Caique Ferraz, ilustrador de livros, entrevista o escritor Élcio Mário Pinto

25/08/2018 12:44

Caique Ferraz, de 15 anos, é afilhado do escritor e, desde os 10 anos de idade, ilustrador dos livros do padrinho

 

Bom dia, Caique!

Conforme você me pediu para responder, aqui vou eu…

1)    O que é a Literatura para você?

É a possibilidade de materializar a imaginação e a criatividade em palavras. Pela linguagem escrita, a Literatura se eterniza. Mas, a tradição oral também participa da eternidade literária à medida que as histórias, “causos”, costumes, crenças e tradições são passados de geração à geração.

2)    Qual é o papel da Literatura na formação da criança?

Literatura e criança têm uma relação fortíssima, seja pela criatividade e pela imaginação, seja pelo desejo de concretizar os sonhos, as esperanças, as ideias e os ideais. Mesmo em crianças pequeninas tudo isso já existe, ainda que elas não tenham plena consciência do que sentem, vivem e convivem. Então, se há esse vínculo fortíssimo entre Literatura – imaginação – criatividade e criança, e há, oferecer à formação dos pequenos a riqueza literária de tantos povos pelo mundo em diversos períodos históricos é mais do que uma necessidade. Digo que é uma vitalidade (necessidade da vida), porque a criança transforma-se em verdadeira produtora e promotora da vida humana pela linguagem escrita.

3)    Você acha que a Literatura desperta o gosto pela leitura?

Tenho certeza absoluta dessa pergunta transformada em afirmação. Atualmente, desenvolvo Caravanas Literárias por escolas públicas municipais e estaduais, desde a creche até o ensino médio. Quando apresento o projeto “O escritor em todos os cantos” digo que a Caravana Literária tem por objetivo: incentivar, apoiar e valorizar a escrita e a leitura pela Literatura. Comigo foi assim que aconteceu: graças à Literatura desenvolvi o gosto pela escrita, pela leitura e por estudar.

4)    Onde conheceu a Literatura?

Antes de entrar para a escola. Via revistas, para adultos mesmo, e embora não soubesse ler, observava os desenhos. Assim, inventava histórias, criava enredos e brincava muito! Mas na escola, tudo aquilo foi potencializado, isto é, aumentado. O acesso aos livros, às histórias e à possibilidade de escrever o que inventava me transformou. Descobri a Literatura e me senti descoberto por Ela. Os desenhos animados na minha infância também me ajudaram a conhecer a Literatura e, particularmente, o Sítio do Pica-pau Amarelo, de Monteiro Lobato.

5)    Como despertar o gosto pela leitura?

Ter acesso a livros! Mais do que mostrar para a criança e para o adolescente, é preciso demonstrar: ler e escrever. Se a pessoa não tem em sua casa modelos a seguir, ela vai em busca de outros modelos em outros lugares. Também é necessário escrever. Quem lê, deve escrever, ainda que seja o que sentiu do que leu. Leitor e escritor estão tão unidos que não podem ser separados. Quando digo de escritor, não quero dizer que a pessoa deva ter livros publicados, obrigatoriamente. Até pode acontecer, mas importa é escrever as próprias impressões e sentimentos daquilo que leu. Para nadar é preciso nadar, tomando todos os cuidados, é claro! Para ler é preciso ler e escrever. Um bom exercício que desenvolve o gosto pela leitura é este: depois de ler o texto, fazer a reescrita com as próprias palavras: leio e reescrevo a partir de mim, do meu jeito, com as minhas palavras, com aquilo que já sei e vivi. Podem aparecer pérolas e se descobrir como alguém que também escreve como o(a) autor(a) daquele livro. Comigo deu certo!

6)    O que você mais gosta na Literatura?

De aventura e romance. Gosto de finais felizes, de imaginação, magia e muita criatividade! Gosto de palavras criadas, ambientes inusitados e diferentes. Tenho dificuldade com o terror por causa do nojo que me causa. Mas estou pensando em escrever a respeito a partir de uma outra visão, daquilo que dá tudo errado. Em breve deve sair alguma coisa nessa linha.

7)    Como leitor, filósofo, pedagogo, supervisor de ensino e como escritor de livros, a Literatura te ajudou de alguma forma com teus livros ou vida pessoal?

Em Angatuba, minha terra natal, as pessoas dizem: “por demais”. Então, é assim que respondo: ajudou POR DEMAIS! Faço questão de dizer que a Filosofia foi e é a minha primeira paixão. Mas, quando fui para a universidade continuar estudos, senti que eu precisava me adequar ao que se exigia lá. Fiquei com aquele sentimento de estar “preso”. A Pedagogia, que é outra área de minha formação e que muito me atrai, abriu-me muitas portas, mas a rotina e os horários são extensos e me cansam! A Teologia, que também é área de minha formação e que me abriu a mente para outras compreensões a respeito das relações entre a criatura e o Criador, também me segurou através dos dogmas das instituições religiosas. O que quero dizer com isso? Foi na Literatura que me encontrei, não só por gostar e por tudo o que Ela me oferece, mas porque, Nela, posso unir todas as outras áreas de minha formação. Então, respondo: a Literatura me ajuda muito na vida profissional, na vida pessoal e na vida de relações com as pessoas, especialmente, com crianças e jovens. Em relação aos livros, sim, a Literatura me possibilita total liberdade para escrever!

8)    Tem algum livro que deseja recomendar? Pode até mesmo ser seus livros.

Quero recomendar para leitura, os livros:

  • “O Carvalho”, de Jorge Facury.
  • “Onde moram os tatus”, de Ivan Camargo.
  • “Entre o sereno e os teares”, de Carlos Carvalho Cavalheiro.
  • “O Pastor”, de Frederick Forsyth.

De minha autoria, recomendo:

– “Entr&Nós 1: crianças brasileiras com filósofos gregos da antiguidade”.

– “As luzes de Laura”.

– “O padre que comia alface”.

– “Catulino Capilé”.

– “Votorantim: Cascata Branca em Cachos de Água Doce”.

– “Deuses na Taverna”.

– “Porque não fui padre!”.

9)    Que gênero narrativo você mais usa?

Uso mais os gêneros narrativos: Crônica e Conto.

10)  Tem algum recado para quem gosta da Literatura ou para se interessarem?

Tenho sim! Para gostar ou para quem já gosta, escreva a própria história. Faça uma autobiografia. Falar de sim, mesmo sem apresentar às pessoas, ao menos, num primeiro momento, é uma ótima forma de se aproximar da Literatura, de divulgá-La e de se valorizar graças a Ela.

 

Literatura vem da palavra latina litterae (pronúncia: lítere), que quer dizer: letras, então, desejo à turma toda que a vida seja, sempre, cheia de boas letras, começando por aquelas que retratam as próprias experiências e depois, que retratem muitas outras vidas e experiências, repletas de imaginação e criatividade. É o que desejo a todos!

(Obs: podemos agendar uma conversa com a sua turma, na escola. Que tal?)

ÉLCIO MÁRIO PINTO – elcioescritor@gmail.com

25/08/2018

 

 

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