Pedro Novaes: ‘Eu, ministro’

12/10/2018 14:10

     Pedro Israel Novaes de Almeida – ‘EU, MINISTRO’

 

Resultado de imagem para ministro desenhoFui sondado, por ambas as campanhas, com vistas a comandar algum ministério, a partir de janeiro.

Economistas e Administradores acompanharam uma ida ao supermercado, e anotaram tudo o que viram. Fui logo à seção de produtos próximos ao vencimento.

Coloquei no carrinho todos os produtos vencidos, para troca, gratuita, por produtos na validade. Discuti com uma funcionária, alegando que um produto que ainda tinha dois dias de validade não podia custar o mesmo que outro, com três dias de validade.

Na seção de carnes, o instinto conduziu-me às vitrines com carne moída, frango, suíno e linguiça mista. Um funcionário demonstrou contrariedade, quando perguntei se carne de pescoço, bem marretada, podia ser fritado, como bife.

Atendentes foram pouco cordiais, quando pedi um metro de linguiça, alegando que a mercadoria é vendida por peso. Argumentei que era só medir, e depois pesar.

Já cansado, fui à lanchonete do supermercado, e fiquei irritado com a tabela de preços, que anunciava bolinho de carne e bolinho de frango. Indignado, perguntei se carne de frango não era carne.

Ao pedir um café, a atendente dirigiu-se à garrafa térmica, ao invés de iniciar a feitura de café expresso. A duras penas, admitiu que assim procede, sempre que o cliente tem cara de pobre.

No dia seguinte, fui avisado de que não seria nomeado para o Ministério da Fazenda. Alegaram que eu paralisaria por completo os serviços públicos.

Soube, mais tarde, que a Federação Nacional dos Funcionários Comissionados havia prometido iniciar uma greve geral, caso fosse nomeado.

Em seguida, vieram pedagogos, para acompanhar minha ida a uma escola pública. Lá chegando, fiquei irritado com os banheiros mistos.

Machões fingiam rebolar, para acesso ao banheiro feminino. O banheiro misto, na verdade, reproduzia os banheiros comuns, dividindo os estudantes entre os que permaneciam em pé e os que sentavam.

Discuti com um estudante que estava lendo um livro pornográfico, mas pedi desculpas ao ser informado que estava estudando para a prova. Na escola, havia mais celulares que canetas.

Tenho a impressão de que não serei ministro da educação. Artistas, como sempre, postaram um abaixo-assinado, contrários à nomeação para o Ministério da Cultura, por minhas declarações contrárias à Lei Rouanet.

Fui, estranhamente, vetado para o Ministério da Segurança Pública, em virtude de um abaixo-assinado com milhões de assinaturas de bandidos, policiais, políticos e jornalistas. Até hoje não entendi o motivo de tal repulsa.

Sequer fui cogitado para o Ministério da Defesa, em decorrência de boatos maldosos, de que poderia derrubar Bolsonaro ou prender Haddad. Pelo visto, minha carreira pública começou e terminou na Câmara Municipal de Piraju, onde o povo demonstrou, por duas vezes, que sabe votar.

pedroinovaes@uol.com.br

O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

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