Adriana da Rocha Leite: ‘Nosso encontro’

16/08/2017 11:38

Adriana da Rocha Leite: ‘NOSSO ENCONTRO’

 

 15/08/1989. No ônibus, alguém me observava. Não percebi de imediato.   O encontro aconteceu somente mais tarde. Não foi amor à primeira vista, do tipo fulminante, de perder o fôlego. Primeiro um olhar, depois muitas conversas. m novo mundo de escolhas e de conhecimento. Tudo era novidade para aquela adolescente. E como buscara por novas fronteiras, novas ideias e novos caminhos… O desconhecido sempre me fascinou, pelas perspectivas de mudança, de romper a zona de conforto e, principalmente, pelo seu caráter essencialmente audacioso. Assim o conheci!

O tempo nos fez amigos, a amizade nos fez amar e então, eu perdi o fôlego! Por viver um Amor de rupturas com conceitos e estruturas. Por entender que a convivência exige respeito e não posse (“não sou tua, não és meu”), que somos completos e não “metades da laranja”, tampouco você é a “tampa” da minha panela. Sou única e você também o é!

Nunca quis um relacionamento de “faz de conta” ou de hierarquia.  Não sou adepta às ordens: minha rebeldia congênita não aceita imposições.  Por isso, assustei-me quando em conversa com meu pai sobre o casamento, ele lhe disse: “Você sabe que não poderá mandar nela.” Sua resposta:  “Se quisesse mandar em alguém, não poderia estar me casando com sua filha”.

Sua fala foi-me arrebatadora, fez-me sentir mais a liberdade  que já me pertencia), fez-me entender e valorizar a importância do vínculo, da convivência saudável de quem quer compartilhar e não simplesmente dividir.  E nada disso é mero conceito. Não para nós.

Não houve “pedido” formal, foi tudo tão natural, tão do nosso jeito, antes, durante e depois…

Valorizamos nossa convivência em busca da harmonia, não de pensamentos, ações e reações idênticas/iguais, mas de sintonia, de diálogo amoroso sobre quem somos e o que queremos, enquanto indivíduos e enquanto casal. Respeitar diferenças não nos faz sofrer, faz-nos próximos e cúmplices: “Somos suspeitos de um crime perfeito…”

Quem poderia homenagear-me no dia 08/08? Quem saberia a importância desta data no calendário de minha história, de minha vida? Quem entenderia qual foi a perspectiva e quais foram os sonhos da menina que saiu de casa aos 17 anos? Que não fugiu. Que foi em busca do que sempre soube que lhe pertencia? Sim, você e tão somente você!

Agora entendo: não foi um encontro em 1989. Foi um reencontro!…

 

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