Eduardo César Werneck: Um Brasil que não existe mais…

29/07/2019 09:15

Eduardo César Werneck

…Pois bem, visitei todas estas regiões quando da pesquisa para o livro “Marquês de Paraná”… que tristeza… não vi Rugendas…”

Johann Moritz Rugendas no Brasil (1822 – 1825) – Porto do Estrella

O que restou do passado?

Onde estão as pessoas… as casas… os animais… a natureza… enfim, a vida pujante daqueles indicados no quadro do alemão Johann Moritz Rugendas?

Vendo o “Porto do Estrella” dá um nó na garganta…

A belíssima pintura no traz a evidência do que outrora foi esta região. Próxima ao Marco Zero da Estrada Real, e ao lado do Rio Inhomirim, era um entreposto importante, e caminho natural, a partir do Rio de Janeiro (passando pela Baía da Guanabara) desembarcando neste porto, e em seguida, pelo “caminho de cabras” como reverenciado por Honório Hermeto Carneiro Leão (o Marquês de Paraná), para seguir rumo a Minas Gerais…

Rio Inhomirim… em Magé (RJ)… em local deveria estar o Porto de Estrela

Nada fácil!

Depois iria melhorar, pois um homem de grande visão – Barão de Mauá – iniciaria a Revolução Industrial no Brasil, com a locomotiva… os trilhos… o trem… que dali, da Estação de Fragoso (em Magé) chegaria a Petrópolis…

Pois bem, visitei todas estas regiões quando da pesquisa para o livro “Marquês de Paraná”… que tristeza… não vi Rugendas… nem os cavaleiros do quadro… nem mesmo o Rio (então vivo) Inhomirim porque o homem já o havia matado…

A “casa” das Três Portas… Inacreditável

Quase implorando… mesmo que sem vida, apenas alguns escombros da “Casa de Três Portas”… e nada mais…
O marco zero esta lá… bem abandonado… sem nenhuma perspectiva de adoção…

O lugar todo mete medo!

A região toda nos traz a sensação da violência de todo tipo!

Desta Estação – em Mauá – teria início a Revolução Industrial no Brasil, com a “Baronesa” chegando até Fragoso (e mais trade até Petrópolis)… 14,5 km… 20 minutos… o primeiro grande passo !

Se o alemão Rugendas colocou muitas cores para descrever e eternizar o local… se vivo fosse, poderia jogar muitas delas no lixo, pois sobrou quase somente, o marrom (quase preto) do abandono… da degradação… da poluição daquele encantador local, que recebeu um dia (por muitas vezes) comitivas ilustres… até D. Pedro II, mesmo porque era o meio mais simples, antes do trem, a partir do Rio de Janeiro para as valiosas “Minas Gerais”…

Marco Zero… zero de conservação !

Degradamos tudo… esquecemos tudo… e agora, de tudo só restou o quadro, e algumas poucas lembranças…

É assim a vida, no presente, para quem se esquece do passado, pois o futuro depende, e muito, do agora…

 

Eduardo césar Werneck

drwerneck@uol.com.br

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