SURGE O INSTITUTO DO CACAU DA BAHIA

Emil Wildberger chegou à Bahia em 1892 e já em 1903 criou a empresa Wildberger & Cia., atuando na exportação de cacau, fumo e borracha. Nesse ano, quando participou da diretoria da Associação Comercial da Bahia, já era conhecido como “o rei do cacau”. Wildberger atuou ainda em outras importantes entidades financeiras, caso do Banco Hipotecário e Agrícola do Estado da Bahia, fundado em 1913.
Nesta época, os negócios iam de vento em popa em Ilhéus, Canavieiras, Belmonte e na região do Rio Jequitinhonha, que juntos concentravam praticamente 80% de toda produção, dando grande impulso à evolução da cultura e a exportação do cacau para o exterior.

Wildberger também atuou como agente de companhias de navegação estrangeiras, como a Société Générale de Transports Maritimes à Vapeur eau Compagnie à Navigation France-Amérique, ambas sediadas em Marselha. Participou da primeira diretoria da Cia. da Navegação Baiana e recebeu, em 1926, o ministro plenipotenciário e enviado extraordinário da Suíça ao Brasil, Albert Gertsch, quando de sua visita à Bahia.
Emil assumiu também o cargo de Cônsul da Confederação Helvética na Bahia, com jurisdição nos Estados da Bahia, Alagoas e Sergipe, e ocupou o posto até o ano de sua morte em 1946.

A Wildberger e Cia. teve praticamente o monopólio do comércio cacaueiro da Bahia entre 1902 e 1930, quando concorria com outras grandes empresas como a Hugo Kaufmann e Cia., também suíça, além de outras duas companhias inglesas, uma alemã e outra luso-brasileira.
Com a crise econômica internacional da década de 1920 e as turbulências da Revolução Tenentista em 1930, a Wildberger apoiou inicialmente o então recém-criado Instituto do Cacau da Bahia, que tinha como objetivo “… aliviar tanto os lavradores endividados, como os exportadores grandemente comprometidos e recursos quase esgotados”, de acordo com Arnold Wildberger, autor do livro “Meu pai Emil Wildberger”.

A partir de então, toda a produção de cacau do Estado deveria ficar em sistema de consignação com o Instituto do Cacau da Bahia. Por isso, a empresa passou a diversificar seus negócios, incluindo a representação de automóveis Studebaker, eletrodomésticos e de motores da marca Westinghouse e passou a ser agente da American Brazil Line, empresa de navegação norte-americana. Também forneceu à Cia. Hidroelétrica de São Francisco (CHESF) as três primeiras turbinas elétricas de grande potência fabricadas pela Westinghouse, as quais foram instaladas na Usina de Paulo Afonso, no município de mesmo nome.

Em 1945, durante a Conferência de Petrópolis, o filho de Emil Wildberger, Arnold, defendeu a liberdade do comércio, criticando abertamente o monopólio oficial exercido pelo Instituto do Cacau da Bahia. A crítica era pertinente e tal exclusividade estatal acabou sendo revogada. Nesse ano, a empresa fez ainda os primeiros carregamentos do produto para a União Soviética. Wildberger faleceu em 1946 e a empresa administrada pelos herdeiros enfrentou problemas até que, na década de 1960, concluiu suas últimas exportações.

 

Capa do Livro “Meu pai Emil Wildberger”, autor Arnold Wildberger, 1979.

 

Instituto de Cacau da Bahia. Fonte: Pinterest

 

Canavieiras, Bahia, Século XX. Fonte: Pinterest

 

Cia. Hidroelétrica de São Francisco (CHESF). Fonte: Pinterest

 

Fábrica Hugo Kaufmann e CIA. http://catucadas.blogspot.com/2008/05/hugo-kaufmann-cia.html

 

Fábrica Hugo Kaufmann e CIA. Fonte: http://catucadas.blogspot.com/2008/05/hugo-kaufmann-cia.html

 

Associação Comercial da Bahia, 1914. Fonte: Acervo Associação Comercial da Bahia

 

Fábio Ávila

fabioavilaartes@gmail.com

 

 

 

 

 

 

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