Célio Pezza: ‘A escolha é sua’

08/01/2021 14:52

Célio Pezza

Crônica # 448: A escolha é sua

Certo dia durante uma viagem de carro, um acidente na pista contrária parou todo o trânsito; alguns quilômetros adiante tudo voltou ao normal e os motoristas cruzavam conosco sem imaginar o que iriam encontrar logo adiante. De certa forma, sabíamos um pouco sobre o futuro próximo de todos que vinham no sentido contrário e isto também mostra a importância da nossa posição em relação ao local do evento, pois dependendo de nossa localização no espaço, podemos saber um pouco sobre o futuro imediato provável de outros e vice-versa. Continuando, vamos imaginar uma alta montanha e uma estrada circundando todo seu redor, com um observador no topo da estrada, observando os que estão transitando pelo caminho cheio de curvas. Agora vamos supor que logo após uma curva, existe uma ponte destruída e quem quer que venha desatento pela estrada, vai fatalmente cair no abismo. No caso, este observador sabe o futuro que espera o motorista incauto que vem em direção à ponte destruída, simplesmente devido à sua melhor posição. Vamos supor que ele envie um sinal qualquer para o incauto reduzir drasticamente a sua velocidade ou mesmo parar o seu veículo. O motorista que vem em alta velocidade recebe o sinal e pode usá-lo de várias formas; ele pode mudar o seu destino e parar antes da queda ou não dar ouvidos e cair no abismo. Ele tem o poder de interpretar os avisos como quiser e decidir o que fazer. Ele tem o livre arbítrio e pode escolher viver ou morrer. Neste caso hipotético, ele não poderá alegar que foi vítima de uma fatalidade, pois a mensagem foi recebida, mas ele não deu importância. Ele não acreditou, decidiu de forma errada e caiu no abismo. Este episódio é bem simples, mas nos abre uma perspectiva diferente de encarar muitos fatos do nosso dia a dia e algumas tendências do nosso mundo atual e cheio de avisos. Muitas vezes, vemos claramente qual o destino final se não mudarmos o rumo e mesmo assim, não acreditamos ou não queremos acreditar e continuamos da mesma forma. Recebemos vários sinais, mas preferimos continuar o nosso caminho e, como dizem muitos, deixar nas mãos de Deus. Nestes casos, não poderemos atribuir à falta de sorte, caso saia tudo errado ou chorarmos na busca de outros culpados. Se não demos atenção aos sinais recebidos, ou se não fomos capazes de os reconhecer, nós somos os responsáveis. Outro exemplo pode ser o de um carro que repentinamente fica sem freio para logo em seguida voltar ao normal. Você teve o sinal e cabe a você decidir o que fazer. Se não der atenção e achar que tudo está normal, pode ser que o freio falhe novamente hoje ou amanhã e desta vez seja fatal. Aliás, isto já aconteceu no passado com um avião que acusou um defeito no reversor por alguns segundos para em seguida ficar tudo normal; este avião fez uma escala e tudo aparentemente estava normal. Num outro voo, após uma nova decolagem, o reversor deu o mesmo defeito, só que desta feita o avião caiu. Isso pode ser chamado de fatalidade? Podemos continuar o exercício e expandir este raciocínio para outros fatos da nossa vida, mas caso achem tudo isto uma tremenda besteira, tudo bem. Afinal, você tem seu livre arbítrio e a decisão é sua. Pablo Neruda, poeta chileno já falecido, disse certa vez que você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências.

 

Célio Pezza, janeiro, 2021

 

 

 

 

 

 

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