EXCLUSIVO: entrevista com o professor Jefferson Biajone atualizada

06/07/2017 12:33

Com exclusividade absoluta o ROL obteve uma entrevista com o fundador do Núcleo MMDC de Itapetininga, professor Jefferson Biajone

Em entrevista ao nosso jornal, o professor Jefferson Biajone diz que fundou o núcleo MMDC de Itapetininga em 12 de julho de 2011 para “resgatar e preservar a memória e os feitos dos paulistas que participaram na Revolução Constitucionalista de 1932 no Setor Sul do Estado de São Paulo, em especial a luta empreendida por voluntários itapetininganos nos combates que se deram em várias cidades da região”. Nesta entrevista, o professor conta que importantes realizações  foram obtidas no resgate da epopeia de 32 no setor sul por conta do apoio de várias personalidades e entidades, apesar de sua maior dificuldade nesses trabalhos residir na ausência de pesquisadores interessados em retratar o movimento revolucionário paulista. O professor encerra sua entrevista apontando para a importância de se estudar o passado para que possa projetar o futuro.

Como ferramenta de trabalho, Jefferson Biajone emprega a internet, ao manter o portal do Núcleo MMDC de Itapetininga (http://mmdc.itapetininga.com.br), local no ciberespaço onde divulga pesquisas e publica trabalhos historiográficos relacionados à epopeia de 32 no Setor Sul.

Jefferson Biajone é docente da Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Itapetininga, onde leciona disciplinas na área de Matemática e de Inglês. É doutor em Ensino, mestre em Educação e licenciado em Matemática e Letras. Acadêmico titular da cadeira de nº 14, patrono Domingos José Vieira, da Academia Itapetiningana de Letras e membro benemérito do IHGGI – Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Itapetininga. Pertence também à Associação dos Ex-Atiradores e Amigos do Tiro de Guerra de Itapetininga (AEATGI) entidade que auxiliou na fundação em 2015. Residente em Itapetininga desde 2011, o professor, em parceria com intelectuais e mecenas locais, teve (re)editado os livros “Itapetininga: heróis, feitos e instituições” (Regional, 2012); “Patriotas Paulistas na Coluna Sul: edição comemorativa dos 90 anos da Revolução de 1924” (Regional, 2014); “Heroísmo Desconhecido: edição comemorativa dos 90 anos da Revolução de 1924” (Edição digital, 2014); “Continência a Morte: edição comemorativa dos 70 anos do Dia da Vitória” (Regional, 2015) e “Cruzes Paulistas: edição comemorativa dos 80 anos de Cruzes Paulistas” (Edição digital, 2016) e “Cruzes Paulistas: edição comemorativa dos 85 anos da revolução constitucionalista de 1932 ” (Regional, 2017).

Além dos livros que resgatam históricos de ex-combatentes nas revoluções de 1924, 1930, 1932 e Segunda Guerra Mundial, há também o trabalho de homenagem que realiza, o que tem envolvido a afixação de placas alusivas à condição de hospitais de campanha, enfermaria, paiol de munições, aquartelamentos e teatro de operações de diversos estabelecimentos e localidades históricas no município e região; a afixação de placas de homenagem em túmulos de ex-combatentes com acesso aos seus históricos de vida via QR CODE (Projeto Morada de Heróis) e a inauguração de monumentos em solenidades cívicas diversas, a citar os monumentos aos Bravos de Itapetininga que lutaram por São Paulo, a 3 de outubro de 2011, na sede do 22º BPM/I; aos Heróis Itapetininganos de 1932 e 1945, a 10 de Julho de 2012, no Cemitério Municipal de Itapetininga; Praça 9 de Julho, a 24 de maio de 2012, em Buri; aos Heróis de Buri que lutaram por São Paulo, a 16 de Julho de 2012, em Buri; Praça Campina de Heróis, a 17 de Maio de 2014, em Campina do Monte Alegre;  Praça Osvaldo Raphael Santiago, a 9 de Julho de 2014, em Itapetininga; aos Gaviões de Penacho: aviação constitucionalista, a 15 de Julho de 2014, em Campina do Monte Alegre; ao Soldado Constitucionalista Octávio Seppi, a 8 de Julho de 2015, na Floresta Nacional de Capão Bonito; Taquaral Abaixo – a última trincheira do Setor Sul, a 17 de Outubro de 2015, em Capão Bonito e aos Gaviões de Penacho – Aviação Constitucionalista, a 1º de Julho de 2017, em Itapetininga.

Seus trabalhos de resgate da memória e dos feitos de ex-combatentes também se debruçam sobre o histórico da participação de itapetininganos na Força Expedicionária Brasileira (FEB) durante a Segunda Guerra Mundial (1944-1945). Para tanto, fundou e realiza a gestão do Portal dos Ex-combatentes de Itapetininga (http://pec.itapetininga.com.br) que em parceria com o Tiro de Guerra 02-076 do município, mantém desde 2011 a Galeria dos Ex-combatentes da FEB que contem informações sobre cada um dos 34 itapetininganos que lutaram nos campos da Itália durante a Segunda Guerra Mundial, o que é feito tanto presencial quanto digitalmente para visitação. Nas comemorações do Dia da Vitória de 2017 (8 de maio), a galeria se tornou a primeira do país a ser 100% acessível via leitura de QR CODE por dispositivo móvel, um trabalho realizado por acadêmicos do curso superior de tecnologia em Análise de Sistemas sob sua orientação na Fatec Itapetininga, cujo projeto embrionário, o Morada de Heróis, já havia sido obtido destaque nacional (Jornal Hoje de 02/11/2015) e premiado em congresso internacional sobre sistemas de informação e gerenciamento de tecnologia na Universidade de São Paulo.

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Eis a íntegra da entrevista:

ROL) Há cinco anos o senhor foi um dos fundadores do Núcleo de Itapetininga do MMDC. Qual era o eu objetivo?
Resgatar a memória e os feitos dos paulistas que participaram da Revolução Constitucionalista de 1932 (RC32) no interior do Estado de São Paulo e propiciar a Sociedade Veteranos de 32-MMDC, entidade da qual somos sucursal oficial em Itapetininga, a expansão de seus trabalhos por meio da rede mundial de computadores, porquanto esses nucleos são 100% digitais, não possuindo, portanto, sede fisica e integrados são por pesquisadores da RC32 locais, que por meio da internet postam e divulgam os resultados de suas pesquisas históricas sobre esse que foi o maior movimento civico da história do Estado de São Paulo.
ROL) Nesse tempo de existência, o Núcleo conseguiu quais resultados positivos?

Nesses últimos cinco anos de fundação do núcleo MMDC, podemos citar as principais realizações a seguir: 1) o resgate e divulgação na rede mundial de computadores da memória e dos feitos das histórias de vida de dezenas de ex-combatentes voluntários e militares da Força Pública e do Exército Brasileiro em 24 municipios do interior do Estado de São Paulo, incluindo na capital. 2) A inauguração de oito monumentos em homenagem aos revolucionarios de 32 em quatro municipios históricos da região, a saber, Itapetininga, Buri, Capão Bonito e Campina do Monte Alegre. 3) A colocação de dezenas de placas de ex-combatentes em túmulos de cidadãos que vivenciaram essa condição na revolução e que sepultados estão em cemitérios de itapetininga e São Paulo. 4) A colocação de placas contendo QR Codes em túmulos de ex-combatentes que permitem acesso a história de vida desses cidadão via dispositivo movel, um trabalho realizado em parceria com a Fatec de Itapetininga, o Portal dos Ex-Combatentes de Itapetininga e com o Instituto Histórico Geográfico e Genealogico de Itapetininga. 5) A colocação de dezenas de placas comemorativas da condição de quartel general, hospital de sangue, enfermaria e quartel de tropas durante a RC32 nos predios do DER, E.E Peixoto Gomide, Loja Maçônica Firmeza, CRI, Clube Venâncio Ayres, Cemitério Municipal e no Tiro de Guerra de Itapetininga. 6) A realização de palestras e entrevistas em variadas entidades culturais locais e regionais. 7) A publicação de artigos, ensaios, livros acerca da revolução em variadas mídias. 8) A concessão de diplomas de honra ao mérito e medalhas em grau post mortem a ex-combatentes falecidos em combate e 9) A realização de dezenas de eventos comemorativos acerca da RC32 em Itapetininga e em outras cidades da região. Mais recentemente foi realizada a concessão de um banner contendo QR Codes que dão acesso ao histórico de vida dos jovens do MMDC ao monumento e mausoléu do Soldado Constitucionalista de 32 em São Paulo.

ROL) Como ele se mantém e quais as principais dificuldades que enfrenta? 
O núcleo não possui sede fisica e os gastos que possui são com relação a elaboração de honrarias, o que é rateado entre seus integrantes. Nossa maior dificuldade, contudo, é encontrar mais pesquisadores e entusiastas da causa que almejem realizar pesquisas, sair a campo, escrever e publicar textos sobre a epopeia de 32. É fundamental que os interessados em se juntar ao núcleo pertençam à Sociedade Veteranos de 32-MMDC e sejam 100% voluntários porquanto todo nosso trabalho de resgate e manutenção da memória dessa revolução é sem fim lucrativo algum e em absoluto voluntário.
ROL) Quais são os projetos que estão sendo desenvolvidos pelo Núcleo?
Em 2016 estão previstos o lançamento do Diário de Campanha do voluntário Clineu Braga de Magalhães, falecido em combate em Capão Bonito e a publicação da edição 100% digital da obra considerada a Bíblia da RC32, qual seja, Cruzes Paulistas, ampliada e revista com o apoio de alunos e professores de tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas da Fatec de Itapetininga.
ROL) Porque é importante preservar a história?

A cultura de um povo é o seu maior patrimônio, assim sendo, preservá-la é resgatar a história, perpetuar valores e possibilitar com que as novas gerações não vivam sob as trevas do esquecimento que está sempre a ameaçar a memória e os feitos das gerações passadas. Cabe a todo cidadão cultuar o seu passado para que possamos todos ter um referencial para o futuro.

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