Artigo de Celso Lungaretti: ”O grande Roger Waters conclama tropicalistas a boicotarem Israel. Os nanicos Caetano e Gil dizem não.”

04/06/2015 01:09
Celso Lungaretti – do blogue Náufrago da Utopia

Gulliver…

Roger Waters, que foi letrista, baterista e co-vocalista do conjunto britânico de rock progressivo Pink Floyd, não é melhor do que Caetano Veloso e Gilberto Gil apenas como artista (o álbum conceitual The Wall, que foi por ele concebido, coloca-o num patamar inalcansável para os baianos): também vale muito mais do que eles como ser humano e como homem político.

Waters faz parte do movimento global BDS (boicote, desinvestimento e sanções), que pressiona Israel a devolver ao povo palestino os territórios que tomou e mantém manu militari. Neste sentido, enviou carta a Caetano e Gil, exortando-os a não se apresentarem num dos piores transgressores de direitos humanos do mundo atual, país genocida e réprobo (pois suas bestialidades foram condenadas um sem-número de vezes pela ONU). 

…e os liliputianos.


Por meio das respectivas assessorias, ambos fizeram saber que são bem diferentes do que davam a entender em suas composições.


Gilberto Gil prefere engordar sua conta bancária do que “ficar em casa/ (…) preparando/ palavras de ordem/ para os companheiros/ que esperam nas ruas/ pelo mundo inteiro/ em nome do amor” (Questão de ordem).

E do Caetano Veloso nunca mais poderemos esperar que nos ajude a “derrubar as prateleiras/ as estantes, as estátuas/ As vidraças, louças, livros, sim” (É proibido proibir). Ele quer mesmo é empilhar maços e mais maços de novos shekels, a moeda israelense.

Há uma página no Youtube dedicada ao assunto: Tropicália não combina com apartheid. Recomendo.

Clique aqui para acessar a carta de Waters, na íntegra. 

Ela é irrespondível, o que explica a falta de resposta por parte dos habitualmente tão loquazes Veloso e Gil. Já devem estar arrependidos da capitulação à “força da grana que ergue e destrói coisas belas” (Sampa). Inclusive reputações…

BELEZA PURA: “HAVE YOU HEARD”, DO MOODY BLUES.

Do blogue Náufrago da Utopia

Esta música é “Have You Heard”, do conjunto britânico de rock progressivo Moody Blues. O tocante vídeo com as crianças aproveita as partes I e II, cantadas, deixando de fora o interlúdio instrumental entre ambas (“The voyage”).

Eu fiquei maravilhado quando a escutei pela primeira vez, em Fantasticon, os deuses do sexo –um típico filme de fundo de quintal feito em 1970, com precariedade mas muito carinho, por alunos de cinema ligados no movimento hippie, na contracultura e na ficção-científica.

Não conseguindo encaixá-lo no circuito comercial nobre, eles o negociaram com os pulgueiros do centro de São Paulo que exibiam filmes eróticos (foi quando o título Fantasticon ganhou o complemento apelativo de os deuses do sexo). Num dia de chuva, lá por 1973, passei, vi, entrei, gostei.

Um dos quatro episódios é belíssimo, sobre uma bruxa que se enamora de um mortal, transa com ele numa sequência muito poética (é quando entra a “Have You Heard”), mas é obrigada pelos demais bruxos a sacrificá-lo com uma faca.

Passei bom tempo sem ouvir de novo a música, que é de 1969 –os entusiasmados aprendizes certamente a encontraram num disco importado, utilizando-a sem autorização de ninguém. 

Lá por 1980, quando eu já era crítico de rock, o LP On the threshold of a dream foi finalmente lançado no Brasil pela EMI-Odeon. E, para minha agradável surpresa, lá estava “Have You Heard”. Ouvi até riscar.

Ei-la completa.

HONRA ENTRE LADRÕES…

…é um dos títulos alternativos que recebeu, no mercado de vídeo, o excelente policial francês Adeus, amigo (que vocês podem assistir na íntegra clicando aqui).

Tem tudo a ver, aliás, pois remete ao momento mais marcante do filme. Dois homens que mal se conhecem são comparsas numa contravenção e, ao separarem-se, um deles (Alain Delon) diz para o outro jamais admitir que tinham agido juntos, caso contrário ambos pegariam penas bem maiores. Pede-lhe que dê sua palavra de honra.

O outro (Charles Bronson) objeta: “Mas, eu não tenho honra”.

O primeiro insiste: “Quero sua palavra mesmo assim”.

E o juramento acabará sendo integralmente cumprido.

Esta lembrança me ocorreu ao ler que o atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, abandonou às feras seu velho parceiro e amigo José Maria Marin, tentando escapar sozinho do escândalo de corrupção no futebol.

Assim, a CBF não está dando assistência jurídica nenhuma a Marin na Suíça, desbatizou o edifício-sede (que tinha o nome dele) e destituiu-o da vice-presidência que ocupava. Coloca-o no isolamento, como leproso, na esperança de evitar o contágio.

Assim, a CBF não está dando assistência jurídica nenhuma a Marin na Suíça, desbatizou o edifício-sede (que tinha o nome dele) e destituiu-o da vice-presidência que ocupava. Colocou-o no isolamento, como leproso, na esperança de evitar o contágio.

Em vão: segundo vi no site da Folha de S. PauloEUA indicam que Marin dividiu propina com Del Nero e Teixeira.

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