Jorge Paunovic: ‘Tiradentes, uma lição’

20/04/2017 00:57

Jorge Paunovic: ‘Tiradentes, uma lição’

Nesta semana teremos o feriado de 21 de abril, sobre a Inconfidência Mineira.
Tiradentes creio tenha sido o nosso maior herói nacional e a história o resgatou para tanto.  Chamou para si toda a responsabilidade, quando descoberto o plano, e assim resguardou a vida de seus companheiros que foram condenados ao degredo (exílio) Não pensou em si mesmo, nos interesses próprios e tampouco em seu destino. Tiradentes não tinha partido político, tampouco ideologia, aprendeu com seus companheiros, pessoas da “elite’ (hoje condenada por alguns políticos e apontada como inimiga dos humildes) que estudaram no exterior (portanto tinham posses) sobre a Revolução Francesa a tal que exibia como bandeira a Fraternidade, Liberdade e Igualdade para o povo e não é a toa que a bandeira dos inconfidentes exibia a frase “Libertas quae será tamem”. (Liberdade ainda que tardia).  O plano era o Brasil ser independente de Portugal e não transformá-lo em satélite de outra nação, como alguns revolucionários do regime de exceção desejavam para o Brasil e hoje batem no peito dizendo serem amigos da democracia, embora tenham frequentado a escola cubana e sua tão respeitável democracia guardiã dos direitos humanos. São simpatizantes, investem e defendem governos autoritários que desrespeitam a diversidade e a democracia, o nós e eles, os que estão conosco e os que são contra nós e portanto inimigos.
Tiradentes nos faz refletir sobre o que é a cidadania e o que a sociedade como um todo deve esperar de seus eleitos. A maioria da população não acredita nos políticos e tampouco nos partidos embora alguns afirmem que a política sem partidos como agremiações deixa de existir. Em nosso país infelizmente alguns partidos não fazem política de governo e nem de estado. Vemos algumas agremiações do exterior com planos de governo e a defesa de algumas bandeiras como por exemplo a social. Cada vez que há eleições fazem planos de governo, criticam e apontam soluções para que o governo seja mais presente e preste serviços de qualidade.
Confundiram partido com estado, governo e poder. Afinal quais eram os fins? Qual era a visão de um partido que chega ao poder? Visão puramente eleitoral ao invés de uma visão estadista. Ficou claro na última eleição o “faremos qualquer coisa para ganhar as eleições”. Ao final quem paga a “fatura” é o povo através da massa trabalhadora que fica à mercê de sindicatos filiados a partidos políticos. Defendem a bandeira do “social” através de programas sociais que de fato auxiliaram de certa forma uma parte da população, entretanto deram bens materiais mas não inseriram os contemplados na sociedade pois continuam nas periferias em “comunidades” sem saneamento básico, energia elétrica, saúde, educação adequada, coleta de lixo e transporte público.  Pelo menos é isso que vemos na mídia qualificada como reacionária. Quando afinal teremos uma quantidade maior de homens públicos, que abdicam provisoriamente da liberdade pessoal para carregar o fardo do poder e exercer na plenitude o compromisso moral que ele representa como uma espécie de sacerdócio e sob a aparência de grande senhor esforçar-se e fazer de tudo para cumprir essa tão honrosa missão e mais tarde desfrutar a paz da consciência e o respeito daqueles que “tem realmente condições para julgá-lo”.
Mas para isso é necessário lembrar-se da qualificação das pessoas que passa pela educação, respeito e principalmente pelo amor que elas carregam em relação aos outros e pelo desejo de servir. Muito ainda vamos caminhar para um dia quem sabe entendermos em sua plenitude o que Jesus Cristo quis dizer ao nos recomendar “Ama ao teu próximo como a ti mesmo”. Eis a verdade absoluta e não basta alegar que o estado é laico por que o homem público verdadeiro deseja ardentemente servir o próximo como Tiradentes fez não se importando com as consequências.  Amar é acima de tudo é servir. Fica o exemplo “Não vamos nos dispersar”.
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