Fábio Ávila: ‘Brasília desmitificada’

08/07/2018 18:10

Fábio Ávila: Brasília desmitificada

Cheguei em Brasília à noite de uma sexta-feira fria e seca. Com poucos recursos – estamos em crise! – aguardei as instruções do jovem que deveria hospedar-me em sua casa, sem conhecer-me e através de contato obtido pela internet, para que eu tivesse onde pousar-me na Capital Federal.

– “Há um ônibus executivo que sai do aeroporto. Custa apenas oito reais e neste horário já não há trânsito intenso. Desça à estação de metrô 108 Sul e verá a Casa D’Itália. Atrás deste espaço cultural tem um campo de futebol de salão. Caminhe pelo jardim e me encontrará, embaixo, próximo à passagem de pedestres”.
Desta forma o anfitrião me introduzia na Brasília distante dos clichês, dos táxis, dos guias turísticos, dos hotéis ou de outra qualquer opção clássica quando se chega em uma cidade desconhecida no período de uma viagem a trabalho. Gentilmente, ele e um amigo me convidaram para jantar no belíssimo espaço beira-lago do Pontão, onde pequenos restaurantes artisticamente iluminados se debruçavam face às águas tranquilas e plácidas do imenso Lago Sul e quando a natureza levava a graça do lado tropical da Capital Federal.
– Os clientes dos restaurantes, elegantes e de alma e corpo brancos,eram servidos por esguias donzelas esbeltas, pardas ou mestiças, jovens de silhuetas delgadas e sorrisos cor de marfim. A conversa rolou solta entre os convivas sobre Brasília como uma cidade com vida com cultura e personalidade próprias.
– Ao levar-me para o apartamento, acomodaram-me em um colchão, na sala, com lençóis limpos e com apoio na organização do espaço, gentileza e simpatia.
No dia seguinte iniciei a maratona por entidades e ministérios governamentais, sobretudo nas áreas de Meio-Ambiente e de Turismo. As linhas arquitetônicas de Oscar Niemeyer e o funcionalismo projetado pelo engenheiro Lucio Costa se faziam presentes na empoeirada, maltratada e maltrapilha Capital Brasileira. Os funcionários públicos, bem educados e aparente,ente alheios, ouviam-me com parcimônia e um distanciamento característico de seres especiais como se eu fosse oriundo de um outro planeta. Eu tinha a nítida sensação de estar dialogando com pessoas pouco sinceras, entes de esparsas verdades e sem nenhum interesse pela minha proposição. Era como se “água mole em pedra dura… fosse “.
Por questões de tempo, de disposição e de vontade, caminhei as longas quadras do Plano Piloto para ir de um local ao outro, de uma portaria a outra portaria onde a indolência já se faz presente nos funcionários que nos acolhem às entradas das edificações.
Como pode uma cidade ser tão bastarda?, perguntei-me. Por que tanta confusão e dispersão visual arquitetônica em uma urbe anteriormente planejada para ser o nervo central desta Grande Nação? As calçadas, esburacadas, os jardins com gramas pisoteadas e secas, muitas paredes pichadas e o transporte público carente, incompetente e aparentemente incoerente.
É este o Brasil que nos foi prometido nos sonhos do presidente Juscelino Kubitschek?
O contraste se fazia latente ,com o conjunto de tendas onde estavam acampados representantes e famílias do MST (Movimento dos Sem Terra) reclamando por uma reforma agrária em terras brasileiras e as manchetes dos jornais denunciavam a corrupção endêmica das classes dirigentes do Brasil e o desânimo tomava conta de todos.
Qual foi o meu pensamento? Brasília é um grande equívoco e uma mancha não apagável na história do Brasil. A capital, Rio de Janeiro, deveria ter sido preservada e o Centro-Oeste poderia estar desenvolvido e ocupado de forma efetiva na busca da colonização do Oeste Brasileiro de forma competente e sustentável.
Agora é tarde!!! Juscelino Kubitschek destruiu a malha ferroviária , nos fez colonos das grandes montadoras de automóveis internacionais e foi o responsável pelo início do sucateamento das terras brasileiras. Faleceu cruelmente castigado ao perecer em um acidente automobilístico após implodir as nossas ferrovias.

Nossa história estará sempre mal contada, deturpada e gangsteres e vilões serão condecorados pelos historiadores com suas leituras políticas, oportunistas e tendenciosas.

Viva o Brasil profundo.Políticos são inimigos do Brasil!!!

Fábio Ávila 

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