Célio Pezza: ‘ O grito dos inocentes’ – Parte 1 de 4

19/09/2021 00:02

Célio Pezza

Crônica # 478: O grito dos inocentes – Parte 1 de 4

A primavera é um período de festas em muitos países, quando se comemora o término do inverno, mas alguns locais, como o Canadá, comemoram de forma diferente. Nesta época, as focas grávidas abandonam as águas frias para dar a luz nas praias, onde encontram a morte. É uma tragédia incentivada pelo governo, onde as mães e suas crias são mortas de maneira cruel por caçadores. De acordo com o jornal Daily Mail, perto de 470 mil focas são assassinadas durante cada primavera no Canadá, de uma forma cruel, com pauladas no crânio, com tacos de baseball, para não estragar as peles. A seguir as peles são arrancadas dos animais, muitas vezes ainda vivos. O canadense Paul Watson, um dos fundadores do Greenpeace em 1970 e depois, do Sea Shepherd (Guardiões do Mar), em 1977, disse que esta é uma das mais cruéis matanças do mundo selvagem.  No Japão, a primavera é marcada com a caça aos golfinhos, onde milhares destes dóceis animais são encurralados em baías e mortos com arpões e machadadas. Muitos são esquartejados ainda vivos e as águas ficam vermelhas pelo sangue dos inocentes. Os golfinhos não fogem e ficam solidários ao lado uns dos outros durante a matança. A organização internacional Sea Shepherd filmou esta tragédia e seus membros foram classificados como terroristas e perseguidos pelo governo japonês, por mostrarem ao mundo esta crueldade. Ao mesmo tempo, nos parques aquáticos, os golfinhos são mostrados como animais inteligentes, amigáveis, curiosos e brincalhões. Contam inclusive histórias de golfinhos que salvaram náufragos em diversas partes do mundo. Para sua desgraça, ele é um verdadeiro amigo do homem.  Seguindo nossa viagem sobre o grito dos inocentes, chegamos à Dinamarca, nas ilhas Faroe, no Atlântico Norte, onde acontece anualmente uma cerimônia macabra. É um ritual de iniciação dos jovens que comemoram a entrada na vida adulta, matando de forma selvagem, milhares de golfinhos. O povo se reúne nas praias, para onde os golfinhos são atraídos; em seguida os jovens entram nas águas e matam os indefesos animais com golpes de arpões e facas. O mar torna-se vermelho, o cheiro de sangue fresco percorre a multidão que aplaude o espetáculo dantesco. É um baile de debutantes demoníaco, onde no final do dia, milhares de corpos desfigurados ficam apodrecendo nas águas. Eles matam só pelo prazer de matar e pela tradição. Esse ano de 2021, no dia 12 de setembro, foram mortos cerca de 1.400 golfinhos dessa forma cruel.

Continuando, chegamos ao norte do Brasil, onde os botos ou golfinhos de água doce, também são mortos de forma desumana, para comercialização de seus olhos e dentes. Os barcos pesqueiros atraem e matam estes seres dóceis e tão citados em nosso folclore. Eles arpoam os bichos e arrancam os olhos e os dentes dos animais vivos; em seguida, são soltos para morrerem nas águas, imaginem de que forma. Os dentes são comercializados nas feiras e mercados de Porto Velho, Manaus, Belém do Pará e muitos outros, para confecção de colares. Os olhos são vendidos como amuletos para trazer dinheiro e mulheres para quem os carrega nos bolsos. Isto é proibido no Brasil, mas a prática é tão comum que já foi até filmada e mostrada para todo o mundo. Existe até um processo do instituto Sea Shepherd Brasil contra o IBAMA pela omissão sobre este massacre que todos sabem existir e que muitas autoridades fingem não ver. Ao refletirmos sobre esses casos, concluímos que o ser humano está muito mais próximo do barbarismo do que imaginamos, apesar de todos os seus avanços científicos. A sua índole é má, completamente diferente da índole dos outros seres do planeta. Enquanto isso não mudar, a Terra estará rotulada como um planeta hostil e evitado pelas civilizações de bem de outros mundos. Enquanto essas matanças acontecerem, o Homem será considerado um vírus que precisa viver isolado dentro do seu mundo, para não contaminar outros planetas pelo universo e podem ter certeza de que somos monitorados por outras raças alienígenas mais desenvolvidas, da mesma forma que os guardas controlam os presos perigosos em uma prisão de segurança máxima. Por outro lado, muitos homens já não suportam essas maldades e sabem que estamos vivendo um momento crítico de mudanças na índole do ser humano. Com o aumento da tecnologia, e com os protótipos de motores de dobra, para viagens por longas distâncias, chegou o momento da escolha entre mudar ou morrer. É chegado o momento da escolha. É o que vamos ver nessa série de quatro capítulos.

 

Célio Pezza   celiopezza@yahoo.com.br  setembro de 2021

 

 

 

 

 

 

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