Andréia Cristina de Souza: ‘As três estações de uma paineira’

07/07/2019 07:23

Andréia Cristina de Souza

As três estações de uma paineira

Imagem extraída da internet

Todas as manhãs acordo com o cantar do galo anunciando que um novo dia se inicia. Levanto-me e me dirijo para a cozinha, almejando saborear um delicioso café da manhã, e começo a prepará-lo então. A cafeteira, a água, o cheirinho do pó do café torrado, que sensação maravilhosa! Mas de repente, meus outros sentidos também são estimulados. 

Olho através da janela e, defronte a ela, para abrilhantar meus olhos, está uma paineira: árvore imensa, com seus galhos esplendorosos, folhas verdinhas, mas, nessa manhã, está tomada por um colorido diferente. Um tom rosa fantástico, parecido com cobertura de sorvete sabor morango. Linda, majestosa, enche meus olhos de fascínio…

De fundo da imagem, um som bem animado, exalta ainda mais a bela imagem: um coral regido por um maestro natural, o sol, onde os músicos, em perfeita sintonia, são os pássaros.  Maritacas, pardais, bem-te-vis, o silencioso João-de-barro, alçando voo na busca frenética por terra úmida para construir sua moradia e cigarras que aumentam o som da perfeita melodia natural. 

São tantos pássaros que nela decidiram se aninhar, pousar ou descansar somente. O astro rei, iluminando a grandiosa imagem como a personagem principal de um espetáculo grandioso. Escondidos em seus galhos, ou sobrevoando-os, os pássaros alegram o coração de quem queira parar e observar a cena.

Imagem extraída da internet

Vem, então, à minha mente, uma recordação dessa mesma paineira, que há um tempo atrás estava totalmente sem folhas, pálida, sem brio, imperceptível sem a tamanha agitação dos passarinhos, uma imagem sem atrativos, somente galhos, com poucos vestígios de vida. E a misteriosa casa de João-de-barro, que somente nesse período fica exposta.

Em outro momento, a mesma paineira parecia uma tigela de salada verde, com variados tipos e nuances, verde para todos os gostos. Uma pintura com tons de esperança de que essa magnífica árvore me acompanhe em todos os dias e estações. 

Poucas pessoas, nos dias atuais, tem o privilégio de se deparar com tamanha beleza em um único abrir de janelas. A vida me presenteou com essa sorte e apreciar tal perfeição, me faz realmente feliz. 

Essa paisagem muda todos os dias, assim como a nossa vida. Se não pararmos para observar o que a vida nos proporciona gratuitamente, e de maneira cordial, seremos máquinas, dependentes e em função de riqueza material. 

Parar e apreciar o que está em nosso entorno é um desafio para muitos, mas, fechando os olhos e abrindo nossos corações, perceberemos que há muito mais em nossa vida que o dinheiro não pode comprar: abrir o coração para algo além de nós mesmos, faz a diferença…

 

 Andréia Cristina de Souza

andreiacrys.s@gmail.com