Adriana Rocha: ‘Contramão’

17/07/2018 14:17

“ELA não era. Nunca quis ser. Nasceu assim. Calada, mas pensante. Bastava-lhe a rotina e o sentir..”

 

ELA não era. Nunca quis ser. Nasceu assim. Calada, mas pensante. Bastava-lhe a rotina e o sentir.

Causava estranheza, mas aos poucos ninguém mais questionou seus porquês e ELA continuou vivendo.

Cresceu.Continuou sentindo, mas não se envolveu: o Outro lhe era tão estranho, quase insuportável. Era impossível!

Seu nome? Já não se lembrava. Para as pessoas era simplesmente ELA, para ela, simplesmente EU. Assim viveu…

Sua ausência era tão presente que todos se acostumaram com seus silêncios. Sem ruídos.

Sabores e cores ELA reconhecia, os sentia e os amava. Impregnava-se. Não compartilhava.

O tempo fluiu, a vida passou, a existência venceu e ELA atingiu seu objetivo: eternamente NÃO SER!

…E foi esquecida…

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