Elza Francisco: ‘Sobre mineradoras’

30/01/2019 08:37

Admirados pelo povo,/ desfilam a riqueza,/ extraída do relevo./ Em nome do mercado,/ os olhos são fechados/ para a destruição.”

SOBRE MINERADORAS

 

Os donos …

Das mineradoras passam

soberbos,

soberanos.

Donos da terra,

parte do Planeta,

o nadinha do Universo,

a poeirinha do Multiverso.

Admirados pelo povo,

desfilam a riqueza,

extraída do relevo.

Em nome do mercado,

os olhos são fechados

para a destruição.

Voa a hesitação!

Quando o minério é escoado,

os passantes abrem alas,

para o descaminho desolado.

O barulho do silêncio chora,

com o meio ambiente,

passo a passo,  destruído.

O homem vai minando,

sem consciência,

a saúde da Terra e

da própria existência.

Não desperta o interesse

Dos que vivem a seu lado.

O azul da serra vai ficando lamacento,

a cor do pecado.

Vez por  outra , a chuva dá sinais

de que algum ato está errado:

despeja num só lugar,

as lágrimas empoçadas

nas nuvens desoladas,

que, de cima,  assistem

a serra destroçada.

Não há questionamento,

se a mineradora matou o rio,

símbolo da alegria do passado.

Há quem pense,

que o perigo mora longe,

mas não vê…

que ele caminha  bem ao lado.

O capital natural

vai sendo devastado,

com os aplausos e conivência,

das autoridades e dos poderosos.

A população,  com venda nos olhos,

não quer  acreditar

na  tragédia que pode chegar…

e  ecoar os gritos abafados,

das entranhas da Terra,

que geme o presente e o passado.

Elza Francisco

elza.francisco@uol.com.br

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