Élcio Mario Pinto: ‘Cabelo-ruim’

11/11/2016 16:52

dsc_3743-copy Élcio Mario Pinto – CABELO-RUIM

– Mãe, o que é cabelo-ruim?

– Quem foi que disse tal coisa a você?

– Ouvi na escola.

– Disseram do seu cabelo?

– Não, só ouvi.

– As pessoas têm muitos tipos de cabelos. Existem cabelos encaracolados, lisos, curtos, compridos, de várias cores e tamanhos, enfim, muitos tipos.

– E o cabelo-ruim é um tipo?

– É o que algumas pessoas dizem desse tipo de cabelo. Você está vendo?

– Estou.

– Dizem que é ruim porque é difícil de pentear.

– Mas, não é verdade.

– Como você sabe?

– Ora, mãe, é só usar um outro tipo de pente.

– Muito bem! Então, pode existir um tipo de pente para cada tipo de cabelo.

– Será que quem diz que o cabelo é ruim não conhece outros tipos de pente?

– É bem possível! Talvez porque a pessoa só goste de um tipo. Mesmo que seja um direito dela gostar daquele pente, não quer dizer que quem usa um outro modelo não tenha um bom cabelo.

– Eu entendo, mãe. Se fosse assim, então, para todas as pessoas que não usam outro modelo, diriam que todos são para cabelos ruins, menos o dela.

– Se for assim, cada um, com seu pente, discriminaria todos os outros que são diferentes.

– Diferença é coisa boa, não é?

– Diferença deve ser respeitada! O que não pode é excluir as pessoas porque são diferentes. Isso não faz o menor sentido.

– Então, não existe cabelo-ruim?

– Não, não existe. O que existe é que tal penteado fica melhor naquele cabelo do que neste, assim como uma cor fica melhor ali e não aqui. Esse julgamento de ruim é discriminatório e por isso, ele é que é ruim.

– Valeu, mãe!

Élcio Mário Pinto

10/11/2016

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