AFRÂNIO MELLO Itapetininga/SP

INFORMAÇÕES SOBRE AS FAMILIAS MIRANDA E ARRUDA

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ATENDIMENTO NÚMEROS 373 E 374


A leitora escreveu para o genealogista:

Caro Sr. Afrânio
Escrevo-lhe por recomendação do Helio Rubens de Arruda e Miranda, meu primo.
Estou levantando dados dos antepassados da família e gostaria de saber se o senhor tem como me dar indicações.
Nossos avós foram: Francisco Antonio de Miranda e Emilia Etelvina de Arruda e Miranda.
Gostaria de ter datas de nascimento e morte, assim como nomes e datas de nascimento e morte de seus pais e avós.
Igualmente, gostaria de ter datas de nascimento e morte do pai do Hélio, Alcindo Guanabara de Arruda e Miranda.
Se puder me ajudar, seria muito grata.
Atenciosamente

 

Afrânio Mello respondeu:

Prezada Virginia,
Com grata satisfação posso atendê-la em parte de suas solicitações.
Não tenho arquivo de famílias e sim de sobrenomes e no seu caso tenho :
ARRUDA - 1 página, com pouco informação e sem brasão;
MIRANDA - 15 páginas com 7 brasões.
No caso das datas que você procura elas não são difíceis de encontrar.
Você tem o nome de seus avós. Deve saber onde faleceram , se for o caso ,
e onde estão enterrados. Você vai no cartório onde está registrado o óbito
e terá uma certidão com as datas de nascimento, falecimento e o nome dos
pais.
Com essa certidão e tendo os nomes você faz o mesmo caminho e assim chega
nos nomes que você pesquisa e as datas de nascimento e falecimento.
Se forem datas muito antigas, todas as igrejas tem os arquivos e, muitas delas,
já digitalizados e assim fica fácil de encontrar.
Muitos tem feito isso e ficaram bem felizes com a localização dos dados que procurava.
No caso dos dados do pai do Helio Rubens, o Alcindo Guanabara, extraí do endereço
http://mmdc.itapetininga.com.br/alcindo.htm, os dados que estão copiados logo
abaixo. Essa sociedade é presidida pelo Prof. Jefferson Biajoni. Visite o mesmo e terá
boas surpresas com a nossa história.
Espero que tenha sucesso em suas pesquisas.
Grande abraço
Afrânio Franco de Oliveira Mello
IHGGI / ROL - Região On Line
Os arquivos Miranda e Arruda estão anexados e abaixo uma pequena amostra.

Miranda, sobrenome muito antigo e de origem espanhola. Também usado por judeus sefarditas na Espanha e Portugal. Se tem por fundador desta linhagem  a Dom Álvaro Fernández de Miranda, cavaleiro que gozou da confiança do Rei Dom Ramiro I, a confiança foi tal, que ele influenciou poderosamente  a decisão do Rei Dom Ramiro I de se negar a pagar  o tributo de cem donzelas cristãs, no ano  783 para o usurpador do trono Meregato, que havia comprado a aliança e ajuda de Abderramán I, Califa dos mouros. Álvaro Miranda foi também um dos guerreiros que mais valentemente combateu na memorável batalha de Clavijo entre os exércitos de Dom Ramiro e os de Abderramán e cujo resultado foi a abolição do tão odioso tributo imposto ao Reinos das Astúrias e de León ( Leão ). Sobre este tributo entendemos de interesse reproduzir aquele que escreve Tirso de Avilés: “ E parece que os Conselhos de cangas e Tineo deviam por tributo cinco donzelas filhas de alguns fidalgos e os mouros as haviam levado consigo, mas na margem do Rio Sil, vindo de Santiago um certo Álvaro Fernández Miranda, se dispôs a libertá-las, lutou bravamente com os cinco mouros e vencendo-os libertou as donzelas e as levou de volta para casa de seus pais. Foi alí que o Rei Dom Ramiro percebendo a bravura de Álvaro Miranda resolveu não mais pagar o tributo de cem donzelas, mediante ser um menosprezo e uma desonra para Deus e sua. Esta atitude encorajou outros cavaleiros de Ponce de León. Por ânimo seu, o Rei Dom Ramiro, junto com a sua gente saiu de Léon contra os mouros, os quais já viam contra ele por haver negado pagar o dito tributo na cidade de Clavijo, os excércítos de Ramiro foram vencedores, segundo reza a lenda com a ajuda divina. Em memória desta conquista foi feito uma festa onde particparam todas as donzelas da cidade de Léon, no dia de Nossa Senhora de Agosoto. E por esta batalha dos ditos cinco mouros, dos quais venceu e libertou as donzelas ao tal Miranda foram dadas por armas aos Mirandas e aos Ponce de Léon as cinco donzelas.”

 

 

Arruda, um dos municípios mais antigos do país, recebeu o seu primeiro foral em 1160 e um novo, doado pelo rei Dom Manuel I, em 1517.

Dele terão retirado como sobrenome várias personalidades que se conhecem desde tempos mais ou menos recuados, tendo ficado célebre a dinastia de arquitetos e mestres cujos nomes - Diogo, Dinis, Francisco, João, Miguel - ficaram ligados à construção de obras como o Mosteiro da Batalha, convento de Cristo em Tomar, paço de Enxobregas, muralhas e castelos de Moura, Portel, Mourão, etc.

Tratando-se de um sobrenome de origem toponímica, referindo-se a um lugar onde há arrudas, um espécie de erva e  é possível que exista mais do que uma família que o tenha

 

Títulos, Morgados e Senhorios

Condes do Botelho

Viscondes do Botelho

 

ARQUIVO EXTRAÍDO DO SITE.

 


Monumento

Pesquisas

Honrarias

Contatos

O Núcleo

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|||||Núcleo de Correspondência da Sociedade dos Veteranos de 32

:. Veterano Alcindo Guanabara de Arruda e Miranda
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.: Suas origens e vocações :.

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|||Na Itapetininga dos primeiros anos do século XX, mais precisamente no dia 24 de março de 1902, nascia o menino Alcindo Guanabara de Arruda e Miranda, filho do casal Francisco Antonio de Miranda e D. Emilia Etelvina de Arruda e Miranda

|||O pai de Alcindo Guanabara, o Sr. Francisco Antonio, era de Botucatu e alfaiate por profissão. Espírita kardecista de consolidada fé, era ele muito procurado pelas curas que realizava no exercício de sua crença. Já a mãe do menino, D. Emília, nasceu em Itapetininga e durante toda a vida fora prestimosa dona de casa e dedicada professora, tendo se formado na renomada Escola Normal Peixoto Gomide, na época a primeira escola de formação de professores fundada no interior do Estado de São Paulo .

|||Ademais, sendo o primogênito dos sete filhos que teve o casal, Alcindo Guanabara teve como irmãos Neusir, Dirce, Jair, Wilson, Alcina e Darcy, este último desembargador, juiz de direito, veterano da Revolução de 1932 e também um dos autores da Lei de Imprensa do Brasil (Lei nº 5.250, de 9/2/1967).

|||Destarte, a origem simples e humilde de Alcindo Guanabara na então Itapetininga em começo de século, não lhe colocou obstáculo algum para aprender, se desenvolver fisica e intelectualmente e, mais tarde, vir a se tornar um cidadão de destaque não só naquele município, mas em todos os demais que veio posteriormente a residir.

|||De fato, após obter as primeiras letras, formou-se Alcindo Guanabara no Instituto Peixoto Gomide e, mais tarde, o afinco e a determinação que o caracterizaram como estudante passaram a caracterizá-lo como participante da Revolução Paulista de 1924, onde ele, aos vinte e dois anos, voluntariou-se soldado no Batalhão "Coronel Fernando Prestes", o qual, ao lado dos batalhões "Júlio Prestes" e "Ataliba Leonel" compunham a lendária COLUNA SUL, magistralmente descrita décadas depois na pena de Edmundo Prestes Nogueira no seu livro"Heroísmo Desconhecido" (1987).

|||Infelizmente não houve outros registros da participação de Alcindo Guanabara nesse que foi um dos maiores episódios de civismo manifestados pelo povo de Itapetininga em prol da libertação da capital paulista, a qual, desde o dia 5 de julho de 1924, jazia cativa pelo levante tenentista.

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Coronel Fernando Prestes, seu filho Júlio e oficialidade da Coluna Sul

Fonte: Heroísmo Desconhecido, p. 27

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|||Não obstante, acredita-se que Alcindo Guanabara estava entre as tropas que retornaram à Itapetininga no final daquele mês, as quais desfilaram no passo firme e cadenciado, sob os olhares da população que em pleno êxtase os recebia como filhos vitoriosos que foram no cumprimento da missão que a COLUNA SUL recebeu do coronel Fernando Prestes de Albuquerque, seu idealizador e também naquela difícil quadra, vice-presidente do Estado de São Paulo.

|||Em uma das companhias de soldados que nesse inesquecível retorno marchava, encontrava-se no comando dela o capitão Francisco Fabiano Alves, então professor universitário da Escola de Farmácia e Odontologia de Itapetininga, o qual, mais tarde, veio a se tornar uma das mais ilustres personalidades que o município pode ter em sua história.

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.: Dois irmãos e uma revolução em 1932 :.

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|||Do período compreendido entre o final da Revolução de 1924, passando pela Revolução de 1930 e atingindo os meses que antecederam a deflagração da Revolução de 1932, pouco foi registrado sobre que caminhos tomaram a vida do jovem Alcindo. O que se sabe é que neste período viveu a expressividade de seus vinte anos, tendo sido membro da imprensa local como jornalista e também adotado a advocacia como profissão.

|||Apesar de não ter se formado advogado, Alcindo exercia a plenitude dessa honrosa profissão na condição de rábula e assim o fez até falecer, conhecido que se tornou em toda a vida profissional por advogar em causa de pessoas menos favorecidas. Dedicado espírita kardecista como o pai fora, acredita-se que nessa quadra de sua vida tenha Alcindo sido também iniciado Maçom.

|||Quando a Revolução Constitucionalista de 1932 foi deflagrada em 9 de Julho daquele ano, três dias depois o comandante do 8º Batalhão de Caçadores Paulistas, na época sediado no prédio da atual 2º Diretoria do Departamento de Estradas de Rodagem, recebia ordem da capital para em Itapetininga iniciar o recrutamento em massa para formação de batalhões de voluntários.

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Porção do teatro de operações do Setor Sul

Fonte: livro "A Revolução de 32" (1982)

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|||Com efeito, Itapetininga pela sua posição geográfica altamente estratégica, porquanto dava ela acesso aos estados sulinos à capital paulista, havia sido arvorada à condição de município sede do Quartel General do Exército Constitucionalista do Setor Sul.

|||Para o comando dessa verdadeira praça de guerra, que além de quartel general contava também com centrais de abastecimento e hospitais de sangue, (como os que existiram noInstituto Imaculada Conceição, no Clube Venâncio Ayres e na Loja Firmeza), foi incumbido o então coronel Brazilio Taborda, oficial de Artilharia do Exército Brasileiro que de Santos fora transferido para Itapetininga, com a missão de comandar os quase 10.000 soldados da Força Pública de São Paulo e Voluntários aqui arregimentados para as diversas frentes de combate que visaram proteger o Setor do avanço de tropas ditatoriais via Itararé, Buri, Faxina (atual Itapeva), Guapiara, Campina de Monte Alegre, Capão Bonito, entre outros.

|||Alcindo Guanabara, no auge dos seus trinta anos completos, jornalista e advogado de renome em Itapetininga, ciente dos seus deveres de paulista, brasileiro de escol que era e que, a exemplo de seus concidadãos itapetininganos, foi incapaz de dizer não á causa constitucionalista, deixou do tablado e dos debates no púlpito para tomar das armas e enfrentar o fogo da metralha e o ardil das granadas nas trincheiras.

|||Seguiu para as frentes de combate com ele seu irmão mais novo, porém não menos empolgado em tomar das armas por São Paulo, o jovem Darcy de Arruda e Miranda, o mesmo que décadas mais tarde deixaria sua contribuição decisiva ao país por ter sido um dos artífices da Lei de Imprensa..

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2º Tenente Alcindo Guanabara de Arruda e Miranda

Fonte: Acervo da Família Arruda e Miranda

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|||E foram e lutaram. Darcy, acredita-se que ainda estudante, no vigor da juventude, tenha seguido para as trincheiras como soldado voluntário em um dos muitos batalhões arregimentados em Itapetininga. Já Alcindo Guanabara, profissional conceituado localmente, obteve uma comissão de oficial subalterno, no posto de segundo tenente, para comandar pelotão de voluntários à frente do fogo inimigo.

|||Sobre lances de combate e prodígios de valor e heroísmo que esses dois irmãos realizaram, não nos legou a História Militar algum registro que fosse senão o da tradição oral familiar, pequenas lembranças que ficaram na memória de seus descendentes, entre os quais o filhoHélio Rubens de Arruda e Miranda que emocionado ficou ao se lembrar de uma feita onde seu pai Alcindo, à frente de seus comandados no calor da luta, teve os óculos violentamente arrebatados do rosto por um tiro de fuzil que milagrosamente não lhe tirou a vida.

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Espada que pertenceu ao 2º Tenente Alcindo

Fonte: Acervo da Família Arruda e Miranda

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|||Após os quase noventa dias de conflito armado, uma luta desesperadora empreendida por São Paulo pela liberdade, pela democracia e pela Constituição, é declarado o Armistício a 2 de outubro de 1932.

|||O Setor Sul, porém, ainda tinha paulistas em armas até o dia 4 de outubro, nas derradeiras trincheiras do Setor que foram em Taquaral Abaixo, atual bairro de Capão Bonito, onde ainda defendiam o solo, palmo a palmo, soldados do lendário Batalhão "14 de Julho".

|||Os irmãos Alcindo Guanabara e Darcy, ambos sobreviventes da Revolução Constitucionalista de 1932, depuseram suas armas. Não se encontravam feridos e mutilados como muitos, mas sentidos estavam em seus brios pela derrota militar sofrida, o que não lhes arrefeceu a certeza de que haviam cumprido o dever para o qual foram chamados.

|||Era chegada a hora de recomeçarem a vida e seguirem adiante.

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.: Uma companheira :.

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|||Itapetininga, não mais sede de Exército Constitucionalista, voltou a ser a pacata cidade de outrora, a "Atenas do Sul" que nos dizeres do prof. Francisco Fabiano Alves encantava a todos pela beleza de sua população, pelo singeleza de suas praças e logradouros públicos.

|||Foi numa dessas praças, talvez, que Alcindo Guanabara possa ter conhecido Elsa de Arruda e Miranda, uma bela jovem nascida em Avaré em 13 de agosto de 1910 e que se mudara com os pais, o Sr. Miguel de Arruda e D. Maria Cândida de Arruda, para Itapetininga, naquele mesmo ano.

|||Foi amor a primeira vista. Tanto que a 22 de junho de 1933, Alcindo Guanabara e Elsa contraíram matrimônio em Cambuci, bairro de São Paulo onde o casal passou a residir após a revolução.

|||Segundo depoimentos colhidos do filhos Hélio Rubens e Sonia Marly, a mãe Elsa também tomou parte saliente nos esforços de guerra durante os duros dias da revolução de 32 em Itapetininga.

|||De fato, Elsa fora uma das muitas moças que se voluntariaram como enfermeiras para atender a crescente miríade de soldados paulistas que lotavam diariamente as enfermarias e hospitais de sangue improvisados.

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Elsa de Arruda e Miranda

Fonte: Acervo da Família Arruda e Miranda

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|||Revelaram ainda, seus filhos Helio Rubens e Sonia Marly, que Elsa exercia o papel de professora voluntária, situação que a obrigou a andar léguas para ministrar aulas a alunos pobres da zona rural da região. Posteriormente, ofereceu entusiasmado apoio á Revolução Constitucionalista de 1932, ajudando como enfermeira no hospital de sangue que a principal escola de Itapetininga havia se transformado.

|||Sua participação, porém, não ficou adstrita ao cuidado de feridos. O preparo da alimentação e até o fornecimento de armamentos para os combatentes que seguiam para as diversas frentes também contou com a sua diligente colaboração.

|||Elsa foi esposa dedicada e mãe extremosa. Companheira de Alcindo Guanabara, o maior legado que ela deixou aos cinco filhos que tiveram foi o conjunto de valores que caracterizaram o norteamento de suas vidas: integridade, justiça, lealdade, bondade e determinação.

|||Falecida em 2002, aos noventa e dois anos, Elsa de Arruda e Miranda ainda contava a todos que lhe indagavam da intensa participação que teve como enfermeira e cozinheira na Revolução de 32. Havia também um episódio todo especial em sua vida que ela nunca esquecia, ocorrido quando menina ainda, estudante primária no Peixoto Gomide, entregou um buquê de flores ao Dr. Júlio Prestes de Albuquerque em nome de todos os alunos da escola. "Foi o momento mais emocionante da minha vida", costumava dizer.

|||Elsa e Alcindo tiveram cinco filhos (pela ordem de nascimento): Alberto Henrique, Sonia Marly, Carmem Silvia, Helio Rubens e Francisco Antonio.
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.: No azul anil do céu de São Sebastião  :.


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|||Após terem se casado em São Paulo, Alcindo Guanabara e Elsa tiveram o início de uma vida com mudanças de localidade. De fato, logo após a revolução, Alcindo Guanabara e Elsa ainda namoravam quando ele tomava conta de um cartório em Guareí, o qual não muito depois teve de deixar, sob risco de ir a falência. O motivo: Alcindo Guanabara prezava em prestar os serviços cartoriais gratuitamente aos mais necessitados.
|||Logo após o casamento no Cambuci, o casal permaneceu em São Paulo até o ano de 1954.
|||Moraram também em Atibaia por curto período. Nessas idas e vindas, Alcindo Guanabara foi amigo pessoal do Dr. Benedicto Montenegro, mais tarde diretor geral da Campanha responsável pela construção do Monumento Obelisco e Mausoléu ao Soldado Paulista de 32. Alcindo Guanabara foi também secretário do Dr. Armando Salles de Oliveira, Governador do Estado de São Paulo entre 1935 e 1936. Fundou ainda uma revista chamada "Senhorinha", quando residia Guanabaraem Bauru.
|||Por motivos de saúde, porquanto Alcindo era cardíaco, mudou com a família para São Sebastião, então deveras paradisíaca pela natureza virgem exuberante e rarefeita densidade demográfica.

 

Alcindo Guanabara de Arruda e Miranda

Fonte: Acervo da Família Arruda e Miranda

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|||Amigo pessoal de Pietro Ubaldi, espiritualista italiano que também conhecera a São Sebastião daqueles idos, Alcindo Guanabara ouvira muitas vezes Pietro dizer que considerava essa localidade uma "verdadeira obra das mãos de Deus, algo muito mais belo do que a ilha de Capri".
|||Seu filho mais próximo, Hélio Rubens, conta que inúmeras vezes acompanhou o pai até o cais de São Sebastião para pescarem e lá, em meio a beleza e a quietude do azul anil do céu que lhes convidava ao mar, invariavelmente ouvia de seu pai Alcindo dizer que estava ali conversando com Deus.
|||Só dois anos apenas pode Alcindo Guanabara gozar da paz que São Sebastião lhe propiciava. Igual período pode de seus serviços advocatícios a população caiçara local também se beneficiar, dado o coração bondoso do rábula itapetiningano que aceitava metade das causas que defendia, pagamento em verduras, galinhas e porcos. A outra metade era invariavelmente gratuita. O amor ao direito dos pobres e desamparados sempre lhe foi a ambição maior que perseguiu por toda a vida.
|||Vida essa que chegou ao fim em 14 de agosto de 1956. Cercado dos cinco filhos que lhe deram doze netos e crescente número de bisnetos, Alcindo Guanabara faleceu e foi sepultado em São Paulo, aos 54 anos de idade, uma existência que caracterizada foi pela bondade e dedicação ao próximo, em principal aos mais desafortunados.
|||Mas esse não o legado único que Alcindo Guanabara deixou para os filhos e quiçá para muitos que não o conheceram em vida. Havia mais.
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Capa e folha de rosto de CRUZES PAULISTAS (1936)

Fonte: Exemplar da Família Arruda e Miranda

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|||Em conversa com seu filho Hélio Rubens, dono do exemplar de nº 113 dos 2.600 exemplares impressos e publicados de CRUZES PAULISTAS, a obra máxima de resgate da história de 634 combatentes de 32 que faleceram em combate e que tiveram suas vidas contadas nas 516 páginas da obra, apontou ele o fato de que o nome de Alcindo Guanabara de Arruda e Miranda consta como um de seus dois redatores, portanto, membro da equipe que redigiu a biografia desses 634 combatentes em apenas quatro anos que seguiram ao término da Revolução.
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Detalhe do verso da folha de rosto de CRUZES PAULISTAS (1936)
Alcindo Guanabara assina como A. Guanabara de Arruda Miranda
Fonte: Exemplar da Família Arruda e Miranda
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|||Levando-se em consideração o imenso trabalho de pesquisa que consistiu em levantar a biografia de 634 combatentes falecidos nos três setores de combate no Estado de São Paulo, é de se imaginar que os redatores Alcindo Guanabara e seu companheiro Horácio de Andradeforam extremamente meticulosos, proficientes, pacientes e dedicados para se completar tamanha e relevantíssima pesquisa biográfica que envolveu gama massiva de pessoas, arquivos, localidades e informações em tão curto período de tempo.
|||Outrossim, ao passarmos em revista à vivência de Alcindo Guanabara no que se referiu aos anos dedicados à publicação de CRUZES PAULISTAS, emergiu ainda o fato de que ele também fez parte da Comissão responsável pela criação do Obelisco do Ibirapuera, monumento cuja construção foi iniciada em 1947, inaugurado em 9 de julho de 1955, mas só concluído em 1970. O obelisco do Ibirapuera abriga em sua base o Mausoléu do Soldado Paulista de 32, onde se encontram os restos mortais dos jovens Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, bem como de centenas de outros ex-combatentes de 32 de todo o estado.
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.: Exemplos que ficam e arrastam :.

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|||Uma vida tão rica e prenhe de significados e exemplos, que arrastam e fazem as novas e vindouras gerações perceberem o triunfo que a bondade tem sobre o mal, sobre o descaso e a incompreensão foi o que de melhor pudemos aprender no encontro que tivemos com o Sr.  Hélio Rubens de Arruda e Miranda, editor do Jornal Eletrônico ROL, em sua residência, na noite do dia 3 de novembro de 2012.
|||O encontro dessa noite, aconteceu por sugestão do amigo que temos em comum, o Sr.Afrânio Franco de Oliveira Mello, que havia mencionado o fato de que o pai de Hélio Rubens, o Sr. Alcindo Guanabara, tinha sido ex-combatente de 1932 em Itapetininga.
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O Sr. Hélio Rubens de Arruda e Miranda e o pesquisador prof. Jefferson Biajone

Fonte: MMDC Itapetininga

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|||De fato, na noite do sábado de 3 de novembro, fomos gentilmente recebidos na residência do Sr. Helio Rubens e de sua esposa Ana Elisa e ali, nas três horas que durou a entrevista em busca dos dados que consubstanciaram esta biografia, muitas foram as surpresas que a vida do veterano Alcindo Guanabara de Arruda e Miranda fez emergir e que representaram para nós, pesquisadores do Núcleo PAULISTAS DE ITAPETININGA! AS ARMAS!! verdadeiro privilégio que neste espaço trazemos a lume aos nossos amigos, leitores e entusiastas da Epopéia de 32.
|||Gostaríamos de por fim expressar o nosso mais sincero agradecimento ao Sr. Helio Rubens, sua esposa Ana Elisa e sua irmã Sonia Marly, que nos atendeu por telefone em São Paulo para esclarecimento de informações sobre o pai e ao nosso amigo Afrânio.
|||Nosso trabalho de resgate da história de nossos veteranos de 32 em Itapetininga continua e a cada nova descoberta, a cada nova pesquisa, compreendemos a grandeza de nossos antepassados itapetininganos que em suas vidas simples e de servidão ao próximo souberam realizar prodígios de valor e heroísmo, tanto dentro e como fora dos campos de combate.
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Jefferson Biajone

Janeiro de 2013

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