António José Alexandre: ‘O homem do saco’

05/04/2021 07:55

António Alexandre

O homem do saco*

Vejo todos os dias  a miséria nua na rua, abraçando o povo fobado.**

Vejo o homem do saco, levando tudo, comendo inteiramente o erário.

Na escuridão, enxergo a maldade ordinária deixando cada vez mais pobre o operário.

Sinto o cheiro da paz podre, uma paz que deixou o operário embaciado.

 

Vejo através da janela crianças famélicas catando sobras na lixeira.

Na prosa do homem do saco a promessa está mantida levando o operário à escuridão.

Vejo sempre o homem do saco, num repasto de primeira.

Mas o operário e o filho do operário sobrevivem de um projeto utópico da nação.

 

Vejo o homem do saco, na escuridão, levando tudo e comendo tudo.

E na promessa de um dia melhorar a vida de todos sinto o cheiro da pobreza.

Vejo a pobreza ataviando as ruas e abraçando o operário.

Ah! um dia o bem vencerá o mal, a cólera do povo está desincubada.

 

*  Homem do saco. Trata-se de uma metáfora: um homem que tem tudo, porém, não apoia as crianças; pelo contrário, prejudica, pois come de tudo e não deixa nada.

**  Fobado. reles, indivíduo sem importância, que nada possui.

Povo fobado. É assim que o homem do saco trata as pessoas, ou seja, para o homem do saco o povo não tem importância. Aqui o homem do saco metaforicamente é um político que rouba tudo do povo e deixa todos na miséria. O operário representa a classe trabalhadora que também é explorada pelo homem do saco

António Alexandre

antonioaalex71@gmail.com

 

 

 

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