Adriana Rocha: ‘Bibliografia de amigos’

19/11/2018 15:38

E, se nós, escritores e escritoras, começássemos um movimento de valorização aos amigos e amigas? Incluir seus textos, poemas, ilustrações ou sua história em nossos livros?”

 

Sempre foram raros! Muitas vezes, pouco compreendidos. De temas para músicas e poesias, quem os tem, ostenta.

Tamanha é a riqueza de se contar com amigos que ouve-se: “Posso contar nos dedos de uma mão os amigos que tenho”!

E para quem escreve, dentro e fora das Academias de Letras, da faculdade, no local de trabalho e até na própria casa, o que dizer deles?

Amigos são raros e ponto final! São poucos, pouquíssimos. Mas, para quem os tem, é preciso repensar se a eles dedica a atenção devida, o cuidado devido, a citação devida. Enfim, o reconhecimento merecido.

E por falar nela, não é tão difícil fazer um rol de citações num trabalho acadêmico de escrita. Lá no item “bibliografia”, elenca-se várias dezenas de autores renomados, nacionais e internacionais. Todos distantes, no tempo e no espaço. Se vivos, boa parte sem o menor vínculo de amizade.

Ainda assim, são citados pela importância do que representam para o pensamento humano. Isto é certo, é justo e digno. Mas, por que não citar os amigos?

Elogiar aqueles que estão próximos pode causar algum desconforto, talvez, para quem os cita, até por ciúme e inveja. Coisas humanas desnecessárias e doentias, mas que muita gente sente em menor grau aqui, maior ali e assim por diante.

Então, volta-se para a bibliografia de desconhecidos ilustres, de inacessíveis, mas se esquece dos amigos. Talvez porque não há muitos deles para que formem uma bibliografia.

E, se nós, escritores e escritoras, começássemos um movimento de valorização aos amigos e amigas? Incluir seus textos, poemas, ilustrações ou sua história em nossos livros? Se eles não fazem parte da nossa bibliografia de pesquisa, que possamos, ao menos, valorizar-lhes a biografia.

Não quero, ao final da jornada cósmica, levar comigo a ‘solidão de amigos’: “A saudade lembra de lembranças tantas, que por si navegam nessas águas mansas”…

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