Célio Pezza: ‘Dia da Consciência Negra – Zumbi e Ganga Zumba’

20/11/2020 20:33

Célio Pezza

Crônica#442: Dia da Consciência Negra – Zumbi e Ganga Zumba

O dia 20 de novembro foi escolhido como Dia da Consciência Negra, pois, foi neste dia, no ano de 1695, que morreu Zumbi dos Palmares. A História mostra, quase sempre, o negro Zumbi, como sendo o líder de Palmares, um quilombo nas montanhas de Pernambuco, hoje atual estado de Alagoas, com perto de trinta mil habitantes, palco da resistência à escravidão no Brasil. A História comete uma injustiça quando mostra Zumbi como o grande e único personagem na luta contra o sistema escravocrata. O Quilombo dos Palmares teve um grande líder, um negro africano chamado Ganga Zumba, que chegou a Palmares por volta de 1630. Na época, Palmares era formada por povoados chamados de mocambos, que significa esconderijos. Ganga Zumba conseguiu reunir os mais de dez mocambos em uma espécie de confederação sob o seu comando, sendo a época mais próspera do Quilombo de Palmares. Em 1678, o governador da capitania de Pernambuco, Pedro de Almeida, cansado de tantos conflitos com Palmares, procura Ganga Zumba para um acordo de paz, que traria a liberdade a todos os moradores do Quilombo, desde que se sujeitassem à autoridade da Coroa Portuguesa, como qualquer brasileiro, e se mudassem de Palmares para Cacaú, uma região a 32 km de Serinhaém, onde poderiam morar em paz.  Ganga Zumba aceitou o acordo, pois viu uma oportunidade de finalmente dar a liberdade e um pouco de paz para todos os seus comandados. Na época, Zumbi, que era o sobrinho de Ganga Zumba, não aprovava a política pacifista de seu tio e criou uma facção contrária ao acordo firmado. Em novembro do mesmo ano, Ganga Zumba morre, envenenado por um partidário de Zumbi, que assume o poder do Quilombo. Ele se recusa a sair de Palmares e reinicia a guerra contra o governo constituído. Este foi um período sangrento para todos os habitantes de Palmares, onde Zumbi instituiu um sistema caracterizado pelo despotismo, com um rei, seus generais e escravos. Se um escravo fugia de Palmares, eram enviados negros ao seu encalço e, quando capturado, era executado pela severa lei imposta por Zumbi. Finalmente, em 1694, após uma sangrenta batalha, o Quilombo dos Palmares é totalmente destruído e seus habitantes dizimados pelas forças do governo de Pernambuco. Zumbi consegue fugir, mas é morto em 20 de novembro de 1695, traído por seus antigos companheiros. Sua cabeça foi cortada e exposta em Recife, visando destruir a crença de que Zumbi era imortal. É importante, neste dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, que façamos uma séria pesquisa com esses dois personagens: o festejado Zumbi, guerreiro que levou todo o Quilombo à destruição e o seu tio Ganga Zumba, que efetivamente criou o Quilombo de Palmares, buscou a paz, e morreu envenenado por quem preferia a guerra.

 

Célio Pezza             celiopezza@yahoo.com.br             novembro, 2020

 

 

 

 

 

 

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