Eduardo César Werneck: ‘Uma foto, e muitas histórias…’

05/12/2018 13:52

… sei exatamente onde ele foi preso (ele me contou); e também sei, qual a família o entregou (ele não quis contar detalhes)… passou…”

Convivi com “um” herói da Revolução Constitucionalista de 1932 por muito pouco tempo…

Nasci em 1961 e quanto a ele, faleceu em 1984… que pena !

O herói ? Meu avô – Octacílio de Souza Werneck – que lutou nas trincheiras de Queluz, Pinheiros, para depois ser preso na cidade de Lorena, em denúncia de um morador da própria cidade onde morava.

Sei exatamente onde ele foi preso (ele me contou); e também sei, qual a família o entregou (ele não quis contar detalhes)… passou…

Se eu tivesse à época o pensamento de hoje teria registrado tudo o que me falou (e não foi pouco) sobre sua participação naquela guerra.

As histórias sobre os momentos iniciais em Cruzeiro servindo sob a “batuta” do capitão Novaes (Neco); a explosão da ponte da Paraíba e a fuga de Queluz; o dia a dia nas trincheiras (principalmente em Pinheiros); o momento da prisão em Lorena; o tempo preso no Rio de Janeiro foram por diversas vezes a mim relatada.

Ele não deixou nada escrito… nenhuma palavra…

Também não guardou um objeto sequer daquela experiência pela qual passou…

Ficou uma mágoa com o Exército brasileiro, pois foi tratado como um inimigo e, assim, sua vontade de seguir em frente e se tornar sargento “de golinha” como ele falava, foi bruscamente interrompida.

O ditador Vargas anistiou muita gente, ele não teve esta chance !

De sua passagem por aquela vida ficaram algumas poucas fotos, aqui apresentadas, umas poucas medalhas (que eu as guardo), muitas lembranças e uma eterna saudade…

Quem sabe um dia nos reencontremos !

O cabo Octacílio de Souza Werneck é o terceiro da esquerda para a direita, em foto de 1932 e colorizada por Robson Siqueira.

 

O herói Octacílio de Souza Werneck poucos antes de seu falecimento na cidade de Lorena

 

Aqui, o herói (apontado na seta) sendo homenageado

 

Um momento sublime: o herói de 1932 – Octacílio de Souza Werneck – carrega em seus braços o autor desta crônica. Ano de 1962, na cidade de Lorena (SP)

 

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