Célio Pezza: ‘O dia da vergonha’

07/08/2020 19:30

Célio Pezza

Crônica # 432: O dia da vergonha

Um relógio retorcido e todo queimado, foi encontrado na cidade de Hiroshima após a explosão da primeira bomba atômica. Seus ponteiros marcam 08:15 h, que foi a hora exata em que esse mundo cometeu o seu grande pecado, muito maior do que ter comido uma simples maçã, logo na sua criação. Esse dia foi 06 de agosto de 1945 e a hora exata foi 8:15 h. Essa foi a hora em que as hostes das Trevas comemoraram sua vitória nesse pequeno mundo. Desde a maçã, o Homem tem o conhecimento do Bem e do Mal e o livre arbítrio para praticar um ou outro. Ele escolheu liberar o átomo e usá-lo para a destruição de seu semelhante. No momento em que ele detonou essa primeira bomba nuclear, ele fechou as fronteiras da Terra para todos os outros povos de outros mundos. Foi declarada uma quarentena até que o ser humano entenda a grande besteira e se redima de seu pecado, sempre respeitando a grande lei de não interferir e preservar nosso livre arbítrio para as decisões futuras. Após 75 anos, o Homem não aprende, não consegue interpretar todos os sinais que a Terra nos envia regularmente, não presta a mínima atenção aos milhares de sinais de fora de nosso mundo e continua a sua escalada no aprimoramento da guerra e da morte. Hoje existem mais de 3.700 ogivas nucleares espalhadas pelo mundo, prontas para serem acionadas e partir o nosso planeta em milhares de pedaços. A primeira bomba atômica que destruiu Hiroshima e matou na hora praticamente metade de seus 350 mil habitantes, hoje não passa de um estopim para detonar bombas muito mais potentes. Little Boy (menininho) foi o nome carinhoso dessa primeira aberração. Apenas três dias depois, foi detonada a segunda bomba em Nagasaki, chamada de Fat Man (homem gordo). A segunda grande guerra acabou, mas a vergonha de usar o átomo contra seus semelhantes correu pelo Universo e muitos mundos mais evoluídos lamentaram a nossa estupidez. Na época, o presidente Truman, quem autorizou o ataque, tentou minimizar o ocorrido chamando Hiroshima de grande “base militar”, mas uma contagem grosseira dos mortos nos ataques nas duas cidades mostrou que, entre cerca de 300 mil mortos, mais de 90% eram civis. Enfim, a verdade é que 75 anos se passaram e o ser humano não aprendeu. As guerras continuam em várias partes do mundo e nem a atual pandemia consegue acalmar os ânimos e parar com essa animosidade. O planeta não aguenta mais e está se sacudindo como um cachorro cheio de pulgas, mas as pulgas não entendem e a única forma é alguém colocar um inseticida contra pulgas para salvar o coitado do cachorro. As portas do inferno foram abertas pelo Homem e somente ele poderá fechá-las. Talvez ainda tenhamos uma última chance, vinda sabe-se lá de onde, mas se não mudarmos o rumo das coisas e persistirmos no culto da guerra e do fratricídio, a Terra continuará, mas o Homem será uma lenda. E a Lenda do Homem será esquecida, assim como o cachorro se esquece das pulgas, quando elas desaparecem de sua vida. Talvez muitos terão a chance de escapar dessa limpeza final e terão muita vergonha e tristeza pelo que seus irmãos fizeram. Estes serão os Novos Homens, os herdeiros da Nova Terra e reconhecidos por todos os Outros.

 

Célio Pezza      06 de gosto de 2020 – O Dia da Vergonha Humana

 

 

 

 

 

 

Tags: