Bruno Schwanbenland: ‘A borboleta’

14/10/2020 06:36

Bruno Schwabenland

A borboleta

Era uma vez em certo lugar…é de uma dimensão paralela, a borboleta tinha perdido o jeito de voar.

A borboleta não conseguia mais voar, ela estava em crise existencial, ela precisava voar como instinto de sobrevivência, mas não conseguia.

Ela foi percorrendo abismos e florestas e, sem saber qual o sentido da vida, já havia perdido a vontade de voar…havia perdido aquela vontade de fazer o seu propósito de levantar voo, para voar por lugares cada vez mais altos… ela não podia…ela olhava…olhava para cima. Via o seu corpo como se tivesse 10 toneladas de chumbo e as correntes iam cada vez crescendo.

E crescia de tal maneira que ela notava que não conseguia se mover; chegou a um certo ponto deste caminho e ela percebeu que toda vez que tentava ao alvo era impedida pelas correntes e impedida pelos fantasmas que haviam no interior do coração, por fantasmas escondidos. Ela não conseguia voar, vivia naquele dilema: “o que eu hei de fazer? Como faria uma borboleta que não sabe voar? E eu..eu desisto por aqui, se o meu destino é esse… O meu destino é a morte deixa-me apodrecer: não se importe comigo e eu ficarei por aqui”.

E um beija-flor falou:

– Oh borboleta até quando ficarás de cabeça baixa? Até quando darás vazão para a sombra que há dentro do seu coração?  Olha, borboleta, voe…voe para o alto.. e voe para os altos céus o seu destino, não é o chã,o queime a vida que há dentro de você, sinta a força da vida e levante voo. Esta corrente borboleta é que você tem colocado, ela tem se apossado de você por causa do seu sentimento de autopiedade, a sua autossabotagem borboleta, queime… queime a energia que há dentro de você e levante voo.

A borboleta, ao ouvir tais palavras, as correntes começaram a se dissipar e aquelas trevas saíram. Ela percebeu que há muito e muito tempo na sua frente havia um lindo jardim. Ele está por toda a vida, mas as trevas que havia dentro de si  não permitiu que enxergasse o jardim.

Tornou a falar novamente o beija-flor:

– Ouve borboleta,  durante muito tempo você se sabotou, você se derrotou e o jardim estava há muito tempo na sua frente, então abra os seus olhos e veja…voe e abra as suas asas, abra as suas asas para a vida e voe mais alto  que você puder, o seu destino não é o chão. Voe borboleta, não permita que as trevas tirem o seu foco, a luz estava diante de ti há muito tempo, muitos anos; o jardim estava tão perto de você, borboleta, e você sempre voava para longe…você se derrotava; vai borboleta, não perca mais tempo com certas coisas, voe e sinta a força da vida, sinta bater o coração quente, sinta o seu sangue quente.

– Então, borboleta voe mais alto, viva para a tua missão, viva para cumprir o seu propósito, chega de perder tanto tempo com ressentimento, chega de perder tempo com a corrente da autossabotagem, a corrente quem colocou não foi o outro, mas colocou durante si mesma e durante muito tempo foi impedida de fazer a sua missão que é ir em cada flor.

– Neste deserto chamado solidão o que achas? Vai borboleta, voe, cumpra o seu destino e cumpra a sua missão.  Não permita mais perder tempo, essa é a sua vida borboleta: você não foi feita para viver no chão, você foi feita para brilhar nos ares, a tua beleza a refletir. Essa é a tua missão, não se esqueça borboleta, voe mais alto, brilhe e faça o seu mundo colorido porque o jardim estava diante de ti durante anos, mas por causa das trevas que havia no seu coração não conseguia enxergar. Voe…voe mais alto, brilhe e pinte o mundo com a sua beleza, pois esse é o seu propósito, vá e floresça, brilhe ainda mais, pois este é o seu propósito, quem não vive a vida com propósito, apenas espera a morte, a morte de si mesmo, a morte dos sonhos, ao se lamentar, a prantear; então, viva borboleta, viva para o seu propósito e viva conforme foi chamada.

 

Bruno Schwanbenland

 

 

 

 

 

 

 

 

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