Élcio Mário Pinto: ‘Um coração de escola’

04/03/2019 15:47

“Um coração de escola não é objeto que seu sujeito porta. Portar é guardar para si e, em algum momento, de tanto guardar pode querer jogar, jogar fora. Isto, aquele coração jamais faria. Ele não é um portador.”

Pode até não ser para só uma escola. Talvez seja para muitas. Quem sabe, todas! Porque um coração assim, tão aberto e sincero, tão apegado e repleto de vínculos, sente por muitas o que sente por uma, vê numa o que vê em todas e quer para todas o que quer para aquela do seu mais profundo sentir.

Um coração de escola não é objeto que seu sujeito porta. Portar é guardar para si e, em algum momento, de tanto guardar pode querer jogar, jogar fora. Isto, aquele coração jamais faria. Ele não é um portador.

A escola até pode ser feia, ter torneiras quebradas ou remendadas, um pátio de pedaços de piso e banheiro entupido. Ainda assim, será sua mais querida escola! E enquanto chora pelo seu estado de abandono, grita e denuncia para que quem deveria dela cuidar, faça-o agora, porque quem estuda não pode esperar tanto tempo para que as promessas sejam, quase nunca, cumpridas.

Quem prometeu consertá-la, viu muros e grades, paredes e lajes. Mas, para o coração de escola, a visão de crianças e jovens descobrindo um universo dentro de mundos, criando e recriando a Criação na imaginação e na vida, jamais aceitaria que tijolos frios fossem as medidas para o que se pode fazer na escola.

E, pode-se muito! Até nas escolas esquecidas por falta de um coração que as ame pode-se inventar, mudar e preparar as grandes descobertas da Humanidade. Nelas, quando vistas pelo coração, existem possibilidades. Talvez seja esta a palavra sinônima para escola.

Quando se está dentro das possibilidades, assim como no sábado à noite, tudo pode ser planejado, tudo pode ser realizado!

As realidades escapam do fechamento absoluto das paredes e do silêncio imposto. E assim, a escola também é uma forma de se rebelar contra aquilo que aprisiona a liberdade de ser.

O coração de escola vê possibilidades até dentro das condições que não existem. Falta tudo e mesmo assim, pode-se muito. Falta muito e mesmo assim, pode-se tudo. Salve o mestre Gonzaguinha!

E agora, o que nos cabe fazer em ritmo de emergência?

Precisamos fazer o encontro do coração de escola com as escolas. Quando se encontrarem, saberão o que fazer, a quem exigir, como tratar e criar a convivência sedenta pelos encontros e pelas descobertas, porque assim deveria ser o ambiente da escola. Para fazê-lo existir, só um coração de escola!

 

ÉLCIO MÁRIO PINTO – elcioescritor@gmail.com

04/03/2019

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