Maria Dolores Tucunduva: ‘Dignidade,um dos grandes atributos do espírito’

09/11/2017 00:19

Maria Dolores Tucunduva: ‘Dignidade ,um dos grandes atributos do espírito ,tem seu sentido verdadeiramente esvaziado nos tempos atuais!’

O grande teórico moderno da dignidade humana é Immanuel Kant, que no século XVIII tratou do ser humano e de sua dignidade como “a coisa que se acha acima de todo o preço, e , portanto, não admite qualquer equivalência.
A razão especial da dignidade, defendia o filósofo prussiano, é a autonomia da vontade do ser humano, a capacidade do homem autodeterminar- se , definir os rumos de sua própria existência.
As liberdades individuais são expressões naturais dessa capacidade.
É difícil apontar para a fonte exata dessa singularidade que se percebe no homem. Há nele uma interioridade, um poder de por meio da inteligência, da vontade, da capacidade de elaborar os sentimentos, travar contato com diversas realidades e torná-las parte de si mesmo, que o torna muito especial.
Mais ainda: ele é capaz de chegar àquilo que está destinado a ser, a desenvolver os seus potenciais, a corrigir seus rumos até o último minuto.
E, como se isso não bastasse, o homem é um ser que sempre está em busca de algo mais, de algo que o transcenda, o que o diferencia de todos os outros animais. Esta não é uma diferenciação apenas quantitativa, mas qualitativa.
Por mais que reconheçamos nos animais atributos como a inteligência, essas características que mencionamos são únicas do gênero humano.
A noção de “pessoa” está diretamente vinculada a essas características: o homem nunca é algo; é sempre alguém – mesmo quando o exercício de sua autonomia não pode ser plenamente exercido; pensemos, por exemplo, em pessoas cuja situação as impede de realizar escolhas, como um paciente em coma ou alguém tão mergulhado nas drogas que já perdeu o controle de si mesmo. Elas não são menos dignas, menos “pessoas”, que ninguém.
Mesmo depois de Kant, a humanidade ainda levou tempo para entender totalmente que todo ser humano era portador de uma dignidade intrínseca – os movimentos abolicionistas e dos direitos civis precisaram ensinar isso ao homem dos séculos 19 e 20. E , uma das últimas fronteiras foi quebrada quando a dignidade do inimigo foi finalmente reconhecida por meio de tratados internacionais como as Convenções de Genebra, que pretendiam banir o tratamento desumano a civis e combatentes em tempos de guerra.
Vemos , portanto , com profunda tristeza que em pleno sec. XXI essa qualidade moral que infunde respeito, consciência do próprio valor, honra, autoridade, nobreza, tem perdido o seu verdadeiro sentido!
Maria Dolores Tucunduva
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