Célio Pezza: ‘Lúcifer’

04/07/2018 08:29

Célio Pezza: # Crônica nº 380: ‘Lúcifer’

“Todo ano, durante o sábado da Vigília Pascal, existe uma cerimônia presidida pelo papa no Vaticano, onde é cantado o canto litúrgico Exsultet, que exalta a figura de Lúcifer como sendo o astro da manhã, aquele que traz a luz para a Terra.”

 

Primeiramente é importante entendermos que Lúcifer nada tem a ver com a ideia do demônio cristão. Existe muita confusão entre Satanás, Diabo e Lúcifer, mas um não tem nada a ver com o outro. Satanás seria o adversário, um ser hostil; o Diabo seria o acusador ou caluniador e Lúcifer seria o Portador da Luz, ligado ao mito grego de Prometeu, o Titan que roubou o fogo sagrado dos deuses do Olimpo para dar aos homens. Ele está associado a conceitos de liberdade, livre arbítrio, conhecimento e evolução.

Algumas das lendas contam que ele teria sido o criador dos seres humanos, e por isso ele tomou tal atitude a favor da humanidade. Por causa desse roubo, ele foi castigado pelos deuses e condenado a ficar acorrentado no monte Cáucaso durante 30.000 anos, onde todo dia vinha uma águia para comer seu fígado. No dia seguinte ele se recuperava, para que a águia voltasse a comê-lo novamente. No final, ele foi libertado de seu sofrimento, pois o centauro Quíron, também imortal, deixou-se acorrentar em seu lugar. Devido a esse ato bondoso, os deuses concederam a morte ao centauro.

Todo ano, durante o sábado da Vigília Pascal, existe uma cerimônia presidida pelo papa no Vaticano, onde é cantado o canto litúrgico Exsultet, que exalta a figura de Lúcifer como sendo o astro da manhã, aquele que traz a luz para a Terra. Também o Vaticano tem no Monte Graham, no Arizona-EUA, um dos melhores observatórios astronômicos do mundo, comandado pelos jesuítas, onde seu maior telescópio é carinhosamente chamado de Lúcifer pelos próprios jesuítas.

Quando assistimos à cerimônia de acender a tocha olímpica no início e apagá-la no final dos jogos olímpicos, poucos sabem do significado oculto dessa tocha. Ela representa o mito de Prometeu, a capacidade do Homem se superar e se aproximar dos deuses.

A Estátua da Liberdade com uma tocha na mão é também um grande símbolo dessa filosofia. As procissões com tochas e velas também representam o mito de Prometeu e Lúcifer. Enfim, o importante é deixar claro que Lúcifer não é um demônio. Ao trazer a Luz para a humanidade, da mesma forma que Prometeu trouxe o fogo sagrado, permitiu aos seres humanos a ascensão para a divindade por meio do próprio homem, através da Liberdade, Conhecimento e Vontade própria.

 

Célio Pezza  –  escritor@celiopezza.com

Junho, 2018

 

 

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