Cláudia de Almeida Carvalho: ‘O encontro marcado’

02/12/2017 00:01

“Não era na suavidade da beleza dos jardins exuberantes de Monet, entre flores que expressavam deslumbrante composição poética com suas variações de formas, coloração e perfumes, que se daria aquele encontro.”

 

Não era na suavidade da beleza dos jardins exuberantes de Monet, entre flores que expressavam deslumbrante composição poética com suas variações de formas, coloração e perfumes, que se daria aquele encontro.

Era em tempo e terra muito mais distantes, sussurrar da conspiração das estrelas no esplendor do universo.

Enganava-se, porém, o cavaleiro quando entendia que seu tempo se havia já exaurido para o embate que lhe foi posto.

O certo não era outro momento senão aquele, o momento do encontro daquelas almas.

O encontro não foi marcado quando nos conhecemos, mas quando, de repente, nos reconhecemos com um novo olhar, trazido para dentro dos nossos olhos e destes refletidos num raio de luz em direção àquele que pudemos ver então, à nossa frente, como a própria imagem da nossa essência.

O encontro marcado de almas no momento exato de compreensão de nós mesmos.

Obra do destino ou escolha heroica, o cavaleiro seguiu para sua missão de resgate.

Chegou o cavaleiro às muralhas de um vale sombrio, tão sólidas e resistentes, cuja vida ali confinada se esvaia sem, contudo, qualquer oposição, posto que o sol a encobriu por completo e por muito e muito tempo,  e  lá , o cavaleiro se transmutou em  guerreiro .

Guerreiro da mais árdua luta, revestido de pesada armadura e com as armas que então tinha em punho, destruiu as muralhas que fechavam aquele mundo, resgatando o amor da escuridão ao submergi-lo à luz, rompendo para todo e sempre aquele vale inóspito, permitindo assim que a explosão de vida ocupasse novamente o seu lugar.

Os pulmões, assim extasiados então pelo ar abundante que finalmente podiam sentir, se expandiram por ressuscitar toda a alma que se parecia perdida.

Cumprida a missão heroica, o grande guerreiro, com lágrimas nos olhos a lhe atestar a bravura, desejou partir.

Foi interrompido, num gesto, pelas mãos em súplica do amor, mas a estas recusou.

E o amor, para lhe seguir, se despiu de toda a fragilidade humana e quis se tornar também um guerreiro, entretanto, investido em nova roupagem que outrora já conhecia, mas que até então pensava que não mais lhe servia.

Revestido, assim, dessa armadura que, embora protegesse seu corpo da luta não o faria mais temer a batalha, o amor assumiu-se uma Guerreira Amazona em todo o seu esplendor.

E pelos prados, nem sempre verdejantes da vida, passaram os dois a defender guerras de reinos distintos, se encontrando, por vezes, em batalhas irmãs, onde lutavam lado a lado, com seus corações em uníssona sintonia, mas agora para sempre juntos pela eternidade.

 

Inspiração Poética de 14 de setembro de 2017.

Cláudia de Almeida Carvalho – claudiacarvalho.oab@gmail.com

 

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