Adriana Rocha: ‘Natal: quem é o homenageado?!’

02/12/2018 23:56

“No Natal comemora-se a vida do aniversariante que se fez carne e habitou entre nós! Mas de quem estamos falando?”

É Natal mais uma vez! Minha época preferida. Não sinto tristeza, tampouco saudades do que já vivi. Quero comemorar cada momento. Espero passar o dia de Finados e já monto a árvore. A tradição católica diz que deve fazê-lo no primeiro domingo do advento. Mas não consigo esperar! Que eu seja perdoada por tal “heresia”.

Não está fácil manter o espírito natalino este ano! Ignorar amigos e familiares que ofenderam, que zombaram, provocaram e humilharam porque se votou no outro candidato exigiria mais que uma postura cristã. Perdoar ainda não se é possível! Mas não é sobre tal assunto que este escrito se propõe a tratar, ainda que se conclua que não está de todo desatrelado ao conteúdo antes mencionado.

Ambientação é fundamental! Valoriza a época e o homenageado. Assim como se faz num aniversário. No Natal comemora-se a vida do aniversariante que se fez carne e habitou entre nós! Mas de quem estamos falando?

Vamos aos fatos: buscando pelos tradicionais enfeites, simplesmente não encontro temas exclusivos de Natal: há profusão de renas, papais-noéis, neve, etc. Mas quero temas cristãos: uma manjedoura singela, uma estrela cadente, sinos que toquem “Hosana nas alturas!”, o presépio que revela que a Vida supera a precariedade da exclusão.

É Natal mais uma vez! Mas não me iludo, tampouco me comovo com votos de “Hohoho”, de “Feliz Natal e Próspero Ano Novo”. Não quando quem os faz não age ou reage como pacificador: “Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade” e num ato totalmente anticristão defende a tortura, a discriminação e a violência! São votos da “boca para fora”.

Comemorar o Natal é relembrar o seu principal personagem, o protagonista. Ainda se sabe de quem estou falando? Sim, porque o Menino que devia ser morto, nasceu entre pobres e entre eles viveu, não porque valorizasse a pobreza, mas porque os desejava livres e exaltados!

Que o Messias (o verdadeiro e não o das “fake news”) seja inspiração para a busca de uma sociedade verdadeiramente focada em princípios cristãos, que não estão, necessariamente (graças a Deus!) vinculados às religiões.

Desconheço a autoria da canção, mas enquanto a missão do Menino-Deus não se concretiza, fica nossa reflexão e prece, em forma de letra e de música (eu a cantei emocionada..):

 

É NATAL MAIS UMA VEZ…

  1. É Natal mais uma vez…/ E Jesus continua procurando um lugar…/ pelas ruas e avenidas, lá vai ele a caminhar…/ pede esmola, por clemência… Sua cruz, sem idade, já começa a carregar./ É a dor, é a fome e a vontade de brincar…/ Só lhe ensinam violência.

/:Vem, Senhor, neste Natal libertar-nos do pecado/ Que flagela a tua face no menor abandonado!:/

  1. É Natal mais uma vez…/ E Herodes continua violento, muito mais…/ maltratando este Jesus que só lhe tira a sua “paz”, com desprezo, sem piedade!/ E, às vezes, dá um trabalho bem pesado ao “marginal”…/ mão-de-obra tão barata rende mais ao “capital”: Esta é sua caridade!

/:Vem, Senhor, neste Natal libertar-nos do pecado/ Que flagela a tua face no menor abandonado!:/

  1. É Natal mais uma vez…/ E Jesus continua oferecendo seu amor…/ Sua estrela nos indica todo pobre, irmão menor, quer a vida e a liberdade./ Seu presépio é a ponte, a favela e a prisão, o cortiço, a calçada e o lixo da mansão… quer justiça e igualdade./ 

/:Vem, Senhor, neste Natal libertar-nos do pecado/ Que flagela a tua face no menor abandonado!:/

 

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