Antônio Fernandes do Rêgo: ‘Ser pai’

08/08/2020 22:20

Antônio Fernandes do Rêgo

Ser pai

 

Migram os pássaros no intenso inverno,

Tecem seus ninhos no ventre do monte,

Das alturas vislumbram o horizonte,

Pressentem a tempestade e sempre ternos

Acolhem e agasalham os seus filhos

Nos trançados de gazes e junquilhos.

 

Este é o instinto que a natureza os dá,

E quando o vento da invernada passa,

Vem a primavera com toda a graça

Ao sol rescende o olor das flores no ar,

Levam os filhos, vão-se a voejarem

E os ajuda se ao barranco tombarem.

 

Como parece os chamados animais

Com a sina dos humanos genitores,

Abrem-se os olhos da vida nos albores

E depois há que atravessar o cais.

 

Porque este é o ofício de ser pai

É em nome do filho o ser forte

Que pisando espinhos procura o norte,

Diz ao filho: “Cresce! Atravessa e vai!”

Mesmo que venha a angústia e aflição,

E queira ainda lhe dizer que não.

 

É suportar a dor, conturbação,

Até mesmo quando a alma se corrói,

É saber mesmo que fraco ser herói,

Ser forte mas dizer com afeição:

“Filho, há que ir, mesmo caindo, adiante!

Pois, ninguém o impede que se levante!”

 

Antônio Fernandes do Rêgo

  aferego@yahoo.com.b

 

 

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