Célio Pezza: ‘Ozymandias’

23/03/2020 17:30

Celio Pezza

Crônica # 422: Ozymandias

Ozymandias era o nome dado pelos gregos ao faraó Ramsés II – um dos maiores faraós do Antigo Egito. Esses dois poemas foram uma competição entre dois amigos para o mesmo tema.

Ozymandias – Percy Bysshe Shelley, jan.1818

Eu encontrei um viajante de uma terra antiga
Que disse:—Duas gigantescas pernas de pedra sem corpo
Erguem-se no deserto. Perto delas na areia,
Meio afundada, jaz um rosto partido, cuja expressão
E lábios franzidos de escárnio de frieza no comando
Mostram que seu escultor bem percebeu aquelas paixões
Que ainda sobrevivem, estampadas nessas peças sem vida,
A mão que zombava deles e o coração que os alimentava.
E no pedestal estas palavras aparecem:
“Meu nome é Ozymandias, rei dos reis:
Contemplem minhas obras, ó poderosos, e desesperai-vos!”
Nada resta: junto à decadência
Das ruínas colossais, ilimitadas e nuas
As areias solitárias e inacabáveis estendem-se à distância.

Ozymandias –  Horace Smith, fev.1818

No silêncio das areias do Egito, totalmente sozinha
Está uma perna gigante de pedra, que mostra ao longe
A única sombra que o Deserto conhece —
“Eu sou o grande Ozymandias,” diz a pedra,
“O Rei dos Reis. E esta poderosa cidade mostrava
“As maravilhas feitas pela minha mão.” – Mas a Cidade se foi, –
E nada, a não ser essa perna resta para revelar
O lugar desta esquecida Babilônia.
Assim como nos perguntamos – algum Caçador também poderá expressar
A mesma dúvida que nós, quando ao cruzar a imensidão do deserto,
Onde Londres estava, mantendo o Lobo em perseguição,
Ele poderá encontrar esse fragmento enorme e parar para adivinhar
Qual foi a poderosa, mas não registrada raça
Que outrora habitou naquele lugar aniquilado.

 

Célio Pezza – celiopezza@yahoo.com.br

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