Elza Francisco: ‘Lavrinhas e a Revolução Constitucionalista’

09/07/2019 08:22

Elza Francisco

Lavrinhas e a Revolução Constitucionalista

Hoje, 9 de julho. No Estado de São Paulo, comemorações por todos os lados.

Paulistas empolam o peito e rendem homenagens aos Constitucionalistas.

Ah!…é tudo tão bonito, quando a história embasa os passos de hoje.  Deixar  a memória de lado,  causa tristeza a nossa alma.

Lavrinhas  foi palco da Revolução de 1932. Localizada entre o Rio de janeiro, São Paulo e Minas Gerais  faz divisa com Passa Quatro – MG , distante,  apenas,  cinquenta quilômetros da divisa com o Rio de Janeiro.

Morro do Santo Cruzeiro com a mata. Foto por Elza Francisco

Esta narrativa não pretende  prender-se  à precisão dos  fatos históricos, mas sobretudo  lembrar algumas nuances contadas na oralidade do povo antigo da cidade.

O morro do Santo Cruzeiro é o lugar onde os revolucionários faziam as trincheiras para se protegerem dos inimigos. Até pouco tempo, essas trincheiras eram visíveis. Hoje, um grande arvoredo tomou conta do espaço e formou uma linda mata. Assim,  a  cidade pode respirar o ar puro da montanha que esconde parte da história do Estado de São Paulo.

Prédio que abriga a Prefeitura de Lavrinhas – antiga Estação do Trem. Foto por Elza Francisco

Lavrinhas,   sedia o Colégio São Manoel, Salesiano de Dom Bosco, desde 1914. Foi construído para um Seminário Menor. Há alguns anos, o Seminário transferiu-se para a cidade de Jandira e ali foi instalada uma Casa da Canção Nova. Nesse Colégio está construída a Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora, Padroeira dos Salesianos.

Altar da Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora. Foto por Elza Francisco

Os antepassados de Lavrinhas contam  que, no período da Revolução de 1932,  um avião soltou uma bomba sobre a Igreja que protegia  a população dos embates revolucionários. A bomba caiu no altar de Nossa Senhora Auxiliadora e não explodiu.

Outro fato curioso e triste é contado pela Família Cordeiro. Dizem que o Patriarca da Família estava andando pela cidade, quando um avião das tropas federais, conhecido como vermelhinho, mirou e atirou na cabeça do senhor, matando-o imediatamente.

Brasão do Município. Foto por Elza Francisco

Lavrinhas tem no seu Brasão a figura de dois Voluntários do Exército Constitucionalistas, em homenagem aos fatos históricos ocorridos no Município.

No passado, a Secretaria da Cultura abrigava um vasto acervo sobre a história da participação do Município  na Revolução Constitucionalista, bem como homenagens aos filhos da Terra que participaram dos combates.

Lavrinhas é cidade conurbada com Cruzeiro, distante, apenas,  oito quilômetros  de Cruzeiro. E, Cruzeiro  é a Capital Estadual da Revolução Constitucionalista de 1932.

Identificação do Município na antiga Estação da EFCB. Foto por Elza Francisco

Em Cruzeiro, a Revolução Constitucionalista esteve presente com maior vigor. Grandes e sangrentos combates deram-se no Túnel da Mantiqueira, localizado na Serra da Mantiqueira. O armistício foi assinado na Escola “Arnolfo Azevedo”, no centro da cidade.

É preciso reafirmar que a história precisa ser ensinada aos nossos filhos. O resgate da memória é direito de todos os brasileiros.

 

 

Lavrinhas…

escondida ao pé da Mantiqueira,

segue silenciosa.

Banhada pelas águas intimistas do velho Paraíba,

guarda  a sua história,

perdida na memória,

sem jeito,

nem preconceito,

sob o horizonte

sem fonte!

A passarinhada canta.

A poesia chora!

 

Elza Francisco

elza.francisco@uol.com.br

 

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