Eduardo César Werneck: ‘1932, o maior movimento militar do século XX (no Brasil)…’

07/07/2018 17:28

 Coincidência ou não, o fato de nas cidades de nosso estado não vingar nome do ditador Vargas para quase nada…”

 

Nas gélidas paisagens paulistas (ao sul, ao norte, a leste ou a oeste), e amparadas sobre o manto do inverno, o Brasil escreveu uma triste história, que muito se esforçam em esquecê-la!

1932… aconteceu queiram ou não…

E muitos (nela) morreram!

Na noite de ontem, em um curto tempo tentei mostrar isto a uma boa plateia, presente no Museu Major Novaes. Disse no momento que o respeito deve existir sempre, principalmente, pela população que abraçou a causa, representada nos mais de 100 mil voluntários que se apresentaram, nos diversos fronts de guerra, além do sem número de pessoas que na retaguarda fizeram de tudo para que a causa pudesse persistir.

Aos políticos, o papel sempre subalterno… os de ontem são iguais aos que conhecemos hoje (só de curiosidade, nem prefeito, presidente da Câmara, e NENHUM vereador se fizeram presentes!). Em nada mudaram…

Claro, que ao olhar atento não escaparão as terríveis falhas no planejamento militar, bem como, à má costura política engendrada, a tal ponto, que São Paulo se viu só. Abandonada pelas demais unidades da federação, enfrentará um adversário com um arsenal de guerra mais completo, e em várias frentes de guerra.

Não à toa, desde o primeiro momento, a geografia dos movimentos desta guerra evidenciará a série de recuos necessários para prosseguir na luta. Do outro lado, um ditador – Getúlio Vargas – e seus sequazes (sempre existem) utilizando-se de todo tipo de manobra (às vezes criminosa…) e informação maldosa (ainda há quem acredite na tese separatista…) com o objetivo de vencer uma guerra a qualquer custo.

Vencerão, mas não levarão…

Coincidência ou não, o fato de nas cidades de nosso estado não vingar nome do ditador Vargas para as grandes avenidas e outros tantos mais logradouros públicos. Como recomendado á época, não esquecemos.

Foi o maior movimento militar da história recente no Brasil, com as maiores perdas para ambos os lados, e se não conseguiu atingir plenos objetivos de interromper a carreira ditatorial, então em construção, do chefe do “governo provisório”, ao menos, serviu para que ficasse bem claro: 1930 foi um golpe, e se 1932 não existisse o tal “provisório” estaria até hoje…

Na atualidade há plena consciência de que algo precisava mesmo ser realizado. O “carro da revolução” não deve ser constantemente movimentado, porém há momentos na vida de uma nação, que alguma coisa precisa ser feita!

Ficaram os heróis em nossa memória… MARIA SAGUASSÁBIA, ALDO CHIORATTO, ROMÃO GOMES, PAULO VIRGÍNIO, EUCLYDES FIGUEIREDO, OCTACÍLIO DE SOUZA WERNECK, DR. FRANCISCO NOGUEIRA DE LIMA, DURVALINO DE TOLEDO, NATAL MEIRA BARROS, além de tantos outros; como também figurarão os controversos, assassinos, traidores (e até ladrões), como Adriano Marrey Jr., Raul Pacheco Chaves, Neves da Fontoura, Herculano de Carvalho, Ascendino d’Ávila, Flores da Cunha, Ayrton Teixeira Ribeiro, Juvenal Bezerra Monteiro, Raymundo Gerônimo Monteiro, Roque Eugênio de Oliveira e Ascendino Gomes da Silva Dantas, e ENORME lista…

Afinal, cada qual escreve sua biografia como deseja, e a história apenas registra para a eternidade seus atos…

Eduardo César Werneck – drwerneck@uol.com.br

Durante apresentação do livro – A Guerra de 1932 – no Museu Major Novaes

 

A bela plateia presente

 

Ao lado dos amigos Gui Machado e Rogério Martins antes da reunião

 

Com a diretora do Museu Major Novaes, a profa. Claudia Ribeiro

 

Com o livro – A GUERRA DE 1932 – em mãos

 

Visão panorâmica da plateia durante a apresentação de ontem (06/07)

 

 

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