Célio Pezza: ‘Halloween’

26/11/2019 14:21

Celio Pezza

Crônica # 412 #

Halloween

A palavra Halloween tem sua origem na palavra “hallowinas”, que é o nome das guardiãs femininas do conhecimento, na antiga cultura celta da Escandinávia.

Para os celtas do hemisfério norte, o dia 31 de outubro marca o final do ano produtivo e o início do inverno. Neste dia era celebrado o Samhain, em honra ao deus Samhan, que era o Senhor dos Mortos. Os sacerdotes realizavam diversos rituais e acreditavam que os espíritos dos mortos poderiam voltar ao mundo dos vivos, durante a transição do ano velho para o novo. Nesta noite, os aldeões costumavam vestir trajes assustadores e andar por entre as casas fazendo barulho, para afastar os espíritos. Outra tradição era oferecer alimentos e oferendas a estes espíritos para que eles não os importunassem durante o próximo ano.

Mais tarde, com o advento do catolicismo, foi criado no século VI, o Dia de Todos os Santos, que era comemorado em 13 de maio. No século seguinte, essa data mudou para 01 de novembro. Mais adiante, no século XI a Igreja iniciou a celebração do Dia de Finados, que ficou sendo 02 de novembro, pois no dia 01 já existia o Dia de Todos os Santos.

Voltando ao Haloween, ele foi levado para os Estados Unidos no século XVII, por imigrantes irlandeses, que cultivavam as tradições celtas, mas, devido ao caráter distorcido que a tradição católica pregava na época, ele passou a ser considerado como uma festa pagã, diabólica e maléfica. Era o dia em que as bruxas voavam em suas vassouras, para o local da festa onde o anfitrião era o diabo. Daí foi que este dia passou a ser conhecido como Dia das Bruxas.

Dos Estados Unidos, essa data veio para o Brasil e, hoje em dia, virou uma festa de crianças em escolas, na maioria das vezes, sem conhecer o seu significado.

Caso curioso é a tradição de fazer caretas de abóboras com velas. Ela vem de uma antiga lenda irlandesa de Jack, o Lanterna. A lenda conta que Jack fez um pacto com o diabo por duas vezes e nas duas ele enganou o demônio. Quando morreu, ele não foi aceito no céu por ter feito pacto com o diabo e também não foi aceito no inferno, por ter enganado o diabo. Ele foi condenado a vagar eternamente pela escuridão, mas o diabo ficou com pena dele e lhe deu uma lanterna para que pudesse iluminar o seu caminho. Na lenda original essa lanterna era uma vela colocada dentro de um nabo, mas como a abóbora era mais abundante nos Estados Unidos, a lanterna virou uma vela dentro de uma abóbora, na versão americana.

Curioso é que devido a uma pressão religiosa, o Haloween está diminuindo fortemente nos EUA. Isso pode ser observado inclusive nos shoppings americanos. Fora isso, tiveram alguns casos de envenenamento dos doces dados para as crianças durante o Haloween e os pais estão proibindo seus filhos de sair pelas ruas pedindo o tradicional “trick or treat” – gostosuras ou travessuras. Quem viajar para os EUA no final de outubro verá como essa festa tradicional está perdendo força a cada ano.

 

Célio Pezza             celiopezza@yahoo.com.br             novembro, 2019

Tags: