Artigo de Celso Lungaretti: ‘A 1ª ETAPA DA GUERRA DO IMPEACHMENT TERMINOU. LEIA O BALANÇO DE PERDAS DE DANOS’

13/05/2016 00:49

Celso Lungaretti: ELA SE FOI. SERÁ O FIM DA ERA PT?

 
Por Celso Lungaretti, no blogue Náufrago da Utopia.

O governo de Dilma Rousseff foi interrompido por uma goleada de 55×22 no Senado, depois da outra  (367×137) que sofrera na Câmara Federal.

Para consumo externo, os grãos petistas garantem que vão lutar até o fim para que, no julgamento definitivo que os senadores farão em até 180 dias, a perda do mandato de Dilma não se torne definitiva.

Poucos deles acreditam nisto. Começando por Lula, cujas declarações dão nitidamente a perceber que torce mesmo é para que o governo-tampão de Michel Temer fracasse, aumentando suas chances eleitorais para 2018 (se a Operação Lava Jato permitir).

Já o sonho de Dilma é apenas o de terminar o seu mandato.

Considerou-o mais importante do que o sonho de todos os brasileiros que não queriam ter o Temer como presidente (só com sua renúncia o movimento por uma nova eleição presidencial haveria tido alguma chance de decolar, mas agora é tarde e Inês é morta).

Uma das heranças malditas de Dilma: Michel Temer. 

Considera-o mais importante do que o desespero de todos os brasileiros que estão desempregados ou perderam poder aquisitivo com a terrível recessão a que ela os conduziu (a crise econômica tendia a ocorrer de qualquer jeito, mas foi maximizada por seu voluntarismo e incompetência).

E parece estar com a cabeça numa dimensão paralela, pois continua batendo o pé em que seu impeachment teria sido irregular, ao invés de responder à pergunta que realmente importa: no poder, o que faria que não fez nos últimos 16 meses e meio, no sentido de evitar que o Brasil continue marchando para uma depressão econômica e para tirá-lo da recessão aguda em que já se encontra?

Hoje estão contra ela o povo, o poder econômico, o Legislativo e (a crermos nos seus próprios resmungos, que os confidentes correm a soprar para jornalistas como a Mônica Bergamo) até o Supremo Tribunal Federal.

Ou seja, sua situação é muito pior do que quando iniciou o segundo mandato, já não sabendo como lidar com a degringola que sua política econômica causou. Tudo indica que, na remotíssima hipótese de reassumir o mandato, ela conseguiria apenas completar o estrago. Quer colocar o País em chamas, tão somente porque seu ego está machucado?!

Caçapa cantada

Enfim, nada tenho a acrescentar ao epitáfio que previamente lançara (neste artigo aqui):

…em 13 anos e quatro meses no poder, [o PT] conseguiu frustrar, uma a uma, as esperanças que despertou.

Tinha como missão defender os explorados, mas se tornou cúmplice dos exploradores em vários sentidos, inclusive o do Código Penal.

Cabia-lhe assegurar a governabilidade com a força de suas convicções e a mobilização dos homens de bem, mas achou mais fácil compactuar com a fisiologia e a traficância.

Deveria conduzir os coitadezas para participarem do banquete dos opulentos, mas os colocou ao pé da mesa, recebendo apenas as migalhas que os pantagruéis do capitalismo deixavam escapar pelos cantos da boca.

Estava comprometido com a preservação do nosso patrimônio natural, mas vendeu sua alma ao agronegócio (e as gerações futuras que se danem!).

Tinha uma pauta de modernização dos costumes e fim de preconceitos, mas precisava dos votos das bancadas evangélicas.

Era herdeiro dos heróis e mártires da luta contra a ditadura, mas não ousou inculpar os ogros do passado, nem mesmo quando cortes internacionais o exigiam.

Prometeu diferenciar-se do regime militar não mentindo para o povo nem o manipulando, mas acabou cometendo o pior estelionato eleitoral brasileiro de todos os tempos.

O que restará do PT após as autocríticas e desfiliações?

De tanto jogar fora suas bandeiras, ficou sem nenhuma proposta positiva para conquistar os corações e mentes dos eleitores, daí só lhe terem restado os trunfos negativos: o alarmismo falacioso, a satanização dos adversários e a exacerbação do ódio.

Mas, quem ganha eleições erigindo todos os opositores (inclusive os de seu próprio campo) em inimigos a serem moralmente exterminados, tem, depois, de governar um país despedaçado.

Foi o que Dilma não conseguiu fazer, por lhe faltarem aptidões para tarefa tão delicada e porque sua índole autoritária a levava a tentar sempre resolver os problemas com os berros e murros na mesa característicos de uma gerentona.

A pá de cal foi tentar fazer a economia, numa conjuntura internacional já desfavorável para o Brasil, pegar no tranco, recorrendo às anacrônicas receitas do nacional-desenvolvimentismo da década de 1950 (o Estado, e não o povo, é o deus de Dilma).

Ao se dar conta do desastre que seu primeiro governo engatilhou, perdeu a cabeça e tentou desfazer o malfeito rendendo-se incondicionalmente à ortodoxia econômica da direita. Nem nisto conseguiu ter sucesso e seu segundo governo derreteu.

Como nações não se suicidam, alguma solução institucional teria de ser encontrada para afastá-la de um poder que desde janeiro de 2015 deixara de verdadeiramente exercer.

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