Eduardo César Werneck: ‘Erro histórico clamoroso…’

20/05/2019 11:22

Eduardo César Werneck

…entre requebros de maxixe e fraudes eleitorais, em ambos os lados da disputa, os ‘aliancistas’ (em verdade golpistas) deram votação maciça ao ditador Vargas…

Há cerca de dois anos estive em Itapetininga. Fui para conhecer e ver uma coisa e me impactei com outra. Por isto, gosto de ao pesquisar um tema histórico, conhecer as pessoas que habitam determinado espaço. Com elas procuro me interagir, e claro, sentir o local. Andar pelas ruas. Assim, aprendemos bem mais que o planejado! Duvida?

Itapetininga em meu projeto inicial tinha um objetivo: estabelecer algum contato; pois na Revolução Constitucionalista (de 1932), naquilo que seria chamado de Setor Sul, bem aos arredores dali, nossa guerra findaria. Tudo começará em Itararé, e vagarosamente, nosso Exército composto em sua maioria nesta região por voluntários, sofreria seguidas derrotas (FOTO 1)…

Durvalino de Toledo – o “Cabo Blindado”

No entanto, páginas de orgulho! O “14 de Julho” foi um exemplo… também, o “Cabo Blindado” (aliás, o itapetiningano Durvalino de Toledo)… Antenor de Oliveira Mello Jr. seria outro… e os Prestes?

Antenor de Oliveira Mello Jr – Herói em 1932

Pois bem, Julio Prestes – o dr. “Julinho” – ao lembrá-lo logo vem em mente a questão: o que seria deste país se ao invés de colocar no poder em 1930 um ditador – Getúlio Vargas – tivesse colocado Júlio Prestes, que duplicou o número de escolas em seu período como governador? Ninguém quis saber…

Em 1930, com o “Rei Momo” disputando atenções com eleições, entre requebros de maxixe e fraudes eleitorais, em ambos os lados da disputa, os “aliancistas” (futuro golpistas) deram votação maciça ao ditador Vargas em Minas Gerais e Rio Grande (do Sul), com o restante da federação consagrando o candidato de Washington Luís. Este cansou do “café com leite”…

Júlio Prestes venceu por diferença superior a 400 mil votos (os perdedores não reclamaram… preferiram organizar um golpe… o primeiro de muitos!).  Precisamente, o vencedor teve 1.091.709 votos de um total de 1.890.524 de votos válidos. Nada disso importou. Tomaram um cadáver (João Pessoa), que era vice na chapa perdedora e incendiaram o ambiente com um golpe para repor o Brasil no caminho do “estado de direito”. Piada…

Nem um e nem outro… Washington Luís seria deposto, preso e exilado, e Júlio Prestes teria sua carreira política destruída… assim, agem os ditadores…

O mais triste, é que Julio Prestes, presidente eleito, em eleições democráticas jamais tomará posse, e por conta disto até hoje a sua fotografia não consta na lista de ex-presidentes (desta República…). Alguém poderá dizer: mas, ele não assumiu! É verdade… então pergunto, e o ditador Getúlio, em 1930, ganhou o quê? 

Quer pior… Tancredo Neves (“mais ou menos eleito” por um colégio eleitoral) nem tomou posse, e rasgando a Constituição, deram posse ao vice – José Sarney – e ambos hoje constam como ex-presidentes…

Enfim, no Brasil vale tudo, e de golpe em golpe, rasgando constituições e descumprindo eis, chegamos aos nossos dias atuais… que pena! Então, ao invés de “bota o retrato do velho outra vez” (samba da época, em 1954…), cumpra-se a lei!

 

Eduardo césar Werneck

drwerneck@uol.com.br

 

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