Adriana Rocha: ‘Diálogo ou monólogo?’

15/04/2017 18:34

Adriana Rocha: ‘Diálogo ou monólogo?’

DIÁLOGO OU MONÓLOGO?

A convivência humana pacífica parece impossível quando observada sob a ótica das análises históricas de guerra, extermínios e segregação.                     Mas será que realmente o é?

Não sou ingênua e nem desinformada, mas também não “engulo” tudo o que me é oferecido, não recebo nenhuma notícia  ou informação como verdade absoluta e considero que todos os atos e fatos devem, obrigatoriamente, passar pelo crivo do contexto.

A importância de analisar informações recebidas está na base da construção de uma nova forma de convivência, pautada no questionamento e no diálogo.

Quando menciono diálogo estou considerando uma comunicação de via dupla, que pressupõe escuta ativa, ou seja, ouvir verdadeiramente, mas a partir do outro e não de mim. Falo e permito que o outro fale, não para rebater suas palavras e argumentos, não para vencê-lo, mas para entender seu ponto de vista, que parte de ponto distinto do meu, mas que é tão válido quanto aquele que tenho e apresento.

Todos têm suas próprias razões! Tal conclusão não inviabiliza a comunicação, mas exige uma nova forma de se posicionar e de se manifestar: a reciprocidade.

Diálogo é troca de ideias, de fazer circular significados e sentidos. Resulta da fusão das palavras gregas dia e logos (palavra, ou ideia).

É diferente de monólogo: longa fala ou discurso pronunciado por uma única pessoa. O nome é composto pelos radicais gregos monos (um) e logos.

A diferença é notória: no diálogo a comunicação busca o entendimento, o conhecimento da visão diferenciada e diferente do outro, no monólogo, somente a manifestação do “um” interessa.

Aprendemos, ao longo da vida, que é muito importante conversar, mas não nos ensinaram que a conversa é sinônimo de diálogo, de interessar-se, genuinamente, pela fala do outro e não tagarelar, de impor àquele nossa visão de mundo, de mostrar-lhe o quanto nossas escolhas, nossas vidas e nossas ideias são imprescindíveis (até porque não o são e mesmo que o fossem, quem pode garantir que as do outro também não o sejam?).

Interessante que quanto mais próximos estamos de alguém, menos dialogamos: reproduzimos nossas frases de efeito (que beleza!), não perdemos a chance de impor nossos conceitos sutilmente (ou de forma escancarada), e sequer questionamos a “zona de conforto” do falar repetitivo.

Importante esclarecer que não basta o silêncio enquanto o outro fala. Torna-se necessário abrir-se à sua linguagem, às suas colocações e olhar-lhe nos olhos (ainda que virtuais), para captar a essência de sua manifestação. Pode ser um pedido de desculpas, de perdão, de socorro ou um simples ‘olá!’, importa é permitir a via dupla do diálogo e não a mão única do monólogo. Cuidado com o andar na contramão!  Vamos Conversar!

 

 

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