Marcelo Augusto Paiva Pereira. – ‘A FILOSOFIA DE HEGEL’

12/08/2017 00:22

Marcelo Augusto Paiva Pereira. – ‘A FILOSOFIA DE HEGEL’

 

Georg Wilhelm Friedrich Hegel nasceu em 1770 em Stuttgart, estudou no Seminário Teológico de Tübingen e teve contato com o Iluminismo, corrente de ideias revolucionárias difundidas pela Europa ao final da Idade Moderna. Em 1789 testemunhou o sucesso da Revolução Francesa e, durante sua estada em Iena (1801-07), vivenciou o avanço das tropas napoleônicas no Grão-Ducado de Saxe-Weimar. Estes episódios foram os marcos da estruturação de sua filosofia, a qual se tornou indelével na marcha da história.

 

Na construção de sua filosofia, Hegel extraiu da Teodicéia – palavra cunhada por Leibniz – o paradigma da formação do espírito (ser) no percurso de sua elaboração (a história). A Teodicéia consiste em uma sistematização ordenada dos fatos pela Divindade, submetendo todos aos acontecimentos da vida.

 

Aplicando-a na história, esta se torna manifestação um processo de etapas a que se submeteu a humanidade e com as quais desenvolveu o espírito, exteriorizado pela cultura. A história contém os fatos ordenados pela Divindade, segue a trajetória espiritual da humanidade e realiza a ideia da liberdade (como é exemplo a Revolução Francesa).

 

A invasão napoleônica o fez refletir sobre o Estado, devendo ser unificado para assegurar ao indivíduo o exercício da liberdade e da cidadania. A Hegel, a democracia indireta deveria ser a representação política popular, cabendo ao Estado não interferir nas atividades privadas (favorecendo a livre iniciativa), mas regular e punir as condutas ilícitas e tutelar os valores éticos da sociedade (a família e as corporações de ofício, por exemplo).

 

Desenvolveu a dialética, método de raciocínio em que o ser revê um conceito após comparar as figurações que o formam com as preexistentes e as suspensas (separadas) do processo de elaboração do espírito. Tais figuras suspensas são aquelas que não preencheram as etapas de formação do conceito e do ser, mas poderão ser acolhidas oportunamente.

 

Elaborou a acepção do vir-a-ser, sendo este o processo de conversão da ideia (pensamento, razão, conceito, consciência – e o próprio ser) em realidade, realizando-a no mundo dos fatos (acontecimentos naturais e humanos). O vir-a-ser é, pois, o dia-a-dia de cada pessoa.

 

Apresentou o absoluto, que surge quando a substância (cerne do ser) faz uso de si mesma como paradigma para saber de si mesma, num exercício introspectivo de consciência. O absoluto existe por si mesmo (independe de outros referenciais). Hegel demonstrou ser, Deus, absoluto, independente da consciência do ser e das relações do ser com o absoluto (Deus existe por si mesmo, tenhamos nós consciência ou não).

 

A filosofia de Hegel atribui ao Estado unificado o lugar de realização do ser, e à história o caminho percorrido pela humanidade na formação do conhecimento, através da sucessão de figuras recortadas do momento vivido, opostas entre elas pela dialética e ordenadas sucessivamente na consciência, resultando na razão e no espírito (ser). Neste percurso Deus sempre foi a fonte superior de todos os acontecimentos e cada fato vivido pelo ser tem causa em um plano d’Ele para formar o equilíbrio e a existência do Universo. Nada a mais.

 

Marcelo Augusto Paiva Pereira.

(o autor é advogado)

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