Eduardo César Werneck: ‘Quebraram a Jules Rimet…’

21/01/2019 20:52

“Sempre joguei em times sofríveis. Claro, todo mundo sabia na escola que os times eram ‘meio’ que’arrumados.'”

Quando falo dos campeonatos de futebol do INSA, na verdade, o que acontecia nos campinhos de trás da escola, (em número de três!)… eram “verdadeiros” torneios.

O campo já era uma piada. Não era o espaço organizado que hoje lá existe, ao contrário, o mesmo tinha o formato de um trapézio retângulo, porque naquele tempo passava um córrego (ou esgoto?) a céu aberto, dividindo o terreno que existia atrás da escola.

Tudo ocorria no período da manhã de um sábado, de tal forma que por volta do meio dia, já havia um campeão.

Sempre joguei em times sofríveis. Claro, todo mundo sabia na escola que os times eram “meio” que“arrumados”. Por exemplo, os times do “Sanhaço”, o apelido de um menino (hoje um coroado Professor universitário) e que lá estudava, sempre era dos melhores. Ah… havia o time do Pe. Hamilton, mas este era para poucos…

Em meu time havia o Elache (Carlos Alberto) no gol, o Duque (infelizmente já falecido) na linha, também o Vladimir (ruim de bola…), e mais não me lembro de ninguém!

Nunca joguei com o Waldir (Bastos), Cebola (primo do Waldir), e raramente com o Camilo, Vianna, etc…
Eu nunca joguei em grandes times!

Em um dos torneios, porém, o Cláudio Roberto Maia estava sei lá porque, em meu time. Ele era craque… e dos melhores. Então, o impossível aconteceu!

Toda vez que vejo estes comentaristas falando em “nó tático”, “trocar uma peça”, e coisas do tipo, tentando dar ao futebol aparência de videogame, logo vem esta lembrança, porque meu time era muito ruim mesmo, e, apesar disso, vencemos o primeiro jogo.

Com o torneio sendo eliminatório e com hora para acabar, a sequência de jogos foi tendo cada vez mais, menos tempo de jogo. De sorte que ficou para o último jogo, somente SETE minutos. Justamente, o que seria a GRANDE final. Se não desse iria para os pênaltis, mas o Maia não deixou… marcou o gol salvador que nos deu o título.

Enfim, o time que, naquele dia, por coincidência jogava com a camisa amarela da seleção brasileira, foi o campeão. O ímpeto na comemoração foi estupendo, até porque nosso time jamais conseguira este título. Eu mesmo só me lembro de dar volta olímpica naquele único dia em minha vida escolar!
Mas sonho de pobre dura muito pouco…

Que castigo!

Pouco acostumado à prática da comemoração, os jogadores saíram dando a volta no campo de trás para comemorar o título, e ao mesmo tempo, todos querendo pegar o troféu. Uma confusão! Muito justo! Porém, isto criou um problema, pois na briga para ver quem pegava por mais tempo o troféu, acabamos por quebrá-lo, é mole?

Resultado…

Fomos desclassificados e retiraram o nosso título, devido aos prejuízos “imensos” causados ao futebol, pois quebramos a nossa “Jules Rimet”… que piada…

Eduardo César Werneck – drwerneck@uol.com.br

 O campo de “trás” do INSA se dividia em três e o córrego que passava a céu aberto definia limites.

 

A entrada do INSA-ORATÓRIO em Cruzeiro (SP). Aqui passei muitos dos dias mais felizes de minha vida.

 

Carlos Alberto Torres  ergueu a “Jules Rimet” no México, em 1970. Nós a “quebramos” em Cruzeiro logo depois…

 

Essa rua (Francisco Novaes) até hoje me causa arrepios… saudades que dói..