Angelo Lourival Ricchetti: ÚLTIMA PARTE do livro que conta a história de uma família, desde 1400 até 2023. Ficção com base em documentos e narrativas de pessoas reais

06/01/2017 17:46

angelo-a-08-de-agosto-de-2016-1Última parte do romance ‘Da arte de se criar pontes’

 

Meu caro Helio Rubens,

segue copiado abaixo a última parte do meu romance Da arte de se criar pontes. Peço o favor de publicar no ROL.

Agora, com base nas observações que as pessoas fizeram eu passo a revisar o texto tanto quanto ao conteúdo quanto à forma para posterior publicação virtual e, se conseguir dinheiro, em papel.

Agradeço muito a você por haver publicado pelo ROL esta e todas as partes.

Angelo L Ricchetti

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CAPÍTULO DÉCIMO TERCEIRO (último)

 
Cinthya foi ver como estavam as investigações sobre o assassinato do seu amigo Marco Antonio. Incomodou todo mundo na Secretaria Estadual de Segurança e não conseguia resposta alguma. Até que um delegado de polícia idoso a chamou de lado:
– Minha filha, precisa ter calma e ter sorte. Em São Paulo morrem 10 jovens a cada hora! Veja aqui.
E mostrou a ela muitos arquivos no computador.
– Com sorte pode surgir alguma pista, com sorte…
Ela voltou desconsolada.
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QUARTA PARTE DO DEPOIMENTO DO LOLOU)Sobrou um outro vicio iniciado aos dezoito anos, o de fumar. Parar de fumar foi algo tão de repente e tão simples que até hoje não sei como aconteceu.
Em uma das pensões que fui morar, sendo mista, conheci uma jovem, Maria Julia Fernandes, de Itapelinda e fomos nos conhecendo e nos casamos. Primeiro moramos em São Roque e todos os dias eu ia a São Paulo para trabalhar no Governo. Lá nasceu nosso primeiro filho, o Leon Francisco.
Mas as seguidas viagens de longas horas para ir e voltar do trabalho na Capital acabaram causando um grande desgaste física e mentalmente. Por isso e estando Julia para ter o segundo filho, conversei com meu sogro, Helio Fernandes, um dos homens com mais bondade que já encontrei em minha vida, sobre a possibilidade dele falar com o Governador do Estado, de quem era um cabo eleitoral, de conseguir meu afastamento junto à Prefeitura de Itapetininga.
Ele conseguiu e fomos morar lá quando em dezembro nasceu a Amanda.
Com o tempo descobrimos, com a ajuda de um médico professor, que tinha pedra na vesícula biliar e teria de ser removida, senão havia a possibilidade de morte.
Fiquei no hospital por cinco dias e quando fui para casa não sentia mais vontade de fumar. Imagine, eu, que acordava a cada três horas para fumar e quando não tinha cigarro, punha uma roupa e rodava Itapelinda toda para comprar um maço de cigarros, de repente, não fumava mais.
Por muitos anos continuei com funcionário público, tanto afastado junto à Prefeitura, ou órgão estadual como também no Palácio dos Bandeirantes, voltando a viver a semana toda em São Paulo, vindo a Itapetininga nos finais de semana.
Pronto. Creio que já escrevi muito sobre mim. Vou parar. Se quiser perguntar mais alguma coisa, faça isso.
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– E sobre a Munira? Pergunta Cinthya.
– Poucos meses depois que me casei, em uma agência de banco em São Paulo, eu a encontrei por acaso. Nos falamos bem pouco. Ela falou que sabia que eu me casara e desejou felicidades. Perguntei sobre ela.
– Eu me casei com um colega da Secretaria da Fazenda mas durou apenas dois meses. Munira mostrou um sorriso nos lábios mas tristeza no olhar.
Oito anos depois, trabalhando no Governo Paulista ainda, fui fazer uma reunião em uma Secretaria e nela trabalhava Dalva, uma amiga comum de Munira e de mim. Disse que a Munira estava bem. No dia seguinte voltei para continuar a reunião e havia um recado para eu falar com a Dalva. Ela disse:
– Eu menti para você. Munira está com câncer no estômago. Não passa de uma semana…
Fiquei atordoado. Quero ir ver a Munira!
– Não vai ver não! Ela me avisou para você não ir. Para lembrar dela como no passado. Ricchetti (era assim que eu era chamado por ela) ela está muito magra, muito maltratada pela doença.
Não fui. No final de semana, em casa em Itapelinda, lendo o jornal, de repente meus olhos vão para o ponto do anuncio de mortes e lá estava o nome de Munira, com 50 anos, como eu.
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Lolou, por incrível que possa parecer, superou aquele momento. Ele conta.
– Na segunda feira voltei para São Paulo, cidade que nos dois, Munira e eu, andamos muito tempo juntos, como amigos. Cheguei ao Palácio do Governo onde trabalhava, completamente desnorteado.
Minha amiga e secretaria, a Solange, quis saber o que estava acontecendo. Contei da Munira. Ela já sabia bem da história.
Enquanto falava, algo em mim parecia mudar rapidamente. Solange, muito ligada a anjos, começou a sorrir. Eu estranhei e perguntei e ela disse.
– Você está sentindo algo diferente, não está?
– Sim, a cortina na janela está tocando meu ombro.
– Não é a cortina…
– Como não é? Eu sinto um ventinho e a cortina me tocou!
– Não está ventando. Olhe.
Eu olhei e estava tudo parado mesmo. Perguntei a ela o que estava acontecendo.
– Quem tocou em seu ombro foi a Munira. Está dizendo que tudo está bem!
Baixou uma imensa paz em mim. De fato daquele momento em diante eu sentia que Munira estava em outra dimensão e se sentia bem.
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Final de semana voltamos a Itapetininga. Havia notícias que o grupo de estudos teóricos da USP sobre a questão de se ser saudável estava com bom material desenvolvido. Graças a cooperação, agora possível devido o adiantado progresso dos meios informáticos, com vários cientistas do mundo todo.
Uma questão importante fora levantada entre os cientistas. Os homens e mulheres da criação de Ciências produziam teorias que passavam a serem práticas para outros meios de ciência aplicada, tecnologias, tanto usadas para benefício como malefício para a humanidade. Porém, os habitantes do planeta Terra estavam a ponto de extinção e era necessário que os cientistas deixassem de lado ficar à serviço de capitalistas e se voltassem à sobrevivência humana.
A Cinthya vai se encontrar com as pessoas de Itapelinda envolvida com a ideia de um Município Saudável e contar as novidades.
Eu fico com o Lolou conversando:
– Lolou, você não quer dar mais depoimento. Tudo bem! É seu direito. Mas você teve um papel importante na ideia de Município Saudável. Então queria que contasse um pouco sobre você em Itapetininga.
– Volto a dizer que não fiz nada de importante aqui.
– E como você explica o chamado Instituto Julio Prestes que você coordenou durante muitos anos.
– Essa organização que nunca formalizamos foi uma ideia que surgiu da parte de três pessoas: Helio Rubens, Professor Doutor Cesário e eu. Era para ler e conversar a respeito de um novo paradigma, o da Complexidade. O autor escolhido era um pensador francês, Edgar Morin, que havia escrito muito a respeito. E foi o que fizemos, tendo participado muitas pessoas, inclusive a Professora Doutora Maria do Rosário.
Não dá para citar todas as pessoas porque foram muitas.
Além desse projeto de estudo pensou-se em projetos culturais, sendo que o do Cine Clube ganhou mais destaque e nos proporcionava falar a respeito da Complexidade por exibirmos filmes de autores, não de grandes estúdios de cinema, e após a exibição o debate sobre o conteúdo do filme.
Pronto. Não há mais nada a falar sobre mim!
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Ele tenta escapar da conversa. Aproveita que entra na sala a minha prima Laura e vem mostrar a ele desenho e pinturas que ela fez.
De fato são obras belíssimas, ela sabia combinar cores que dramatizavam o momento, criam um clima!
Com o Lolou está olhando os desenhos e pinturas que Laura mostra eu aproveito para perguntar.
– Lolou, você não contou, mas está no seu curriculum vitae que você faz parte do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Itapetininga e também da Academia Itapetiningana de Letras. Vai dizer que são meros títulos que recebeu?
Ele fica me olhando por um tempo. Depois diz para Laura que os trabalhos estão ótimos e ela sai. Ele não quer me responder.
Eu continuo a insistir.
– Eu fiz as contas lendo seu currículo que a avó Maria Julia me emprestou que você trabalhou mais de vinte anos como Assessor Técnico do Governo. Isso também não tem importância? Afinal o que você fez esse tempo todo lá?
Agora ele faz uma cara feia para mim mas responde:
– Lá, em outros lugares, e aqui em Itapelinda, eu fiz muitas coisas. Mas todas elas não foram adiante. Não sei se por culpa minha ou não. Eu não considero que fui eu também que fiz, porque sempre trabalhei em grupo, em equipe e o conhecimento e as ações eram do grupo todo, mérito ou demérito de todos. Claro que algumas vezes esse demérito foi causado por mim.
– Por exemplo…
– Por exemplo, no Governo Paulista nós tentamos introduzir a gestão administrativa com tecnologias avançadas. Se você visse o Palácio do Governo, o prédio, antes de aplicarmos a gestão pela qualidade total e visse depois ia perceber como eram técnicas maravilhosamente simples.
Em outra oportunidade, sob uma liderança brilhante de um arquiteto, o Roberto, que era irmão mais velho de um amigo e colega da GV, o Celso Agune, introduzimos a Gestão do Conhecimento e Inovações.
Por falar nos colegas e amigos da GV São Paulo são tantos e não tenho como enuncia-los aqui.
Aprendi muito e errei muito nesses projetos.
Mas tudo isso é passado. Acabei descobrindo com meus estudos que nós vivemos subjugados por um modus vivendi que é nocivo à humanidade e nada por de ser feito para eliminar esse modus. Veja o caso dos filmes tanto de cinema como os de televisão. O mérito deles não á arte e sim a diversão. Afasta uma visão crítica sobre a realidade que se vive. Ao contrário, quanto mais emoção e menos razão melhor! Leva a uma infantilização das pessoas.
– Então esse projeto aqui de Itapetininga não vai modificar em nada esse modus?
– Talvez não vá. Vai ser mais um exemplo do que poderia ter sido, como foram muitos projetos dos quais eu participei.
Não sei o que responder. Com o avanço mundial da deterioração do planeta Terra causado pelos povos de todas as nações, pelos governos, sejam lá quais sejam, pela ausência das ONU – Organização das Nações Unidas, de mãos atadas quase sempre, o Lolou, com seus 83 anos, certamente não acredita em alguma vitória desse projeto de Itapelinda.
Vô Lolou resolve desabafar, andando de um lado para o outro no quarto.
– A virtualização da realidade cria continuamente redes de pessoas e organizações todos fazendo o tempo se encolher, sob esse modo da produção da vida humana com base no capital, no consumo, nos serviços e produtos com uma obsolescência cada vez mais curta de modo a tornar o consumo obrigatório.
O conhecimento é feito aos pedaços e nunca mais se ligam, são mantidas isoladas as especialidades, as ciências e, pior, não se ligam às artes e às ciências. O paradigma atual vale apenas para o que é racional.
Para, me encara para dizer com toda a gravidade:
– É um tal de se lucrar o máximo possível no menor tempo, não se importando com a destruição da natureza e da doença endêmica dos humanos por causa desses consumos de bens e serviços que degradam o ser humano.
Depois continua a andar sem parar de falar.
– Há um deslocamento dos custos de produção e propaganda dos capitalistas para os trabalhadores, consumidores em geral, por meio de salários baixos e créditos altos. Sabendo-se que créditos ao consumidor nada mais são do que pedaços de vida humana futura comprometida para pagamentos de prestações e altos juros. Cansei.
Meu vô para de falar. Usa tanta energia que não se acredita que ele ainda a tenha.  Ele senta na cadeira à minha frente e continua, depois de um breve intervalo:
– Vou contar algo que aconteceu ontem em uma loja de roupas aqui em Itapelinda para ilustrar o que desejo dizer. Como você bem sabe, todas as compras, seja de prestação de serviço, ou de produtos, usam-se o meio digital, sendo o presencial muito raro de acontecer. Por isso estranhei quando uma jovem bonita entrou na loja, na verdade um balcão com computadores e mostras de roupas sendo fotografadas para serem apresentadas pelo meio digital. Qualquer um em qualquer parte do mundo vê esse catálogo e faz o pedido. Como sou amigo da moça que faz as fotos eu estava lá falando com ela.
– Mas e a moça bonita?
– Calma, já vou contar. Ela entra e se dirige à minha amiga dizendo querer ver um vestido.  Minha amiga pergunta qual o código. Ela: que código? Ora o código que está na Internet. A bonita fala que não quer essas coisas feitas em grande quantidade, embora possa ter o modelo e a cor, etc, deseja. Ela quer algo que ela possa ver de perto, cheirar, posar na frente de um espelho. Essa coisa antiga.
Minha amiga pisca o olho para mim e diz para a moça entrar e olhar o que está sendo fotografado. Depois de um tempo a moça chega com um vestido na mão. Gostei desse, ela diz. Quanto é? Minha amiga fica surpresa. Este vestido não é para a venda pela Internet, ela diz. É de uma conhecida minha que faz vestidos por encomenda. É uma Ong. Custa dez vezes mais que os do catálogo. A bonita fica admirada: mas por que isso? Por ser um vestido feito por ela, pelas mãos delas e não por máquinas.
– Compreendi vô Lolou. À moda antiga são poucas peças e por isso custam muito mais que as feitas por máquinas. Isso me lembra a luta por produtos saudáveis.
– Isso, meu inteligente neto, isso mesmo! A idéia do Município Saudável não é possível existir no modo de produção da existência capitalista. Quem sabe no socialismo sim. Esse é o drama, ou tragédia, de todos nós aqui em Itapelinda: querer algo humanamente quando o capitalismo, em si, é desumano! Sempre há uma grande concentração de renda nas mãos de poucas famílias!
Ouvindo essas palavras do Lolou, fico com a impressão de que vamos fracassar, todos nós fracassaremos. Ele consulta a organização de arquivos no computados, organizados por mi. Abre na tela uma foto de José Mujica:
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Em maio de 2025 recebo um convite da Prefeitura de São Manuel, Estado de São Paulo, cidade natal do meu vô Lolou. Diz que seguindo o exemplo de Itapetininga foi criada uma comissão para desenvolver um programa nos moldes do Município Saudável. Olho, sorrindo para minha noiva:
– Cinthya veja esse convite. Ela toma de minha mão e lê e me olha sorrindo também.
– Você, com seu pessimismo doentio, igual o do seu avô, estão sendo contrariados pelos fatos! Vamos lá para conhecer o que está havendo!
E fomos!
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São Manuel, a antiga São Manuel do Paraiso, nome do riacho que corre na cidade, como já falei, depois do café havia se transformado em um mar de cana de açúcar, dentro do oceano que era toda a região do Estado de São Paulo. O boia fria da plantação de cana, ganhava o dobro do boia fria de Itapelinda. Teve representantes tanto na Assembleia Estadual como no Congresso, lutando por São Manuel e região. Coisa que quase não houve em Itapetininga, a não ser pelo Edson Giriboni que fez um trabalho excelente.
Quando chegamos à cidade fomos recebidos muito bem, tanto por causa de sermos da Família Ricchetti que por ali teve seu surgimento, como também pela vivência minha e de Cinthya do programa pioneiro em Itapelinda. Foi organizado um encontro entre lideranças municipais tanto do setor público como do setor privado, em especial os proprietários de grandes glebas de terras com cana de açúcar plantada.
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Estamos no amplo auditório municipal, completamente lotado de interessados nos temas.
Toma a palavra o Prefeito Guido Brancaleotti, certamente descendente de italianos:
– Estivemos em Itapetininga, após a apresentação na Assembleia Legislativa do Estado, para apreciar o programa Município Saudável. Na volta falamos com muitas lideranças sobre a possibilidade de fazer algo semelhante. Como não há duas pessoas iguais, também não há duas comunidades iguais. Aqui o programa precisa ser diferente e temos uma dúvida inicial que a Comissão por nomeada de cidadãos, empresários, agentes públicos precisa resolver e nada melhor do que ouvir o bisneto do Angelo Ricchetti, um dos empreendedores mais famosos em São Manuel nos idos de 1900, para nos ajudar com sua participação em Itapelinda.
Sou chamado a tomar assento nas cadeiras junto à mesa principal, mas não vou sozinho e levo junto comigo minha noiva.
– Esta é minha noiva, a Cinthya que participou ativamente em todo o processo, inclusive junto à Universidade de São Paulo, e vai me ajudar a responder às perguntas, se pudermos, é claro.
Vejo que há algumas risadas nos que me ouvem. Apresenta-se o presidente da Comissão e entra diretamente na dúvida que paralisa os trabalhos do programa.
– Como é sabido, São Manuel e região tem uma plantação extensiva de cana de açúcar. A maior receita do município advém dessa produção. Mas os produtores não abrem mão de usar agrotóxicos por saberem que a produtividade é alta e o rendimento compensa o uso de poucos espaços.
– Poucos espaços? São terras enormes, latifúndios que se perdem de vista!
Comenta uma pessoa das plateias. O prefeito intervém:
– Senhor João Carlos! Peça a palavra antes de falar.
Inicia-se um tumulto porque outra pessoa, produtora de cana de açúcar, acusa a esse João Carlos de “encrenqueiro” e de pequeno produtor que não aceita essa condição e quer que se acabe a produção em massa.
Há um bate boca generalizado. O prefeito pede calma e de nada adianta. Ele passa a gritar até ficar sem voz. Então, italiano ou neto como deve ser, faz algo inusitado: sobe na mesa e começa a bater palmas, cantando uma canção italiana. Todos param, sem entender. Faz o silêncio e ele sorri e desce da mesa.
– Veja meus caros convidados como é difícil começar a pensar em algo congregando todos nós em melhoria pessoal e coletiva.
Cinthya se anima, pega o microfone da mão do Prefeito Guido:
– Sempre é possível compreender o outro, criar as condições para o diálogo. Não é necessário fazer uma mudança tão grande de repente. Podemos pensar como conciliar a grande produção e os pequenos produtores. Sem que se agridam pela mesma forma.
As pessoas se entreolham ouvindo aquela moça da China, falando com sotaque, mas com entusiasmo. Ela se anima e segue em frente.
– Há produtos cujos preços dobraram quando produzidos em pequena escala, mas com qualidade muito superior para o consumo humano. O Kainã vai explicar melhor!
Creio que entendi o raciocínio dela e respiro fundo:
– O que a Cinthya está dizendo é sobre o que vivemos em Itapetininga. Lá a produção sem agrotóxicos em pequenas propriedade rurais, mas com muita organização cooperativa, consegue algo em pequena escala pessoal, mas juntas produzem o suficiente para um mercado que está disposto a pagar mais caro algo que não prejudique a saúde das pessoas.
– O açúcar que produzimos não faz mal às pessoas!
Percebo que é um dos produtores de “plantation” e tenho a resposta na ponta da língua.
– O açúcar demerara é melhor do que o refinado para a saúde humana. Se há mercado para a produção em escala de açúcar assim e consumo no mundo todo, tudo bem. As pessoas que usam ainda não perceberam a diferença.
Sou vaiado por um grande grupo de pessoas que mais tarde fico sabendo que são boias-frias, empregados a mando de proprietários dessas terras. Eu me calo, pois já dei meu recado. O prefeito, já me pedindo desculpas, encerra o encontro. Ele me diz que falta muito ainda para se pensar no programa. Na saída sou procurado por um dos líderes dos pequenos produtores.
– Entendemos muito bem a sua proposta e vamos começar por ela. Por favor, me passe os contatos de Itapelinda para conhecermos melhor como se faz esse tipo de cooperação.
Passo os dados para ele, nos despedimos do prefeito e do presidente da comissão. Cinthya diz a eles:
– É melhor começar devagar e ir aprimorando com o tempo. É possível conviver, ao menos no começo, o grande produtor e o pequeno empreendedor. A superação do uso dos produtos tóxicos e tudo o mais vai depender da conscientização das pessoas no mundo todo. Enquanto isso, senhor prefeito, outros projetos podem ser feito de forma paralela, como acontece em Itapetininga.
Saímos de São Manuel. Antes passamos pela Rua Maestro Angelo Ricchetti, no Jardim Tereza Cristina. Não seria prudente ficarmos por lá enquanto os ânimos estão tão exaltados. Queríamos tanto visitar o Museu do bisavô Angelo Ricchetti, conversar com as pessoas! Tudo bem, fica para outra oportunidade.
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A vida continua. Todos nós envolvidos com nossos amores, desamores, projetos, trabalhos, vida em frente, pois não se pode parar.
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Cinthya Lee se casou comigo no verão de 2026. Seus pais e parentes vieram da China. Foi tudo bem complicado por não entendermos nada do que eles falavam. Em compensação eles também não entendiam nada do que nós falávamos. Mas foram bem simpático e muito emotivos. Não imaginava que o povo da China fosse desse modo. O nome de minha esposa agora é Cinthya Lee Ricchetti.
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Em cinco dezembro de 2026 nasceu Cecília, muito bonita e singular: tem traços meus e da mãe. É uma chinesa brasileira.
Eu fiquei fora do quarto, como é costume da direção da Santa Casa “Francisco de Assis”, de Berlim, Alemanha. Saiu do quarto a enfermeira muito loura, alemã, sorrindo muito com a recém-nascida, embrulhada em uma toalha, vindo pelo corredor onde eu estava, parando perto de mim, rapidamente para mostrar a Cecília. Nesse momento, por incrível que possa parecer, a recém-nascida abriu os olhinhos e sorriu. Fiquei em dúvida se foi isso mesmo que aconteceu ou foi minha imaginação.
Enviamos fotos da Cecília pela Internet para os parentes na China e para os parentes em Itapelinda.
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Depois de graduados nós fomos fazer mestrado na Inglaterra. Ficamos todo esse tempo, dois anos, sem visitar os parentes em Itapelinda. Falávamos por meio de imagem e som, algumas poucas vezes com os parentes em Itapelinda e em Xangai.
Começamos, sempre estudando e trabalhando juntos, a ir para outros países. Cecília nos acompanhava. Cinthya se admirava como ela rapidamente falava outras línguas.
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Estivemos na China em dezembro de 2027, não para mostrar Cecília, e sim para assistir os funerais dos pais de Cinthya. Houve uma explosão de um reator e a região em que moravam foi muito atingida. O enterro foi simbólico. Não havia mais corpos. Cecília, a neta do casal, conheceu os avós apenas por fotografias em cima do altar, como é costume lá.
Minha esposa, desse dia em diante, perdeu muito do interesse em tudo. Nem o projeto e o esforço que ela fez para o Município Saudável a fazia retornar àquela alegria contagiante. Continuava a trabalhar, mas perdera a vivacidade de antes, o entusiasmo. Trabalhava bem, contudo.
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Agora preciso contar da última vez que estive em Itapetininga, novembro de 2024, a chamado de minha prima Amanda. Meu avô estava com problemas.
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Percebo que ele não está doente fisicamente. Porém, mentalmente muito abalado e não quer conversar. Quem me ajuda a compreender porque surgiu essa crise aguda com ele foi minha avó Maria Julia.
– Esteve aqui em casa um senhor representante de uma grande empresa internacional de produtos alimentícios enlatados.
O seu avô não queria falar com ele por nada nesse mundo.
Mas esse advogado tanto insistiu que meu marido saiu até a porta de entrada para falar com ele. Eu fiquei ouvindo. Mas não dava para compreender bem do que se tratava.
Parece que o homem queria que ele recebesse um dinheiro para ir à televisão dizer o projeto de Munícipio Saudável era uma farsa, inventada por políticos corruptos.
– Não acredito que o vô Lolou tenha aceitado.
– Claro que não aceitou e ainda por cima expulsou o tal doutor. Antes desse tipo entrar no carro ainda ameaçou meu marido. Disse que vai dar um jeito nele.
– Que absurdo!
– Seu avô entrou em casa como se um mundo tivesse caído em cima dele e a partir desse momento deixou de falar. Era só “sim”, “não”, “já vou”, etc.
Tento entrar no quarto dele para conversar. Ele me parece mais uma escultura em mármore. Rígido. Não fala, não se expressa. Parece que não vê nada à volta, não escuta nada a não ser em volume alto antiga música. Enquanto ouço Rock Around The Clock e acompanho o ritmo da bateria, ele me olha, tenta sorrir, não consegue, me abraça bem forte, quase me esmagando. E me beija na testa.
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Saio do quarto e digo a minha avó que era preciso que ele fosse ao médico ou o médico o visitasse. Ela me informa:
– Já tentei, não consegui. Não adianta. Vai ficar assim até morrer.
– Mas eu quero ir atrás desse homem! Vou colocar a polícia nesse caso!
– Não é possível fazer anda. Não há prova de nada.
Vou embora chateado. Conhecendo, como aprendi a conhecer o Lolou, penso que ele está travado por dentro. Não há o que fazer.
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Passamos os anos de 2025 a 2029, construindo pontes em vários países. As cidades se transformam em mega comunidades e precisam muito de pontes.
Cinthya e eu percebemos o que quer dizer “a arte de se criar pontes”. Não essas pontes que fazemos para se ir de um local a outro. São outras pontes, aquelas para irmos ao passado, para irmos ao futuro e compreendermos o tempo de agora no espaço e na humanização da vida. Pontes para novas ideias, novos compromissos com as pessoas.
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Em abril de 2026 recebemos uma correspondência do prefeito de São Manuel dando conta que o programa de Município Saudável, com o nome de “Vivendo Melhor, com Saúde e Educação” estava sendo implantado com razoável sucesso. As divergências estavam sendo bem administradas de modo a não impedir as medidas de melhorias. Mostro para minha esposa Cinthya que me abraça e me beija, mas não diz nenhuma palavra a respeito.
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Em novembro de 2029, eu embarco em São Paulo com Cinthya e nossa filha Celina, rumo a Paris, França.
Somos convidados a assistir à entrega de um prêmio pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO – acrônimo de United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization) às autoridades do Município de Itapelinda, declarando ser o primeiro a ser considerado como exemplo para os demais, de um projeto conjunto, governo e cidadãos, voltados a uma vida humana sadia em todos os sentidos.
Agora que várias comunidades no mundo todo estão se tornando saudáveis, nos termos praticados por Itapetininga, é hora de se homenagear o município pioneiro.
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Segue conosco a Mariana, uma das modelos mais fotografadas no mundo, e a Laura, reconhecida com uma das pintoras com mais quadros vendidos.
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Despedimos de nossos pais Leon Francisco e Carla, em Itapelinda. O tempo estava feio, céu escuro, muita chuva toda hora. Mas meus pais estão felizes pelo rumo que conseguimos dar às nossas vidas e nos apoiam em tudo.
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Laura e Mariana se despedem de sua mãe Amanda e de seus pais. Amanda me beija e diz para eu cuidar muito bem de suas duas filhas.
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Antes de embarcarmos, porém, procuramos um jazigo, situado fora do campo santo do cemitério. Mariana logo o encontra e nos chama.
Amanda deposita um maço de flores sobre a lápide para o Angelo Lourival Ricchetti, o Lolou, o Ange<LO LOU>rival Ricchetti, falecido em 21 de dezembro de 2024.
A avó Maria Julia pega uma das pétalas das flores, abre o livro e coloca entre as páginas. Busco ler a capa do livro:
“Da arte de se criar pontes”
Laura liga seu celular digital na música predileta do Angelo Lourival. Ouvimos todos em silêncio, olhando o jazigo.
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There was a boy
A very strange enchanted boy
They say he wandered very far, very far
Over land and sea
A little shy and sad of eye
But very wise was he
And then one day
A magic day he passed my way
And while we spoke of many things
Fools and kings
This he said to me
“The greatest thing you’ll ever learn
Is just to love and be loved in return”
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“Nature Boy” é uma canção de Eden Ahbez, publicado em 1947. Foi apresentada no filme o Menino dos Cabelos Verdes, de Joseph Losey, em 1948. Era também a música preferida de James Dean, um ator enigmático, morto muito jovem. Fez apenas três filmes.
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Lolou me autorizara a publicar, com a ressalva de constar um recado a todas as pessoas com quem conviveu de que pede desculpas, mas não será possível citar tantas e tantas pessoas que o ajudaram em tudo, na infância, na juventude, na vida adulta, no trabalho, na aposentadoria, parentes, amigos, conhecidos, autoridades de todos os tipos.
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Nunca aceitei a versão de que Lolou haja se suicidado com um tiro de revolver. Qualquer perito, sendo honesto, iria desmentir o laudo apresentado. Disseram ter visto um homem ao lado do corpo de Lolou, na pequena praça no Jardim Deise, porém sumiu antes da polícia chegar. Ninguém soube dizer quem era. Não me conformo. Meu vô nunca teve revolver, nunca usou um… Para quê revolver? A sua arte era pacífica, sua arte era a de se criar pontes…
Aqui termino o que tinha de dizer sobre Lolou.
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POST SCRIPTUM
Estamos em janeiro de 2049. Nesses últimos vinte anos aconteceram muitos fatos, no início, quase sem se perceber, locais, mas se acelerando de forma intensa cada vez mais de locais para mundiais, com violência em um crescendo que agora tentamos esquecer. A humanidade se dividiu entre o socialismo e o capitalismo, entre outros grupos, religiosos e os ateus. E defensores dos capitalistas e dos socialistas, trucidaram-se de todas as formas, a partir de 2048. Muitas mortes. Não sei quantas foram. Ninguém sabe.
Da minha família sobraram minha filha Cecilia e eu. Vivemos em uma ilha pequena nos confins do Oceano Antártico. Somos cerca de duas mil pessoas. Chegamos de várias partes do mundo em vários transportes, sempre fugindo das nuvens negras e tóxicas. Melhor seria dizer duas mil pessoas sobreviventes da hecatombe nuclear mundial. Foram poucas horas, poucos dias para muitos tentarem fugir. Os meios de comunicação foram escasseando até não se ver ou ouvir nenhuma notícia mais.
Único lugar em nosso planeta, pelo que sei que se vive em amor e paz, apoiados no respeito mútuo e na prática daquele antigo projeto de Município Saudável e agora também espiritual. Passamos por uma depuração mental. Somos mais leves.
Escrevi este texto à mão na capa final do exemplar que ficou comigo do romance Da arte de se criar pontes. Como se fosse um final de carta para você que encontre, por acaso este livro, depois de nós.  SHALOM ALECHEM, IRMÃOS EM CRISTO.
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Nestes anexos coloquei os dados que me foram enviados.
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Anexo um
Nomes Grau    País     Estado Cidade            Ano     Mês     Dia
Lucila de Campos Mello Ricchetti    minha mãe      Brasil   São Paulo        São Manuel1914        04        19
Angelo Ricchetti        meu avô paterno         Itália               Castelluccio almaggiore
1866    08        02
Maria Giovanna D’Andrea Ricchetti minha avó paterna      Itália               San Bartolomeio in Galdo     1868    03            14
Bento de Campos Mello        meu avô materno        Brasil   São Paulo        São Manuel
Catita  minha avó materna     Brasil   São Paulo        São Manuel     0000    00        00
José Eduardo Ricchetti          meu irmão       Brasil   São Paulo        São Manuel               
Vera Maria Ricchetti Meneguelli       minha irmã      Brasil   São Paulo        São Manuel    
Antonio Geraldo Ricchetti    meu irmão       Brasil   São Paulo        São Manuel               
Manoel Fernando Ricchetti   meu irmão       Brasil   São Paulo        São Manuel               
Henrique Ricchetti     meu tio paterno          Brasil   São Paulo        São Manuel               
Linda Ricchetti Ricci minha tia paterna        Itália                                                  
Fausto Ricchetti         meu tio paterno          Brasil   São Paulo        São Manuel               
Hermínio Ricchetti     meu tio paterno          Brasil   São Paulo        São Manuel               
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Anexo dois
Família de José Eduardo Ricchetti
Filho 1º Maria Estela Ricchetti de Oliveira casada com Valmir de Oliveira, seus filhos…
Humberto, Leticia, e André, hoje Leticia casada com Fabio e tem uma filha a Rebeca, bisneta do Eduardo e da Terezinha.
Filho 2º José Eduardo Ricchetti Junior casado com Lourdes, seus filhos Fernando e Gabriela.
Filho 3º Paulo Rogerio Ricchetti casado com Lúcia seus filhos Michael, Camila, Raíssa, Paul e Richard.
Filho 4º Lucimara Aparecida Ricchetti Carvalho, casada com Rui, seus filhos Leon e Guilherme.
Filho 5º Márcia Andreia Ricchetti da Silva, casada com Niceu, seus filhos Renan e Pamela.
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Anexo três
Família de Sylvio Laís Ricchetti
Sylvio Laís Ricchetti, filho de Henrique Ricchetti e Sylvia Duarte Espindola, e neto de Angelo Ricchetti e Maria Giovanna D’Andrea Ricchetti.
Nascido na cidade de São Manuel, Estado de São Paulo – Brasil.
Atualmente casado com Selma Francelina de Oliveira com quem tenho dois filhos, Ricardo e Camila.
O Ricardo é casado com Juliana Matozinho Ricchetti. Eles têm (?) um filho nascido em São Paulo cujo nome é Giuzeppe.
A Camila é nossa filha solteira.
Anteriormente casado com Norma Lux Ricchetti, falecida, com quem tiveram três filhos:
1-Sylvio Roberto (divorciado) teve duas filhas, Mariana e Gabriela.
Após seu divorcio Sylvio Roberto teve mais um filho, o Enzo.
2-Marcus (divorciado) teve dois filhos, Julia e Pedro Henrique.
3-Wania, casada com Marcio Pedro Basso, têm dois filhos, Danilo e Bruna.
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Anexo quatro
Família de Angelo Lourival Ricchetti e de Maria Julia Fernandes Ricchetti
Angelo Lourival Ricchetti, nascido em 19 de novembro de 1939, filho de Uth Ricchetti, nascido em 11 de outubro de 1911 e falecido em 18 de julho de 2001 e de Lucila de Campos Mello Ricchetti, nascida em 19 de abril de 1915 e falecida em 11 de junho de 2006. Filho de Angelo, Leon Francisco Fernandes Ricchetti, nascido em 11 de outubro de 1981, casado com Carla Ignácio, filho do Leon e Carla, Cainã Ignácio Ricchetti, nascido em 28 de abril de 2002. Filha de Angelo, Amanda Fernandes Ricchetti, nascida em 23 de dezembro de 1982, sendo filha da Amanda, Mariana Fernandes Barreti, nascida em 11 de dezembro de 2002 e Laura Fernandes Marques, nascida em 13 de março de 2007. Angelo é casado no civil em oito de agosto de 1981, no religioso em 16 de julho de 1983, com Maria Julia Fernandes Ricchetti, nascida em 18 de maio de 1961, filha de Helio Fernandes, nascido em 16 de outubro de 1934 e falecido em 18 de janeiro de 2006 e de Maria Rodrigues Galvão Fernandes, nascida em 30 de março de 1932 e falecida em 20 de março de 1998.
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Anexo cinco
Família de Mario Portes e Celina de Campos Mello Portes
Mário Portes, (30/04/1914), casado com Celina de Campos Mello Portes (15/06/1924), filhos Mário Portes Júnior (17/08/1945), Ana Elisa Portes (02/03/1947), Carlos Alberto Portes (20/01/1951), Maria Aparecida Portes (14/06/1952) e Rita de Cassia Portes (01/07/1954). Netos são filhas do Mário Jr., Maria Lúcia Portes (21/05/1971), Ana Cecilia Portes (25/11/1975) e Ana Paula Portes (02/02/1983). Filho do Beto, Carlos Alberto Portes Junior (10/03/1979), filhos da Maria, Aline Maria Portes de Miranda (03/01/1985), Ana Beatriz Portes de Miranda (08/03/1988), Regina Helena Portes de Miranda (18/09/1989); filhos da Rita, Rodrigo Portes Ureshino (29/04/1983) e Thais Portes Ureshino (29/04/1986). Bisnetos de Celina e Mario, da Ana Cecilia, Bruno Portes Pisconti Povh (12/09/1995), Gabriela Portes Pisconti Povh (06/05/1998), Victor Portes Pisconti Povh (05/01/2001) e Laura Portes Rocha (05/09/2011); da Regina Helena, Maria Julia Capistrano de Miranda (20/12/2006); da Aline Maria, Alice Portes de Miranda Carneiro (04/06/2010).
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Anexo seis
Família de Manuel Fernando Ricchetti e Vilma Ricchetti
Filho Jean Luciano Ricchetti
Filha Fernanda Ricchetti Adamovich casada com Pedro Von Adamovich
 E filho Otto Ricchetti Von Adamovich
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