Adriana Rocha: ‘Restos’

29/06/2018 07:02

“A lembrança fica. Eu sei, você sabe. Nada deveria restar. Não importa. Ninguém segura o pensamento e ele vai longe. Nós não entendemos, mas a  dúvida me fascina e me afasta. Estou longe, muito longe.”

 

Às vezes penso em seu amor, às vezes penso no meu. Estivemos juntos e hoje sobraram fragmentos que não conseguem se unir e nem devem.O tempo passou. O prédio continua imponente, apesar de ser somente fachada.

Todo dia um momento de dedicação. Só  para você. Meu menino!

A lembrança fica. Eu sei, você sabe. Nada deveria restar. Não importa. Ninguém segura o pensamento e ele vai longe. Nós não entendemos, mas a  dúvida me fascina e me afasta. Estou longe, muito longe.

Eis-me procurando um rosto, uma imagem guardada por tanto tempo. Esqueço e, oh! Ele está aqui! Preciso de ajuda. O que faço? Parar? Mas e se me enxergar? Falo oi ou ignoro? Finjo que não o vi ou o cumprimento como quem já superou?

O tempo para. Só enxergo seus olhos, que apesar dos anos que se passaram ainda são meus…

A multidão se incomoda com minha imobilidade e me arrasta. Leve-me! Leve-me! Você não me ouve. Prossigo. Coração disparado. Entro na loja. Não compro nada. Nem preciso.

 

Adriana Rocha – adriana@lexmediare.com.br

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