Élcio Mário Pinto lança seu 40º livro: ‘Cidinha, uma menina histórica!’

13/05/2019 21:49

O livro é uma homenagem à profª Drª Maria Aparecida Morais Lisboa, professora do autor na década de 80, na E.E. ‘Ivens Vieira’, de Angatuba

Profª Maria Aparecida M. Lisboa

O escritor e colunista do Jornal Cultural ROL Élcio Mário Pinto lançará seu 40º livro, ‘Cidinha, uma menina histórica!’, no dia 17 de maio (sexta-feira), às 20h, na E.E. ‘Dr. Fortunato de Camargo’ (R. Irmãos Basile, 527 – Centro – Angatuba/SP).

Trata-se de uma homenagem à profª Drª Maria Aparecida Morais Lisboa, professora do autor na década de 80, na E.E. ‘Ivens Vieira’ (Angatuba), que exerceu nele uma influência marcante, decorrente da dedicação e entusiasmo com que ela ministrava as aulas, características essas que o desafiavam, levando-o a desejar, um dia, exercer o Magistério, com a mesma dedicação e entusiasmo.

Este fato e outras faces literárias e educacionais de Élcio Mário Pinto são reveladas por ele, por meio da entrevista que concedeu  em 11 de maio de 2019 para Air Antunes, administrador do blog ONDA21, abaixo transcrita:

 

  • Um escritor com uma admirável fonte inspirativa que chega ao 40º livro lançado, em princípio, Élcio, este é um grande mérito, ou virtude, que logo salta aos olhos daqueles que o conhecem,      daqueles que já leram seus livros, enfim, o que você diz de sua trajetória literária.

ÉLCIO

Escola Fortunato por volta da década de 30

Minha trajetória literária começa com a escrita aos 8 anos de idade no então Grupo Escolar “Dr. Fortunato de Camargo”, em Angatuba, hoje, escola estadual. Mas, antes de ser alfabetizado eu já criava muitas histórias. Então, devo dizer que a Literatura, com ou sem a escrita,  estava em minha vida antes da escola. Depois de alfabetizado, realizei o sonho de escrever o que pensava e sentia. E assim, posso dizer que eu sempre escrevi muito, ainda que poucos soubessem na infância e na adolescência. Depois fui para as cartas. Escrevi muitas cartas para muita gente! Hoje, falar da escrita e da leitura, para mim, é como falar de alimento e descanso. Digo aos estudantes, que ler e escrever em minha vida é a mesma coisa que tomar banho, comer e dormir.

 

  • É natural que você sendo um filho de Angatuba, apaixonado pela sua cidade, encontre também uma inspiração maior na sua terra natal, mas você não se esquiva de galgar outros hemisférios, outras fontes, outras situações. A pergunta é a seguinte, você encontra mais prazer numa situação mais que na outra?

ÉLCIO

Vista aérea de Angatuba/SP

Você tem toda razão quando diz da inspiração na terra natal. Não posso negar que tratar de Angatuba acontece de um modo muito especial, diferente e próprio! Então, escrever sobre a minha cidade é compartilhar com os angatubenses e com todas as demais ‘cidadanias’, as riquezas da terra amada. Toda vez que estou em algum lugar e ouço alguém citar Angatuba, tenho uma espécie de “tremedeira” interna de entusiasmo e alegria. Como disse num outro lançamento literário que fizemos na “Fortunato” em 2018, realizando eventos literários em outras cidades e Estados, VISTO-ME de Angatuba para dizer do orgulho que sinto em compartilhá-la com todas as pessoas em tantos cantos. Por ela, minha terra natal, aprendi a valorizar as expressões culturais de outros lugares e por isso também me inspiro em outros hemisférios, outras fontes e outras situações como você muito bem citou!

 

  • A gente percebe que não apenas você escreve, como procura difundir aos mais jovens o gosto pela literatura, e também é perceptível em sua escrita uma profundidade didática que está ao alcance de qualquer nível de leitor. Como você vê hoje o interesse dos mais jovens pela literatura?

 ÉLCIO

Foto ilustrativa do artigo “Escola, cadê os escritores?”. No centro, em pé, Élcio Mário Pinto. Ao seu lado, a esposa e escritora Adriana Rocha

Adriana, minha esposa, diz que meus escritos são, essencialmente, didáticos e pedagógicos. Creio que minha vida profissional, na Educação, me conduza nessa direção para escrever. É por isso que sempre valorizei nos trabalhos escolares, por exemplo, a união de escrita autoral sem cópia, pesquisa em outros autores e entrevistas. É o que procuro fazer nos livros que publico. Quanto ao interesse de crianças e jovens pela Literatura, devo dizer que existe, mas é preciso incentivar, propiciar, promover e oferecer possibilidades. Veja só! Não se pode planejar jardins sem jardineiros, hospitais sem médicos, transportes terrestres sem motoristas, fóruns sem advogados, aviões sem pilotos. Mas, onde estão os escritores e poetas que deveriam circular pelas escolas? Como se pode pensar em escola sem escritores, poetas, pintores, escultores, enfim, profissionais de todas as Artes? Apesar da tecnologia é possível trabalhar com leitura e escrita, ainda que do modo tradicional, papel, lápis e caneta, além do teclado. O que não pode acontecer é manter a distância entre leitores e escritores. São agentes do mesmo meio, são polos de uma mesma linha que precisam se encontrar, conversar e conviver. Se os mais jovens, como você tão bem cita, não se aproximam da Literatura, da escrita e da leitura, cabe à família, como cabe à escola, oferecer oportunidades para que a aproximação aconteça. Escrevi três textos para o Jornal Cultural ROL de Itapetininga que faço questão de sugerir: “Escola, cadê os escritores?”, de 12/01/2018  (http://www.jornalrol.com.br/elcio-mario-pinto-escola-cade-os-escritores/) e “Tão perto da escrita, tão longe dos escritores”, parte I em 26/08/2017 (http://www.jornalrol.com.br/elcio-mario-pinto-tao-perto-da-escrita-tao-longe-dos-escritores-1-a-parte/) e parte II em 02/11/2017 (http://www.jornalrol.com.br/elcio-mario-pinto-tao-perto-da-escrita-tao-longe-dos-escritores-2a-parte/). Nosso trabalho como pessoas da escrita e da leitura – família e escola – pela Literatura, deve ser de incentivo e insistência!

 

  • No ano passado você participou da Bienal Internacional do Livro, isso é um motivo de orgulho não apenas pra você como para todos os angatubenses que gostam de ver a cidade se projetando positivamente, qual é a sua opinião sobre a falta de espaço na mídia, e mesmo a falta de eventos, para a literatura?

ÉLCIO

Minha primeira participação na Bienal Internacional do Livro em  São Paulo, capital, aconteceu em 2014 com o livro “A Fonte”. Em 2018, a segunda participação aconteceu com o livro “Bilo: a salvadora de livros!” Ambas com a Scortecci Editora. Os espaços oferecidos à Literatura não são suficientes, principalmente quando o escritor ou poeta não é famoso, isto é, não passou pelos programas de televisão. Então, é possível criar espaços, como acontece com o Sarau de Angatuba, comandado por Lucio Lisboa, que conta com nosso apoio.

Como dizia, se os espaços são poucos, vamos criá-los pelos saraus, encontros, declamações, convites a escritores e poetas para que se apresentem, enfim, momentos pensados para divulgar a Literatura pela valorização da escrita e da leitura. Pode-se pensar e planejar ações semelhantes com todas as artes, privilegiando artistas locais na valorização do que produzem.

Por isso é necessário participar de um lançamento literário, uma roda de conversa poética, coral, apresentação musical – diversos gêneros e instrumentos – para cativar o público e oferecer alternativas. São ações que a Administração pública pode realizar, como também, as escolas e as pessoas de boa vontade.

 

  • A curiosidade de uma grande maioria das pessoas sobre um escritor é sobre o que ele lê além dele próprio, em quem ele se inspira ou em quem já se inspirou, enfim, quais são suas preferências na literatura brasileira, na literatura de outros países… Pois, então, o que me responde o escritor Élcio?

ÉLCIO

A inspiração, para mim, acontece em lugares envolvendo pessoas.  Às vezes, uma frase escrita desencadeia todo um livro. Pode acontecer com uma fala ou uma ideia, também. Escrevendo, inspiro-me em diferenças, porque em relação a cada autor, temos motivos diferentes, estamos em lugares diferentes e convivemos com pessoas diferentes. Mas, reconheço que saber da sensibilidade de outra pessoa que escreveu quando esteve em tal lugar e conviveu com tais pessoas, isso sim, me inspira.

Quando a Profª Lucia Penatti me disse para ler o livro  “O menino do dedo verde” do autor francês Maurice Druon, digo e repito, que aquele livro mudou a minha vida! Assim também posso dizer do escritor Jorge Facury e seu livro “O Carvalho”. Sou fã da poeta  Flora Figueiredo; da escrita minimalista de Bosco da Cruz e do autor de “Onde Moram os Tatus”, Ivan Camargo, de Tatuí.

Já antes de ir para o Seminário, minha admiração se concentrava em Paulo Freire, um marco para a Educação no Brasil, homem completo em seriedade e dignidade, dedicado ao ensino como liberdade e libertação. No Seminário, conhecendo a Teologia da Libertação, aprendi a admirar Leonardo Boff, que me ensinou a enxergar em cada pessoa sofrida, a vida, dom de Deus e que, às vezes, é negada por poderes que concentram, dominam e excluem. Unindo o que capto de sensibilidade dos autores aos acontecimentos e às pessoas que observo, como fizeram Albert Camus, escritor e filósofo franco-argelino e Pablo Neruda, grande poeta chileno, também cito Ariano Suassuna, autor do “Auto da Compadecida”, que valoriza sua terra e sua gente. Sou seu leitor e fã, sou seu admirador! O que Ariano dizia e escrevia pensando em sua Taperoá, Estado da Paraíba, procuro dizer e escrever sentindo nossa Angatuba no Estado de São Paulo. Para você Air Antunes, que é jornalista e que gosta de um “furo”, quero adiantar: tenho outro livro pronto para homenagear Angatuba. Poderia ser em março de 2020. Que tal? Um outro “furo” que confio a você é este: o livro “Cidinha” volume 2, já está em processo de escrita.

 

  • Élcio, como última pergunta, gostaria que você falasse de “Cidinha: uma menina histórica!”, que será lançado na sexta-feira,  dia 17 de maio de 2019. O que você tem mais a dizer? 

ÉLCIO

O lançamento acontecerá na “Fortunato” às 20h. Falar de “Cidinha” é dizer de como aconteceu comigo: o prédio da escola, que é de 1925,  é uma genuína fotografia de Angatuba, a começar pelas gerações que lá estudaram. Toda vez que estou na “Fortunato”, o Tempo me transporta para o passado e é assim que passeio por aqueles corredores e por aquelas salas, todos participantes da minha infância e da infância de milhares de crianças angatubenses; também crianças de outras cidades e outros Estados. Como gosto muito de falar da escola que me ensinou a ler e a escrever – a ela agradeço todos os dias pelas duas coisas – pensei em unir ao seu histórico uma homenagem, que é merecida,  à Profª Maria Aparecida.

Foi assim, que naqueles corredores “enxerguei” a menina Cidinha, com 7 anos completos, caminhando, correndo e conversando por todos os espaços internos e externos do prédio.  Comecei a escrever imaginando a criança na sala de aulas com a professora. Das conversas com Maria Aparecida descobri que era a sua própria mãe, dona Eulina. Depois descobri a enorme amizade entre  Maria Aparecida e Lurdinha – falecida esposa do Dr. Ramiro Ferreira – que fiz questão de destacar no livro. Para apresentá-lo, preciso falar da grande homenageada: MARIA APARECIDA. Ela foi minha professora na década de 1980 na Escola Estadual “Ivens Vieira”. Sua dedicação e seu entusiasmo me desafiavam e eu pensava: também quero ser assim! Nela eu me inspirava para estudar e escrever. Sua paixão pela História foi um verdadeiro espelho! Tornou-se motivo e razão para a minha paixão pelas Ciências Humanas, como se dizia. Minha outra paixão era e é a Língua Portuguesa. Mas, os caminhos da vida nos separaram. Fui estudar em Sorocaba e São Paulo. Ela foi para Campinas; fez mestrado e doutorado na UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas.

Fomos nos reencontrar em 2013, exatamente, no dia 23 de novembro. Nesse dia, eu lançava meu primeiro livro: “Cronicranças 1 – Crônicas para crianças – perguntanças e resposteiras”. Meu irmão Beto fez-me uma inesquecível surpresa: levou a Profª Maria Aparecida e a  Profª Lucia Penatti para o lançamento. Quando pude vê-las, minhas pernas tremeram e a emoção foi “demolidora”. Ali, eu me senti reconhecido e valorizado! Depois disso, os contatos foram retomados, até que em 2016 pedi a ela que fizesse o prefácio do livro  “Pererezadas: jeito sacizeiro de ser” – sobre o Saci-Pererê. Em seguida,  os contatos se intensificaram com conversas e visitas em sua casa.

Ela também me ajudou com uma entrevista para o livro “Alma-de-gato: protegendo os vivos”, em homenagem à nossa terra, que lançamos em 17/12/2017. E agora, detalhando o livro “Cidinha: uma menina história!”: conta com dedicatórias, homenagens e agradecimentos. Destaco Maria Aparecida, sua família e seus pais, Levy e Eulina.  Faço homenagens ao patrono Dr. Fortunato Martins de Camargo;      ao 1º Diretor do Grupo Escolar, Orestes Óris de Albuquerque e ao  1º Bispo da então Diocese de Sorocaba, Dom José Carlos de Aguirre,  que aparece no livro visitando Angatuba em 1950. Os agradecimentos são apresentados nesta ordem: Adriana, prefaciadora; meus irmãos  Beto e Lena; Prof. César, Maria Mércia Lisboa, Air Antunes,  Nando Ferreira, Pedro Otávio Hernandes Rochel, Nádia de Fátima da Silva e ao atual Diretor da Escola Estadual “Dr. Fortunato de Camargo”, o Prof. João Luiz Rodrigues. Cabe destaque para os autores do Hino de Angatuba, João Tizamba Nogueira (letra) e Antônio Lisboa (música).

São 12 capítulos que unem fatos e ficção, desafiando o leitor para distingui-los. Afinal, seria possível tal coisa? À pergunta, devo responder que sim e mesmo assim, pode ser só ficção e desejo. Quem disse que a Realidade é só o que vemos e sentimos acordados? Além de uma valiosa entrevista com a grande homenageada, Maria Aparecida, Mércia Lisboa fala do maestro e Siles (Alcyr Nogueira) fala de Tizamba. Fiz questão de colocar uma preciosa declaração de amor à querida Angatuba, nas palavras da bióloga responsável pelo Centro de Educação Ambiental da Estação Ecológica de Angatuba, Bárbara Heliodora Soares do Prado. Fiz a transcrição da gravação de sua fala quando da inauguração daquele espaço em 10/03/2018. Dados, números e fotos são oferecidos como verdadeiro deleite para quem quer saber de detalhes dos ambientes que motivaram o “nascimento” deste livro. Enfim, concluo com uma carta de Maria Aparecida para a menina Cidinha. O original manuscrito foi digitalizado para preservar o momento histórico. As ilustrações são de Caique Ferraz, estudante do 2º ano do ensino médio na Escola Estadual “Dr. Júlio Prestes de Albuquerque”, o “Estadão”, de Sorocaba.

Para os apoios culturais, contamos com: Primeira Câmara de Mediação e Arbitragem de Itapetininga e Região – LEXMEDIARE Ltda.; Jornal Cultural ROL, de Itapetininga; Fotos J.J. e Crearte Editora, ambos de Sorocaba. Para concluir, devo dizer que trata-se, para mim, de um dos melhores conteúdos que já produzi. Tinha que ser para Angatuba! Tinha que ser para Maria Aparecida!

 

 

 

 

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