Angela Fiorenzo: ‘O tempo ao seu tempo’

08/09/2020 09:58

Angela Fiorenzo

O tempo ao seu tempo

Fantasy landscape

45 anos haviam se passado…

E de repente, sem medo de se machucar ou do que encontraria, o desejo uniu-se às  lembranças,  arremessou-se ao encontro da saudade e com um salto gigante alcançou um tempo que ficou lá atrás, mas não esquecido.
Eu disse gigante? Sim, talvez para alguns a sensação seja essa, mas para quem vive a história,  45 anos afinal, podem não estar tão distantes  como parece. Depende de quem enxerga, do  modo como enxerga, do que sente e do que viveu…   Sempre há mais de uma verdade, olhares diferentes para uma mesma situação.
Foi assim que 45 anos depois eles se encontraram. O telefone encarregou-se da conexão. Desde o início Ella sabia quem ele era. Ele, não tenho certeza. O que eu sei é que as primeiras conversas, a caminho das descobertas, rapidamente deram lugar a outras que, cada vez mais, aqueciam o tempo em que estavam juntos,  trazendo à tona recordações de uma época marcante e inesquecível que,  como amigos e contemporâneos, viveram.
Assunto, nessa volta vertiginosa aos seus anos dourados – todos temos pelo menos um! – não faltava! Tanto fazia se se falavam pela manhã, à tarde, à noite ou madrugada. As horas sempre voavam… As lembranças, a revelação de uma atração escondida por ele durante tantos anos, o encantamento que dá aquele friozinho na barriga, faz a gente  sorrir sem motivo e ter vontade de dançar, mexeram com ela. Mexeram com emoções e sentimentos guardados que, imaginava, não retornariam,  ainda mais com a força que retornaram…  Deram vida ao distanciamento social, ao isolamento, venceram seu não desejo de um novo relacionamento. Estava feliz e, como dizia, sem problemas!!!
– Agora, minha amiga, arranjei um!” – me contou um dia.
– Por que você diz isso se gostar é tão bom??? – perguntei.
– Eu não disse que não é! Pelo contrário, é maravilhoso, a gente se renova com a entrega, expande nossa alegria, mas que é problema, é!!! O gostar implica em não ser indiferente e o não ser indiferente faz a gente se importar e quando a gente se importa, se envolve e o envolvimento, pode causar dor!!! Entende aonde quero chegar??? Mas isso não me preocupa e nem me faz desistir antes de tentar!!! Vivo o hoje, o amanhã ainda não chegou, não é? Aliás, mergulhar no que eu quero e acredito, esse é o único mergulho que dou, já que não sei nadar!!! – E Ella ria com um sorriso de quem sabe ser feliz, sem  deixar sua felicidade nos ombros de ninguém.
Uma pessoa intensa que colocava paixão em tudo o que fazia e precisava que tudo fosse intenso em sua vida. Até quando conversamos pela última vez, antes de sua despedida, viveu com a  intensidade que a movia, esse novo amor. Na verdade, os dois. “Você me fez voltar à adolescência”, lembro que Ella contou  o que ele falou!
Não nos encontramos durante  um bom tempo, e quando nos vimos foi para a despedida.  Ela não  disse nada e eu também não perguntei, se quisesse teria comentado. Simplesmente entendi e respeitei seu momento.
O que vou levar da nossa convivência, das nossas conversas? O muito que aprendi ouvindo suas histórias, entre tantas, as  de amor, arrebatadoras algumas, um tanto sofridas outras, as idas e vindas, as conquistas, as perdas, mas sempre, em qualquer situação, ela valorizando os ganhos. Esperava pelo melhor sempre, que dizia “vai acontecer”.
Enquanto aguardo  para saber mais,  continuo aqui, torcendo por eles… Acredito em um final feliz!

 

 

 

 

Tags: