Eduardo César Werneck: Beque que se preze não ganha o Belfort Duarte…

01/10/2019 10:37

Eduardo César Werneck

“… o engenheiro Belfort Duarte foi assassinado pelo Sr. Luiz Monteiro de Sá Freire, no dia 27 de novembro de 1918. A história é estranha…”

O zagueiro Moisés do Vasco da Gama (RJ)

A expressão, atribuída ao ex-jogador Moisés zagueiro do Vasco da Gama (RJ) e já falecido, é meio machista… meio truculenta… e meia verdade… afinal, Moisés não foi tudo isto na zaga…

Mas cabe uma história aqui…

Belfort Duarte… e o América (“Ameriquinha”). Ambos, Belfort Duarte e o América, têm histórias confundidas e intimamente ligadas. O club foi um dos fundadores da primitiva Liga Metropolitana e o primeiro a visitar o estado de Minas, em 1912 !

Foi Belfort Duarte, entre outras coisas, que fez a tradução das regras do foot-ball para o português, por isto, em um imbróglio ocorrido no match Torre x Náutico pela Liga Pernambucana, foi aconselhado ao referee desse encontro que o melhor a fazer seria o de “comprar um livro do Belfort Duarte”.

O half-back Belfort Duarte representante de uma época diferente deste Sport…

Mas, seria inexplicavelmente assassinado, com o responsável absolvido pelo júri por provar-se a ação ser em legítima defesa. Luiz Monteiro de Sá Freire que se achava preso, preventivamente em Resende, foi suspenso de seu trabalho da diretoria de Estatística pelo próprio ministro da Agricultura pelo assassinato Belfort Duarte. O engenheiro Belfort Duarte foi assassinado pelo Sr. Luiz Monteiro de Sá Freire, no dia 27 de novembro de 1918, em Resende. A história é estranha…

Segundo o apurado, após “ligeira discussão com Sá Freire, ameaçou-se de ir ao núcleo arrancar, na sua presença, inhames pertencentes ás terras do mesmo, e, exaltado aproximou-se de Sá Freire, fazendo menção de puxar do revólver de que estava armado. Não tendo tempo de sacá-lo por ter Sá Freire sido mais rápido. Sá Freire o feriu mortalmente. Este foi o fato afirmado por três testemunhas presenciais, sendo apenas contestada, por Manoel Antônio de Souza, que no dia do delito, era hóspede de Belfort, testemunha essa qu e, entretanto, afirmou estar o referido engenheiro armado de revólver”.

O prêmio “Belfort Duarte”…

Sem dúvida, pela violência do ocorrido, um fim imponderável para alguém tido como correto, com gestos de urbanidade e retidão dentro dos campos do foot-ball, podendo mesmo ser afirmado que o personagem pouco tem a ver com o enredo deste drama.

Mesmo assim, seu nome será eternizado no foot-ball exatamente pelo oposto desta história. Assim, receberá o “Belfort Duarte”, instituído pelo Código Brasileiro de Futebol em 1945 e oferecido a partir de 1946, o jogador profissional, ou, amador que passasse dez anos sem ser expulso, tendo jogado pelo menos 200 partidas nacionais ou internacionais.

E ele, ficou sem o “Belfort Duarte”…

 

Eduardo César Werneck

drwerneck@uol.com.br

 

 O prêmio “Belfort Duarte”…
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